segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Uma Conversa com o Velho Speith

Hoje resolvi passar na catedral antes da missa para ver um amigo e conversar um pouco sobre um tema tão banal e ao mesmo tempo delicado: a vida. Muitos devem pensar que fui procurar o Pe. Luiz, meu confessor, mas não, eu procurava meu irmão. Como eu não o encontrei, e meu confessor está fazendo suas as palavras de Paulo (combati o bom combate, terminei a jornada, mantive a fé), resolvi conversar um pouco com o velho Speith Orgel.
Mesmo com seu teclado de marfim já marcado pelo tempo e seus velhos tubos de zinco, ele é um bom “ouvinte” e um excelente consolador. É isso que a música faz com o ouvindo, e mais ainda ela pode fazer pelo músico. Creio que o velho Speith tem o dom de nos confortar, e estabelecer a conexão que buscamos com o divino, ele é o nosso despertar para um mundo novo.
Pois é, duas palavras que estão marcadas em minha mente hoje: “conexão” e “despertar”. Assim como outra coisa não sai de minha mente, as palavras erradas ditas na hora errada! É, srsrsr, eu tenho esse “dom”, então acho que devo desculpas ao passarinho vermelho... Nessa busca pela conexão acabamos por fazer algumas besteiras no caminho. Coisas da vida. Afinal, é com os erros que aprendemos, e nos tornamos pessoas melhores, pessoas que percebem que nem tudo é o que parece. Fica aqui a reflexão, bem antiga, diga-se de passagem: as palavras valem prata, e o silêncio vale ouro.

Desterro, 29 de Novembro de 2010.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Hino de Sta. Cecília - 22/11


I - Que cantos, que luzes que festa, que deslumbrante animação!
A corte do céu manifesta a mais atraente união!

De quem vai celebrar a glória: o povo eleito do Senhor?
A quem seus hinos de vitória, as ovações de seu louvor?
Refr.: Cecília Triunfou, ganhou celeste palma
Catemos seus louvor! Peçamos que na vida
Amparo de nossa alma, nos seja seu favor!
II – O lírio da bela pureza prendeu teu nobre coração.
E deu-te a constância, a firmeza, o santo valor do cristão;
Cecília a nossa protetora: no pelejar da vida atroz,
Na tentação perseguidora roga do céu a Deus por nós.
III – A lira pulsava sublime sabias nela interpretar.
A fé que nossa alma redime, o amor dom de Deus singular.
Teu valimento nos aplica; Jesus ouvindo a tua voz.
A graça dê que santifica, oh, roga pois a Deus por nós!
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Entre as santas mais antigas e mais veneradas pela tradição popular Santa Cecília ocupa um lugar de primária importância.

Sua biografia, baseada nos dados de uma Paixão (ou seja, descrição do martírio) escrita no século VI, é uma das mais conhecidas e divulgadas.

Os dados principais dessa Paixão são os seguintes: Cecília é apresentada como uma jovem romana de família nobre, que é prometida, sem que seus pais soubessem, e tinha consagrada a Deus sua virgindade. No dia de núpcias, enquanto a música ressoava no salão de festas, ela entoava em seu coração um hino à virtude da castidade.

Na primeira noite do matrimônio declara ao seu jovem esposo que não ouse tocar o seu corpo com amor impuro, pois que ela tem ao seu lado um anjo encarregado por Deus para defender sua virtude.

Valeriano exprime desejos de poder também ele ver o anjo. Cecília apresenta-lhe como condição essencial a recepção do batismo. O esposo manifesta-lhe suas boas disposições e ela o envia ao bispo Urbano que se encontra refugiado na Via Ápia.

O nobre romano recebe as primeiras instruções na religião cristã e é batizado por Urbano. Ao regressar para casa, fica deslumbrado diante da visão celeste do anjo de Cecília.

O exemplo de Valeriano, é imitado posteriormente por seu irmão Tibúrcio. Ambos, juntamente com Máximo, convertido por eles, são martirizados em Roma sob o governo do prefeito Túrcio Almáquio.

Pouco depois também Cecília é citada ao tribunal de Almáquio, por ser cristã. A jovem e condenada à morte por asfixia no "calidarium" de sua própria casa. Não obtendo esta pena o efeito desejado, Almáquio ordena que a virgem seja decapitada ali mesmo. O algoz treme ao dar-lhe os golpes fatais e a deixa semi- viva. Sua agonia prolonga-se por três dias. Nesse tempo Cecília confirma seus familiares na fé cristã e faz doação de seus bens à Igreja.

O Papa Urbano mandou sepultar seu corpo virginal ao lado dos outros bispos, seus colegas. A casa do martírio foi transformada em igreja.

Tais são, em resumo, os dados da Paixão. Escrita num século em que reinava no Ocidente grande entusiasmo pela vida religiosa, reflete claramente a intenção do autor de compor uma prática exortação de renúncia aos prazeres do mundo e de consagração total a Deus.

A Igreja aproveitou-se largamente dessas notícias biográficas ao compor o Ofício litúrgico de Santa Cecília, cuja festa se celebra no dia 22 de novembro: é um dos ofícios mais antigos e mais belos do Breviário Romano. As lições do segundo noturno apresentam um resumo da vida da santa extraída da Paixão. As antífonas e os responsórios evocam frases e episódios dessa mesma fonte lendário. Desta forma o Ofício litúrgico do dia 22 de novembro constitui uma das mais belas e ricas apologias da virgindade cristã.


Desterro, 22 de Novembro de 2010.

As Estrelinhas de Hollywood

Estou aqui, em frente a minha máquina de escrever de luxo, pensando sobre o que escrever.

Tenho sempre alguns bons temas para escrever. São bons pra mim, mas nunca para quem está nessas historietas. Esta que vou contar agora aconteceu comigo há uma semana creio eu, mas devo, antes de qualquer coisa, relatar um fato anterior... Então vamos lá.

No dia 14 de outubro do corrente, enviei a um grupo de e-mails que faço parte um pedido: se alguém tinha os trabalhos da aula tal que eu acabei faltando. Meu Deus, como naquela sala tem gente simpática! Eu nunca tinha notado! Ninguém me respondeu, e eu tive que me “phuder” para fazer o que me foi pedido.

E agora, no dia 19 de novembro veio o castigo da vil escumalha pusilânime, plebe ignota, enfim, a fina flor da chinelagem... Nesse dia, antes de uma avaliação, que valia 8,0 pontos e um trabalho valendo 2,0, a turma solicitou a nosso professor que a prova tivesse peso 10,0 e o trabalho 1,0. Como isso implica na mudança de plano de ensino, há a necessidade de se ter uma votação, e o projeto teria que ser aprovado por unanimidade.

Ai rodou a sala uma lista para quem concordasse com a mudança colocasse seu nome. Eu não coloquei o meu! Afinal, o trabalho tinha peso 2,0 e eu obtive 1,5 nele! Vou abrir mão de 0,5 ponto para ajudar uma horda de fominhas esganados?

Não! Não! E mais uma coisa, durante a prova o professor “discretamente” perguntou quem é o fulano de tal? E eu respondi, e ele me disse você não assinou a lista! Valeu por me jogar no meio da turba enfurecida!

Mas, por vezes acho que estou em Hollywood, por vejo muitas estelinhas! Ou ao menos pensam que são.

E a vida é assim, o castigo sempre vem! E digo o seguinte, isso me fez muito feliz! Eu apenas pedi um favor, mas as estrelinhas não se importam com alguém que não faça parte de panelinha deles.

Pra terminar, quando eu vejo caído no chão um cachorro que me mordeu, eu chuto sem dó! Afinal, não sou um santo, mártir, nem sou do exercito de salvação. Cutucou, sai cutucado.


N.S.D. 21 de Novembro de 2010.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um versículo

Eis um versículo que não encontramos por aqui:

Weeping may endure for a night, but joy cometh in the morning.

Ps.: 30:5 - Authorized King James Version

Desterro, 19 de Novembro de 2010.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mein reich für ein bunker!

Sim meus amigos teutos, estou deveras necessitado de um bunker para me abrigar da plebe ignota com sua cultura rudimentar. Em outras palavras, esse Folianópolis está sendo algo excruciante! Axé? Misericórdia! Ao que parece ninguém tem pena dos meus pobres nervos, e é claro, meus ouvidos! Como se não bastasse o lixo que se toca em tal evento, a bagunça tem ido até uma 04:00hs, bem, todos sabem que o carnaval de rua vai até as 02:00hs. Então, rico pode extrapolar? É o que parece.

No mais, essa festa poderia ser onde é realizado o Planeta Atlântida (no fim do mundo mesmo!). Que falta me faz um acachapante Caterpillar desgovernado! Rsrs. Bem o mundo não é perfeito.

Não, não, o mais interessante disso tudo é quando você mora em um edifício que fica ao lado de um hotel, assim temos o desgosto de presenciar a vil escumalha se divertindo, da seguinte forma: berrando, eructando pela janela, bebendo de tudo, e ainda chamando a vizinha de gostosa (se bem que era outra coisa...). Garanto que Darwin não teve tal experiência, como tão pouco conseguir prever isso a sua teoria da evolução das espécies.

Ah... Esse tipo de dente selvagem, não me acrescenta em nada! Na mesma proporção, há um inglês muito desocupado que destruiu um piano de 115 anos para usar a madeira marchetada para fazer a cabeceira de uma cama. Pior mesmo, são os que queimam pianos... Acho que queimá-los não seria má idéia

E diante de tamanha pusilanimidade cultural do povo, só resta-me sentar ao meu piano e alimentar a minha alma.

N.S.D. 14 de Novembro de 2010.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ode an die Freude

Já faz alguns dias que ando com os dedos bem nervosos, e já percebi que o teclado de um piano não é o bastante para aplacar meus nervos. Bach me ajudou muito, mais ainda é pouco para minha inquieta alma, que almeja muito mais que qualquer fusa pode hoje me oferecer.

Mas como músico, desconheço outra linguagem a não ser a própria música e as peculiaridades dos instrumentos, por isso, hoje vou me valer de um órgão de tubos para tentar expor alguma coisa além de palavras lançadas ao vento. Um órgão munido de dois ou mais teclados manuais é dotado de um “registro de combinação”, que é puramente mecânico. Assim o organista pode programar cada teclado para uma registração (timbre) específica. Caso o executante acione a combinação e não abra os registros para aquele(s) teclado(s), ele se transforma em um anulador, muito útil durante uma missa, pois, não há necessidade de fechar todos os registros e assim perder o timbre escolhido. É um “ligar e desligar”, só mais simples e mais rápido.

Então podemos também anular um teclado inteiro; anula-se o primeiro, por conta do segundo. Do mesmo modo são as chances que nos são oferecidas ao longo de nossas vidas, as vezes uma segunda chance, pode anular a primeira, do novo teclado, recém instalado, reduzindo assim a gama de sons. E mais curioso dessa confusão que eu fiz aqui é a seguinte, com um botão silenciamos a alma do instrumento. As chances são assim, quando oferecidas fazem soar o registro liebesflöte; quando são ceifadas, acionam a combinação que é um anulador, um silenciador.

O órgão, que pela organologia é o rei, é o único instrumento que uma só pessoa pode executar, por assim dizer uma sinfonia. Mas que graça tem um instrumento com infindos recursos, quando somos solistas? Creio que é a mesma do órgão sem tubos, piano sem cordas...

Mas, sozinho e surdo, Beethoven escreveu “Ode an die Freude”, ou “Ode à Alegria”.

Agora chega do silêncio de anuladores e de pausas, é hora da sinfonia da vida, do belo, do viver e ser feliz.

NSD, 05 de Novembro de 2010.