O verniz da beleza não se mantém, é frágil e tal fragilidade sempre passa despercebida. E nessa sutil debilidade que poucos percebem que possuem, cai a máscara e contemplamos a vil criatura sem véus tal como Dorian em seu afamado retrato. Se a vaidade e o orgulho forem pecados, assumo a minha felix culpa envaidecendo-me de intelecto, pois envaidecer-se da própria beleza é um apanágio próprio dos tolos, pois a beleza embora cativante é sempre transitória, o tempo é uma personagem implacável contra o belo e o físico. Por outro lado a sabedoria pode aumentar com o tempo, basta você querer.
Certa manhã eu conversava com alguns amigos e acabei utilizando uma palavra um pouco mais rebuscada, e tive que ouvir: "amigo, não usa palavras difíceis porque eu não entendo". O invejei, pois os apedeutas são infinitamente mais felizes, afinal, como reza o adagiário popular, a ignorância é uma dádiva.
Considero que ao logo dos anos recebi algumas dádivas, mas a paciência definitivamente não está entre as por mim recebidas. Isso me traz uma grande dívida a ser saldada, pois como não sou um ser eutímico já não tenho tanto tato com o mundo a minha volta.
Como disse, há um preço, um insulamento, um eterno exílio onde se espera por uma absolvição que nunca virá.
Reza o adagiário popular que beleza não põe a mesa, e eu completaria dizendo que intelecto não põe cama.
N.D.E., 13 de agosto de 2018.
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
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