quinta-feira, 24 de março de 2011

Divagações sobre alguns Princípios

Passei alguns dias pensando em como contar um causo que presenciei no dia 13 de março do corrente. Não sei por onde começar, acreditem. Mas acho que posso falar dos instintos humanos, e estes são inerentes a todos, fazem parte de nós e ponto.

No chamado estado de necessidade vale tudo, lá não se aplicam as nossas leis, mas sim as leis do instinto e da sobrevivência. Logo para um famélico não é ilícito ou imoral e tantos outros “is”, matar uma avis rara e fazer a passarinho lá nos cafundós da Amazônia, tão pouco seria pecado beber água benta, desde que se buscasse a manutenção da vida.

Mas, os humanos são dotados da culpa, tão bem incutida nas mentes pela religião de modo geral, que mesmo sabendo que por vezes o direito nos assiste, temos culpa depois de fazer ou não algo (como o ritual penitencial: pensamentos e palavras, atos e omissões). Isso me lembra o título de um livro (aqui só o título importa): “moral e dogma”. Ainda bem que temos esses dois freios para impor limites as nossas paixões malsãs, sem eles, onde iríamos parar? Junto à choldra ignóbil e a vil escumalha. Sim, Rousseau estava quase que totalmente certo o ao dizer que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. O homem nasce vazio. E cabe aos seus genitores e educadores incutir-lhes valores éticos e morais.

Mas, você leitor deve estar se perguntando que num estado de necessidade não há ética, moral, dogmas e sei lá mais que porra... Mas há a carga desses ensinamentos que não pode ser separada de nós. Aconselho a ler o “Mito dos Exploradores de Cavernas”, pois você sabe que não deve fazer, mas se não fizer vai se estripar, no fim das contas, faz sobrevive e carrega a culpa, mesmo não sendo condenado em juízo

Então, se na necessidade, há aquela pilha de excludentes, (NE. Como parto do principio que nem todos possuem conhecimento sobre o estado de necessidade, favor ler os artigos 23 e 24 co Código Penal e leia o Fernando Capez, por exemplo), por que ficamos com o pejo do ato praticado? Além da culpa que os sem-número de credos nos incutem, temos já a carga educacional e moral que trazemos de casa (essa eu não parto do principio que todos tenham), da educação, da vida em sociedade, da moral, dos bons costumes, do caráter em da busca pela retidão.

Digo que Rousseau estava quase que totalmente certo por isso: pela carga moral que temos entranhada em nós, por menor que seja, um dia isso acaba vindo à tona. Não somos totalmente bons ou maus, apenas somos, nós mesmos.

N.S.D., 24 de março de 2011.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Paucis Cineres

Hoje recebi notícias de alguém que há muito não vejo, e prefiro que continue assim. Ao que me parece, são boas notícias, sei que isso é bom, mas pouco me importo se são boas ou más; só sei que é melhor receber uma notícia por terceiro do que por ore propriae. Curiosamente hoje na solene liturgia de cinzas, nosso administrador apostólico e Arcebispo Primaz do Brasil, Ðom Murilo em sua homilia falou do arrependimento – as cinzas na fronte são um sinal disto – e de algo intimamente ligado ao arrependimento: o perdão.

Sim, essas duas coisas devem ser algo uno. Ðom Murilo falou do perdão como ele é (para nós, como ele deve ser), ou seja, um ato consciente e deliberado; já a memória é um fato temporal que não esquecemos. Pois mesmo não querendo notícias de alguém, não querendo ver este alguém, lembramos sempre do mal que nos foi feito. Mas quando conseguimos rezar por quem nos fez este mal, estamos na verdade perdoando, mesmo que jamais voltemos a ver esta pessoa.

Confesso que isso é um tanto quanto estranho para mim. Seria assim tão simples (e “fácil”) o ato de perdoar? Realmente, não faço a menor idéia...

O mais curioso, e acredite quem quiser: primeiro eu fui à missa de cinzas, e depois, por volta das 22 horas que eu recebi uma visita que me trouxe a tal notícia. Que vá em paz! Afinal, pela exegese bíblica, setenta vezes sete é sempre...

Nossa Senhora do Desterro, Quarta-feira de Cinzas de 2011.