Passei alguns dias pensando em como contar um causo que presenciei no dia 13 de março do corrente. Não sei por onde começar, acreditem. Mas acho que posso falar dos instintos humanos, e estes são inerentes a todos, fazem parte de nós e ponto.
No chamado estado de necessidade vale tudo, lá não se aplicam as nossas leis, mas sim as leis do instinto e da sobrevivência. Logo para um famélico não é ilícito ou imoral e tantos outros “is”, matar uma avis rara e fazer a passarinho lá nos cafundós da Amazônia, tão pouco seria pecado beber água benta, desde que se buscasse a manutenção da vida.
Mas, os humanos são dotados da culpa, tão bem incutida nas mentes pela religião de modo geral, que mesmo sabendo que por vezes o direito nos assiste, temos culpa depois de fazer ou não algo (como o ritual penitencial: pensamentos e palavras, atos e omissões). Isso me lembra o título de um livro (aqui só o título importa): “moral e dogma”. Ainda bem que temos esses dois freios para impor limites as nossas paixões malsãs, sem eles, onde iríamos parar? Junto à choldra ignóbil e a vil escumalha. Sim, Rousseau estava quase que totalmente certo o ao dizer que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. O homem nasce vazio. E cabe aos seus genitores e educadores incutir-lhes valores éticos e morais.
Mas, você leitor deve estar se perguntando que num estado de necessidade não há ética, moral, dogmas e sei lá mais que porra... Mas há a carga desses ensinamentos que não pode ser separada de nós. Aconselho a ler o “Mito dos Exploradores de Cavernas”, pois você sabe que não deve fazer, mas se não fizer vai se estripar, no fim das contas, faz sobrevive e carrega a culpa, mesmo não sendo condenado em juízo
Então, se na necessidade, há aquela pilha de excludentes, (NE. Como parto do principio que nem todos possuem conhecimento sobre o estado de necessidade, favor ler os artigos 23 e 24 co Código Penal e leia o Fernando Capez, por exemplo), por que ficamos com o pejo do ato praticado? Além da culpa que os sem-número de credos nos incutem, temos já a carga educacional e moral que trazemos de casa (essa eu não parto do principio que todos tenham), da educação, da vida em sociedade, da moral, dos bons costumes, do caráter em da busca pela retidão.
Digo que Rousseau estava quase que totalmente certo por isso: pela carga moral que temos entranhada em nós, por menor que seja, um dia isso acaba vindo à tona. Não somos totalmente bons ou maus, apenas somos, nós mesmos.
N.S.D., 24 de março de 2011.
