terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Ensaio da Pedra

N.S.D., 10 de dezembro de 2013.

       Sinceridade. Não sei ao certo a origem desta palavra, uma vez que etimologicamente falando há algumas versões para ela. Há a corrente que afirma que a palavra tem origem na palavra latina Sincerus, que seria algo como “limpo”, “puro”, “sem nódoa”. Já a etimologia popular é um pouco mais interessante com sua historieta, que é a seguinte:

       Na Roma antiga, os talhadores inescrupulosos (veja bem, simples talhadores e não construtores) utilizavam peças de mármore de má qualidade, tais pedras possuíam as mais diversas imperfeições, rachaduras e laivos. Que eram descaradamente cobertos com cera. Aí surge o busto de carrara (e não a cara escarrada) com máscaras. Então uma boa pedra, devidamente polida era sine cera, ou seja, sincera, honesta.

       Penso numa justa analogia com os muito polidos e os que ficam em caráter ad æternum. Esses polimentos “dito perfeitos” que são na realidade nada mais que uma maquiagem barata, pois, à luz do astro vivificador esse polimento e pompa se vão como as asas de Ícaro.

       Logo, tais pedras não servem como pedras de tropeço, e não como pedras construtivas, uma vez que essa última mesmo que seja de difícil burilamento são as que mais apresentam força e vigor para o ofício da construção.

       É assim que podemos distinguir as pedras bem como pessoas.  E nesta análise ao expormos um causo podemos ver o tipo de cera empregado. Nas mais diversas expressões que ouvimos encontramos três que são mais recorrentes:

I – O que escuta e aconselha, conforme suas vivências;
II – O que faz pequenas ponderações se o causo fosse seu;
III – O que simplesmente te julga.

       Cuidado com a cera, Ícaro, pois com a luz verdade e a figura implacável do tempo só vem a derreter e nos mostrar as nódoas de tua face, de teu caráter.
Devemos então, na medida do possível, escolher bem a pedra. Uma má pedra, é perda de tempo!


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Voltando ao Blog e Divagando

Pois! Passei muito tempo sem escrever no meu terapêutico bloguinho... mas desejo ir retomando o hábito da escrita para o blog. Nunca deixei de escrever, e sempre à mão, mas nada digno de nota. Vamos ao que importa: divagar!

Esses dias eu estava divagando sobre vários assuntos, como sempre faço, e me veio uma triste realidade a mente: mesmo detestando o direito e a faculdade, tenho um lado de advogado bem marcante na minha personalidade, pois gosto de convencer as pessoas daquilo que eu não acredito. Não faço isso com credos, pois já acho o meu muito complicado, e a bíblia por si só já é uma caixinha de surpresas “pandorísticas”.

Outra divagação se deu depois de uma olhada em um livro de 1873, do Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Arcebispo da Bahia e Conde de S. Salvador, juntamente com o Reverendíssimo Senhor Bispo do Pará (quanta pompa!) discorrendo sobre a questão religiosa no Segundo Reinado. Quem estudou história sabe do que falo, sabe de toda a confusão que houve na época. Mas a questão religiosa aqui só serve de pano de fundo...

Eu disse: “quem estudou história...”, e eu pergunto agora: quem estudou isso na escola? Não é de hoje que o governo se preocupa mais com brigas do que com a educação... a saúde... e o bem-estar do povo.

E a escola tem uma estrutura confusa no que diz respeito ao ensino. Na história é um desastre, estuda-se tudo por alto! Sei que não se tem tempo para tudo, mas por exemplo: eu não tive nada sobre a Guerra do Contestado na escola, e esse tema tem tudo a ver com a terra onde nasci e onde eu estudei. Na geografia Brasil é por alto também, fico pensando quantos sabem dizer os nomes de todas as Unidades Federativas. Mas se fala da savana e ai tem quem se lembre do Pumba!

Na física, não digo que é inútil, mas pensa na praticidade de se saber tudo sobre movimento retilíneo ou força centrípeta. Na educação física é só dar a bola para os alunos. Na química, recordo uma ocasião em que eu conversava com um professor, e eu disse que deveríamos reduzir um pouco as exatas e focar em humanas. Pra quê eu fui dizer isso? Para ele esbravejar e me perguntar: “tu nunca fez um pão e usou fermento?” Mas, nem sabe esse douto catedrático que o pão usa fermento biológico, e não químico.

Na matemática são os cálculos estranhos, como progressões aritméticas e geometria espacial! Nada como saber quanto de água cabe num cilindro, cone, icosaedro, dodecaedro, cubo, incubo e súcubo... só pra phoder com você.

O que eu quero dizer é que tem que se dar mais atenção ao aluno. Não estou por outro lado dizendo que não teremos mais matemática, química e física, mas deveríamos ter noções gerais sobre essas três matérias, e o aluno que demonstrar mais interesse pode complementar seus estudos nessa área.  Não conhecemos a própria terra, não sabemos cantar seu hino, somos desleixados com a própria língua.

No fim das contas, das nossas escolas, saem doutores em matemática, física e química, todos fluentes em inglês... A culpa não é do professor, mas o governo e do povo.


Mas, na República de Bananas é tudo uma zona. 


N.D.E., 12 de Agosto de 2013.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Exorcismo e Limpeza

      Rito do Exorcismo Maior completo! Como é bom, sentir-se leve! Nem os fortes entenderão o que eu estou escrevendo nessas tão mal escritas linhas! Deixa quieto como dizem. É um divisor de águas, que dividiu e o destino foi feliz em sua escolha. Assim como fui igualmente feliz ficar um tempo em casa, digerindo um pouco alguns cravos de ferro e depois de quase um ano e meio, voltei às plagas do norte. Claro, é verdade, muitas lembranças me vieram à mente, inicialmente como fantasmas, ou melhor, demônios, que miraculosamente se dissiparam como fumaça ao sabor de uma brisa de verão.



     Depois, de tudo passado resolvi andar mais uma vez pela vieux ville, muito mudou em pouco tempo... afinal, esta cidade difere das outras por parecer sempre viva. Lembrei de alguns alten kameraden, mas, alguns há uma década que não os vejo... Mas a essa conjuntura é complicado revê-los. É desgostoso, desditoso que o tempo arquitete isso, porém, há sempre algo místico, mágico nessa estranha peculiaridade que ele possui: ser implacável em apagar tudo. Ele sabe o que faz. Assim, deixei o sol entrar nos cômodos e purificar o que carecia de limpeza.



      Ao entrar pela casa, lembrei de muita coisa, porém, essas lembranças foram subitamente extirpadas da minha memória. Fica o que é bom, e se foi o que não deveria ser recordado. Enfim, em casa novamente.

Desterro, 04 de Janeiro de 2014.