“Seus
problemas ajudar a resolver
Sofrer também nas provas bimestrais
Junto a você
Serei sempre seu confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel.”
Sofrer também nas provas bimestrais
Junto a você
Serei sempre seu confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel.”
Este é o caderno. Só isso. Carolina Maria de Jesus tinha lá os seus.
Retirados das latas de lixo que ela, pobre, miserável, catava pelas imediações
do Canindé. Foi com este caderno que ela deixou suas memórias, num relato único
de como podemos ser cruéis. Seus cadernos foram rejeitados por uma afamada
editora. Mas um dia foram descobertos, e foram traduzidos para mais de treze
línguas.
Eu não tenho tal pretensão. Mas, mesmo não sendo contemporâneo de Carolina,
e mesmo já tendo terminado o meu caderno antes de conhecer sua obra, posso
dizer que temos algo em comum: o registro das memórias. E por estes registros,
conhecemos as pessoas no âmago do seu ser.
Naquele velho caderno vermelho, não estão as minhas opiniões, mas sim
fotos que ao longo de um ano me chamaram de algum modo minha atenção. O mesmo
aconteceu com Carolina.
A memória humana não é plena e perfeita. Ela está sujeita a lapsos que
faz que as informações se percam com o tempo. Especialmente com o que não tomamos
por verdade. Quando “A” critica “B”
pelas costas, mas tem muitos afagos pela frente, percebemos que “B” não presta,
não o “A”. O tempo passa e aprendemos quem é quem, e aprendemos que sempre há
aquele que merece ser defendido. Por fim, silenciosamente somos expectadores de
um circo de horrores, que nada mais é que um apanágio tão comum dos humanos.
O caderno sempre estará envolto no denso véu do mistério, pois assim ele
cumpre muito bem a sua função. E o que fascina muitos no caderno, é que ele não
está encerrado no escrínio da mente, mas sim, é físico e palpável! Porém mesmo
sendo físico ele não pode ser lido, pois está umbilicalmente ligado à mente,
ligado às nossas ideias e opiniões. Certas intervenções e intenções alheias se
foram claras, serão sempre desastrosas e somente vão contribuir para disseminar
mágoas e outras porcarias. Mas é pelo que foi escrito naquelas pequenas folhas que
podemos ir ao socorro do próximo quando a injustiça é feita. Sempre de uma
forma sutil.
“O que
está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer?”
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer?”
Apenas observar, e interferir quando é necessário, por justiça.
N.S.D., 11/04/14.
