quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Insanæ Et Vanæ Curæ
domingo, 5 de dezembro de 2010
Rindo com Música
Caríssimos leitores, ontem eu tive a graça de poder acompanhar ao vivo o programa online do pianista Gustavo Veríssimo no seu twitcam (e a anta aqui nem sabia que isso lá existia). A transmissão começou lá pela meia-noite e o repertório foi algo indescritível!
O repertório foi caprichado, ia desde Odeon de Nazareth, Velha Modinha de Lorenzo Fernandes, Bis du Bei Mir atribuída a Bach (essa foi pedido meu kkk), Clair de Lune, e pasmem: Bad Romance da Lady Gaga!
Algo muito curioso mesmo, Lady Gaga não era nem a última coisa que eu imaginava ouvir num piano, mas conhecendo meu amigo Gustavo, e recordando bem das nossas crises musicais no velho Essenfelder da escola... Bem, não é de todo estranho. Villa-Lobos sofreu muito naqueles saudosos anos, e a monitora do Laboratório do piano, a Ivonete também.
Sinceramente, mais estranho que Lady Gaga é ouvir o que eu acabo de ouvir enquanto escrevo esta crônica: meu pai cantando “la Donna è móbile, a outra é fixa”. Que Bach me ajude!
Enfim, Deus sabe o que faz! No mais, foi uma experiência impar, e lamento profundamente de não poder ter tido a oportunidade de dividir essa experiência com vocês. Quem sabe quando eu conseguir usar o twitcam... kkk.
Por fim, Gus, parabéns pela iniciativa e pelo repertório!
N.S.D. 05 de Dezembro de 2010.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Ode an die Freude
Já faz alguns dias que ando com os dedos bem nervosos, e já percebi que o teclado de um piano não é o bastante para aplacar meus nervos. Bach me ajudou muito, mais ainda é pouco para minha inquieta alma, que almeja muito mais que qualquer fusa pode hoje me oferecer.
Mas como músico, desconheço outra linguagem a não ser a própria música e as peculiaridades dos instrumentos, por isso, hoje vou me valer de um órgão de tubos para tentar expor alguma coisa além de palavras lançadas ao vento. Um órgão munido de dois ou mais teclados manuais é dotado de um “registro de combinação”, que é puramente mecânico. Assim o organista pode programar cada teclado para uma registração (timbre) específica. Caso o executante acione a combinação e não abra os registros para aquele(s) teclado(s), ele se transforma em um anulador, muito útil durante uma missa, pois, não há necessidade de fechar todos os registros e assim perder o timbre escolhido. É um “ligar e desligar”, só mais simples e mais rápido.
Então podemos também anular um teclado inteiro; anula-se o primeiro, por conta do segundo. Do mesmo modo são as chances que nos são oferecidas ao longo de nossas vidas, as vezes uma segunda chance, pode anular a primeira, do novo teclado, recém instalado, reduzindo assim a gama de sons. E mais curioso dessa confusão que eu fiz aqui é a seguinte, com um botão silenciamos a alma do instrumento. As chances são assim, quando oferecidas fazem soar o registro liebesflöte; quando são ceifadas, acionam a combinação que é um anulador, um silenciador.
O órgão, que pela organologia é o rei, é o único instrumento que uma só pessoa pode executar, por assim dizer uma sinfonia. Mas que graça tem um instrumento com infindos recursos, quando somos solistas? Creio que é a mesma do órgão sem tubos, piano sem cordas...
Mas, sozinho e surdo, Beethoven escreveu “Ode an die Freude”, ou “Ode à Alegria”.
Agora chega do silêncio de anuladores e de pausas, é hora da sinfonia da vida, do belo, do viver e ser feliz.
NSD, 05 de Novembro de 2010.
sábado, 23 de outubro de 2010
Músicas
Por vezes fico pensando no que uma música pode fazer em nós; por vezes nos traz alegrias, ou nos deprime, nos conforta, nos exalta e nos eleva a um plano superior...
A música é realmente capaz de uma infinda gama de possibilidades, tanto sentimentais como propriamente as musicais; tendo em vista que as possibilidades das seqüências das notas é infinita. Assim sendo, há trabalho para uma vida inteira, ou melhor, para sempre. Porém é muito comum que as pessoas de um modo geral não dêem o devido valor ao músico e a um gênero musical, como o Barroco. O período barroco foi a sólida base onde muita coisa que conhecemos hoje foi feita, nesse período há uma filigrana muito rico no que diz respeito às variações de escala, coisa que lamentavelmente não há hoje em dia.
Nesses dias tenebrosos em que vivemos o povo gosta de ouvir cada porcaria sem precedentes! Muitos vão alegar moda, cultura, gosto... Já eu alego que é falta deste.
Antes que muitos resolvam me apedrejar, eu vou perguntar uma coisa, usando um exemplo muito simples: Onde está o grupo É o Tchan? E tanto outros? Simplesmente somem da mídia, e da memória das pessoas, já as verdadeiras obras, se perpetuam através dos tempos, vejamos as obras de Beethoven, Bach, Chopin... Todos conhecem alguma coisa desses compositores, muito embora não sabem seus nomes, nem quando e onde viveram .
Esses dias encontrei o Notenbüchlein der Anna Magdalena Bach, onde está registrado sob o número 25 do a ária “Bist du bei mir”, que é sem dúvida a mais conhecida do caderno. Nesses últimos dias tenho tocado muito essa ária... Realmente mexeu comigo.
Detalhe, a última alteração no Caderno de Anna Magdalena foi no ano de 1725, e ele ainda é gravado, tocado em récitas, peças de teatro, filmes... Já a turma do Tchan e do Rebolation está perdendo o rebolado até cair completamente na escuridão do esquecimento.
Bem como eu falei da ária 25 do caderno, ai vai um link e a letra, obviamente em alemão, claro! Rsrsrs.
Bist du bei mir, geh ich mit Freuden
Zum Sterben und zu meiner Ruh.
Ach, wie vergnügt wär so mein Ende,
Es drückten deine schönen Hände
Mir die getreuen Augen zu.
http://www.youtube.com/watch?v=-LJRvuZKNy4
N.S.D., 23 de outubro de 2010.
sábado, 22 de maio de 2010
Alguns Espíritos dos Natais
Já deveria ter escrito algo faz algum tempo, mas, por vezes é bom deixar as coisas acalmarem um pouco. Nada como um pouco de paciência para vencermos algumas paixões e submetermos algumas vontades. Não sei bem como começar, mas acho que curiosamente devo começar pelo espírito do natal presente, tendo em vista que sua última visita faz umas duas semanas.
Tudo iniciou nos fins de abril para o início de maio, confesso que eu tive uma série de preconceitos em relação a alguém, e igualmente por confissão digo contritamente que me arrependo. Mas diante de um preconceito, temos uma idéia errônea pré-concebida, mas a questão é quando essa idéia pré-concebida por conta de alguns temores é a mais pura verdade, sem um único laivo sequer. Então o que fazer? Não sei.
Apenas sei, que não sou uma pessoa fácil de se lidar, porém não briguei com os “irakitans”, nada como uma boa analogia musical para fazer uma identificação sem revelar as verdadeiras identidades.
Creio que uma das questões que me levam a divagar em algumas linhas escritas com mão rude é a pusilanimidade do caráter. Então o que adianta ter um pouco de cultura, quando há uma lacuna descomunal como um abismo? Há tão somente duas teorias quanto ao caráter de alguém, vamos a elas:
Prima – O caráter pode mudar com o passar do tempo, assim como alguns valores mudam no decorrer de nossas vidas;
Secunda – o caráter de alguém jamais muda ou se deteriora. É simples, há caráter ou não.
Reservo-me aqui ao direito de não revelar o que penso, porém aos que me conhecem fica indubitavelmente claro qual é a corrente moral-filosófica que sigo.
Quando ouvimos em dado momento “amo-te muito”, isso obriga a outra parte a algo?
Não! Isso e tantas outras coisas não obrigam ninguém a nada, lembro das minhas primeiras aulas de Introdução ao Estudo do Direito, magistralmente ministradas pela Professora Dilsa Mondardo. Ela dizia: “ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão por força de lei”. E como não há e nunca haverá um codex para isso, jamais haverá essa obrigatoriedade.
Então já sabemos que nutrir e exteriorizar sentimentos em a outrem não obriga a uma recíproca, mas, como fica isso em um “flerte” continuado? Algumas coisas indicavam que a coisa ia de vento em popa, já outras tantas não... Porém, dias depois esta criatura de Deus está namorando. Então o que pensar disso? Que no mínimo andava com dois ao mesmo tempo, tendo em vista que não se inicia um namoro da noite para o dia.
Isso demonstra claramente a falta do caráter, vejam bem, é a falta que eu me refiro, e não um simples desvio. Para ter-se o desvio deve-se, antes de mais nada, ter caráter.
Já disse aqui que sinto um enorme pejo do meu preconceito quando a conheci, porém, as conjeturas que fiz eram na verdade fatos que a vida se encarregou de ensinar-me com extrema perfeição. Naquele tempo, resolvi deixar isso de lado, pois comecei a individualizar os indivíduos invés de generalizá-los em uma fossa comum.
Não quero aqui fazer uma apologia aos preconceitos, mas, devemos sempre levar em conta as experiências que já tivemos, e através de uma analogia estudar cada caso.
Se houver entre nossas experiências algo que nos recorde a música “Eu falei que isso ia dar merda” de Cris Nicolotti, é bom abstrair e cantar outra música da mesma cantora...
“♫Vai tomar no cú...♪”.
Não tenho nada contras os “irakitans”, e não vejo nada que empeça o cultivo de uma verdadeira amizade com todos. Mas, fico impressionado com o fato de que quando era conveniente conversavam até madrugada adentro comigo. Realmente curioso.
Recordo-me de um filósofo incompreendido, Arthur Schopenhauer, que na obra “O Mundo como vontade e representação” há no capítulo XLIV, que é a “Metafísica do Amor”, lá consta o seguinte: “Assim que o gozo é obtido, o amante experimenta uma estranha decepção; espanta-se que aquilo que desejou com tanto ardor apenas lhe proporcione um prazer fugaz, seguido de um rápido desencanto, e nada mais”.
Esse gozo é simplesmente um objetivo que por vezes não é uma conjunção carnal. Esse gozo pode ser a obtenção de uma massagem no ego de indivíduo com pouca auto-estima. Sugiro apenas terapia e um pouco de decência.
Já sobre o espírito do natal passado, ele sempre volta de alguma forma para nos assombrar e nos impor mais uns bons passos de nossa via crucis.
Nunca entendi muito bem esses retornos repentinos, e muito menos quando escuto a palavra “saudade”. Só posso dizer que nada impede de se matar as saudades entre duas pessoas em moram na mesma ilha, por isso que essa palavra foi como um punhal enterrado em meus ouvidos. Lamento, mas não sou uma bengala para que alguém se apóie nos momentos de carência. Fico imaginando como isso deve fazer bem ao espírito do natal passado, pois é muito bom desprezar alguém e partir para outra. E esta outra empreitada não dando certo, volta-se como um filho pródigo em busca de apoio, pois saber que alguém lhe estima muito a ponto de tudo perdoar é muito cômodo.
Então quebra a cara e pensa: “ele ainda está lá”. Então um pouco de vergonha na cara e maturidade é o que falta ao espírito no natal passado.
Não podemos jamais dizer que desta água não beberei, mas alguns são como espermatozóides, têm a chance de um em um milhão de um dia tornarem-se seres humanos. Se este momento um dia chegar, poderemos enfim conversar, e apenas isso.
Sem mais.
N.S.D. aos 22 de Maio de 2010.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
2012 e a Definição de Hecatombe
Ontem resolvi assistir o tão comentado filme 2012. Não o assisti antes, pois tenho alguns problemas com cinemas. Em especial que, para mim ficar muito tempo sentado sem movimento me causa muitas dores nas pernas, e sempre termino o filme me arrastando para fora como o Quasímodo de Notre Dame de Paris, de Victor Hugo.
Essa foi sem noção mesmo, mas sem noção foi o suspiro no meio do Cannon de Pachelbel. Quem assistiu o filme Amadeus, sabe da cena onde Mozart toca Salieri e suspira pela facilidade da música. Coisas do Tio Deco mesmo... rsrssr
N.S.D., 05 de Maio de 2010.
domingo, 25 de abril de 2010
Um pouco sobre...
N.S.D., 25 de Abril de 2010.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Sandro e o seu Violão
Nesta jocunda noite o Sandro veio da sua aula de violão falando que no violão com cordas feitas de nylon, os acordes menores são extremamente semelhantes aos maiores.
Já utilizando cordas de aço, a diferença é ululante.
Logo após ele me dizer isso, sentei ao piano e toquei alguns acordes, maiores e menores. Isso só pra saber se ele consegue perceber a diferença entre um e outro.
Toquei um “Dm” (ré menor) e ele me disse: “MAIOR”.
Como a resposta soou de forma dissonante aos meus pobres ouvidos eu toquei em seguida o “D” (Ré Maior). E ele respondeu o seguinte: “ESSE É MAIOR AINDA”.
Ai, como eu sofro.
Não, não, pior é ele cantando na frente de um diapasão digital pra saber que nota é... quando for possível postarei essa pérola no youtube.com.
Aguardem as próximas notas dessa música, antes que eu resolva tocar um phoda-se symphônico dando em cima de sí, sem dó.
NSD. 14 de Abril de 2010, data do naufrágio do RMS Titanic, o que explica muita coisa.
O Afinador de Pianos

domingo, 11 de abril de 2010
Stammtisch in allem, auch regen!
segunda-feira, 1 de março de 2010
Um Imortal
Há exatos dois séculos nascia na cidade de Żelazowa Wola, na Polônia o maior poeta do piano: Chopin.
Frédéric Chopin foi indubitavelmente foi o compositor mais expressivo do período romântico, seus prelúdios, valsas, mazurcas até hoje encantam o mundo e desafiam seus interpretes devido ao nível técnico exigido.
Suas obras são imortais, e nada se iguala a beleza e principalmente a emoção nelas contidas. Chopin parece até sinônimo de amor...
Hoje só nos resta pranteá-lo e admirar sua obra. Quem desejar pode ir ao Cimetiere du Pere Lachaise em Paris e visitar seu túmulo, ou ir a Polônia onde estão a sua máscara mortuária e o molde de suas duas mãos.
Um fato curioso, Chopin tinha medo de ser enterrado vivo, por isso seu coração foi extraído e depositado em uma urna de cristal lacrada que foi guardada em um dos pilares da Igreja da Santa Cruz, em Varsóvia.
Escreverei agora sobre algo que eu infelizmente presenciei. Recordo-me bem dos tempos que eu estava cursando o ensino médio no Instituto Estadual de Educação, e uma “colega” me disse o seguinte (incluindo a pronúncia utilizada por ela):
“Eu não gosto de Freddý Xôpim, pois ninguém canta, só tem ritmo.”
Minha vontade foi de demonstrar o que era ritmo a ela. Segurando por seus longos cabelos, eu deveria bater a cabeça dela contra um teclado de piano em um ritmo frenético de um presto agitato... Assim ela poderia compreender o que é ritmo e o que é uma harmonia celeste.
Nª. Sª. D. 1º de março de 2010.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Os (des)Arranjos do Coral S. Cecília
N.S.D., 04 de Junho de 2009.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
A Música do Silêncio
Gosto da vida assim, nesse silêncio podemos ver o mundo e as pessoas que nos rodeiam. Podemos ver e ouvir o que elas têm a nos dizer, e elas também podem assim nos ouvir melhor. Há também coisas que não necessitam ser ditas, mas sim sentidas, é muito bom quando temos uma pessoa do mesmo nível pra conversar e assim apenas jogar palavras o ar e saber que elas foram compreendidas.
Nada como em meio ao silêncio sepulcral das madrugadas ficar jogando conversa fora com os amigos por horas a fio, isso realmente não tem preço. Outra coisa que também não tem preço e gosto de fazer em meio ao silêncio é ouvir meu compositor favorito, Beethoven. Ponho um LP pra tocar algumas de suas sonatas tais como: “Patética” (1798), “Ao Luar” (1801) e “Appassionata” (1806).
Estas três sonatas falam por si e são dignas de quebrarem o silêncio (de nossos corações). Acho que nem meio ao silêncio que eu tanto aprecio nada deve ocorrer, exceto uma música capaz de elevar nosso espírito, de nos deixar mais leves e libertos de nossas preocupações mundanas. Fora isso prefiro o silêncio absoluto, pois assim só escutaremos os nossos corações.
Desterro, 21 de Maio de 2009.
sábado, 4 de abril de 2009
Credo in Bach

N.S.D., 04 de Abril de 2009.
