quinta-feira, 21 de maio de 2009

A Música do Silêncio

Manhã tão calma, uma tranqüila manhã de outono. Tudo tão sereno, num silêncio que só deveria ser quebrado com um canto gregoriano, este entoando um tríplice aleluia melismático em louvor ao Deus que tudo criou. Esse silêncio obsequioso no centro da cidade deve-se a greve os motoristas e cobradores de ônibus. Quando eles param tudo para, e assim posso desfrutar até do canto dos pássaros sem ter que me desdobrar e tentar deixar de ouvir os ruídos dos carros e das inúmeras pessoas que por aqui passam.

Gosto da vida assim, nesse silêncio podemos ver o mundo e as pessoas que nos rodeiam. Podemos ver e ouvir o que elas têm a nos dizer, e elas também podem assim nos ouvir melhor. Há também coisas que não necessitam ser ditas, mas sim sentidas, é muito bom quando temos uma pessoa do mesmo nível pra conversar e assim apenas jogar palavras o ar e saber que elas foram compreendidas.

Nada como em meio ao silêncio sepulcral das madrugadas ficar jogando conversa fora com os amigos por horas a fio, isso realmente não tem preço. Outra coisa que também não tem preço e gosto de fazer em meio ao silêncio é ouvir meu compositor favorito, Beethoven. Ponho um LP pra tocar algumas de suas sonatas tais como: “Patética” (1798), “Ao Luar” (1801) e “Appassionata” (1806).

Estas três sonatas falam por si e são dignas de quebrarem o silêncio (de nossos corações). Acho que nem meio ao silêncio que eu tanto aprecio nada deve ocorrer, exceto uma música capaz de elevar nosso espírito, de nos deixar mais leves e libertos de nossas preocupações mundanas. Fora isso prefiro o silêncio absoluto, pois assim só escutaremos os nossos corações.


Desterro, 21 de Maio de 2009.

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