Desterro, 24 de
Outubro de 2019.
Numa aminada
conversa com alguns amigos surgiu sem muita demora o famoso (e doloroso)
assunto que é inerente a todos os seres humanos em algum momento de suas vidas:
o amor não correspondido. Geralmente imagino eu que isso seja logo no primeiro
amor, afinal, vocês estão lendo as palavras escritas pela mão de alguém que
credita que o primeiro amor é uma maldição e nunca dá certo. Sabe como é, experiências
e desventuras pessoais.
Devo
propedeuticamente situar você leitor em algumas coisas: nessa curiosa conversa
o meu “objeto de desejo” se fazia presente como sempre; como não serei
correspondido estou tratando de seguir com a minha vidinha como é possível,
como se diz, aberto a possibilidades e conhecer novas pessoas. Então neste ínterim
conheci de fato uma nova pessoa, que pra variar não deu certo, pois, após
ficamos juntos, ela disse que tem outro. Sobrei.
Nesse arranjo no
mínimo dissonante, ouvi da menina dos meus olhos, que eu não deveria procurar
mais a outra pessoa, - e ela já tinha me procurado – que eu deveria me
valorizar, e deixar a outra correr atrás de mim, “pois isso faz um bem danado
para o ego”.
Em um par de
segundos entendi algo que havia ali: eu sempre inflei seu ego correndo atrás e
fazendo toda a sorte de favores – alguns até difíceis e complexos. Na hora do
aperto meu telefone sempre toca para que eu ouça uma súplica. Vem cá, tenho
cara de Deus pra ficar atendendo súplicas e pedidos?
Outro ponto
crucial nesta história: basta eu desaparecer um pouco que ela surge
milagrosamente tais como vendedores de guarda-chuva em dia de dilúvio
perguntando se estou bem, ou porque sumi. Afinal, quem quer perder alguém que
fica ali morrendo, padecendo e fazendo tudo por ti? Absolutamente ninguém.
Quanto eu tinha lá os meus 16 ou 18 anos, minha falecida mãe me disse que era
maravilhoso ter alguém morrendo e padecendo pela gente. Acho que foi o único
conselho nesse sentido que ela me deu a vida toda. Pouco falamos sobre minhas
desventuras, o mesmo ocorre com meu pai.
Numa das vezes
que desapareci, recebi uma mensagem mais ou menos assim: “não quero que sumas
da minha vida, mas se isso te fizer bem, ok”. A leitura que faço hoje é triste,
realista e cruel, sou apenas uma bengala, muleta, algo (e não alguém) que pode
ser usado quando necessário.
Esse é o triste
mundo líquido de Bauman.
