sábado, 31 de julho de 2010

Duas Noites no TAC

Depois da fila do banheiro nas catacumbas, e ainda em meio ao tédio plus ultra, resolvi ir ao Teatro Álvaro de Carvalho (TAC). Em duas noites assisti a Orquestra Sinfônica de Santa Catarina a Abertura Egmont, Opus 84; Concerto para Piano e Orquestra Nº 5 Opus 73 (Imperador), e a 8ª Sinfonia em Fá, Opus 93.
A Abertura Egmont nos mostra bem o estilo Beethoviano pode fazer com o ouvinte: passar inúmeras sensações, seus primeiros acordes nos remetem a um compositor irascível, colérico e ao mesmo tempo brincalhão.
O Concerto Imperador e a Sinfonia seguem a mesma linha, do schzero ao explosivo.
Mas o que mais impressiona é a falta de cultura e má educação de alguns expectadores, vídeos, fotos, aplausos fora de hora e é claro, sempre tem alguém descascando uma balinha.
Bem, lamentável, é só o que posso dizer, além do desrespeito aos músicos bem como aos outros expectadores.
No dia seguinte, 29 de julho, foi a noite de Gala Lírica com um repertório muito variado, indo do popular “’Balaio” de Villa Lobos e “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso e as líricas como os coros das grandes óperas como “Nabuco” e “Il Trovatore” ambas de Verdi.
Nessa noite além de uma expectadora ficar acenando insistentemente ao maestro, eu tive meu programa comido por uma criança, cai na besteira de deixá-lo na cadeira ao lado que estava vaga e ela o comeu. Acho que isso se chama “fóliofagia”, ou seria “papirofagia”, bem não sei. Ai quando eu resmungo e digo que lugar de criança não é num teatro numa noite lírica, e sim num reformatório, eu sou chamado misantropo pra baixo. Para não dizerem que sou ruim, espero que a tinta do programa não seja tóxica.
Outra coisa que me chamou a atenção foram as pessoas sentadas no chão, mesmo sendo um pouco selvagens elas sabem que a música bem como uma orquestra possuem grande valor. Já é um começo...
Por fim, devo parabenizar o Maestro José Nilo Valle pelo seu brilhante trabalho na OSSCA o no Coro Lírico, realmente formidável.

N.S.D., 31 de Julho de 2010.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Carpe Noctem

Em meio ao tédio descomunal, passo mais uma noite em claro, a coisa só não é pior, pois desta vez não escrevo sobre os mortos na fila do banheiro em Palermo... Nesse clima tétrico fiquei absorto em algumas conversas e em alguns livros. Folheando um livro cujo título prefiro ignorar (ou não comentar) deparo-me com a seguinte história:
Uma vila em Avignon onde havia um convento carmelita denominado Saint-Hilaire, assentado no cimo de uma montanha, onde mesmo para as cabras era difícil de pastar; esse pequeno sítio onde se localizava tal convento de carmelitas, segundo o livro era como a cloaca de todas as comunidades vizinhas. De imediato junto as gargalhadas (que somente são possíveis lendo o texto integral) lembrei-me do aglomerado de vilarejos de Susan Boyle o que me faz rir mais ainda pela madrugada afora.
Como estava lendo em voz alta ouvi o seguinte comentário:
“Qual será a comunidade-cloaca da região? Biguaçú ou Palhoça? Sim, pois decidir isso vai ser um pário que vo ti pariu”. Kkkkkkkk
Tal comentário não saiu da caixa de Pandora, e sim da cloaca de Pandora... O que não faz a velha Quilmes, se bem que eu achei que a Quilmes era mais leve que a Diabólica 6,66.
Imagino eu, que muitos não hão de encontrar graça neste desdito comentário, porém, às 4 da manhã foi realmente impagável, nem máster card paga algo destas proporções.
Outro comentário pra lá de hilariante foi quando remexíamos em uma das pilhas de livros que estava a cair:
“Ahhh! Esta desmoronando! Parece o Morro do Bumba”. Kkkk
E para fechar a noite, nada como ver Jean Baptiste Lully acertando o próprio pé com o rolo de condução durante a execução do Te Deum Du Roi. Vejam o trecho do filme: http://www.youtube.com/watch?v=mkMMNq7r2Zo
Enfim, são essas pequenas coisas que deixam a vida menos desditosa.

Desterro, 27 de Julho de 2010.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Palermo - Onde os mortos nunca dormem...

E o que não faz o tédio aliado com o ócio com um Çay e uns narguiles, claro...
Duas fotos muito curiosas, tiradas nas Catacumbas de Palermo. Com as fotos seguem os comentários segundo Karla Sommariva e Narguileiro.
Fila do banheiro em Palermo, e derrepente um deles grita: "lá vem o Vesúvio!" E olha que a lava vem de longe, mesmo assim o velho vulcão não perdeu a sua potência e eficiência em mumificá-los. Detalhe no mapa: a rota do vulcão! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...
No mais, vejam o que o Google recomenda: ir de Nápolis até Palermo a nado, como é excruciante sem calçadas! kkkkkkkkk... Vou iniciar um abaixo-assinado para aterrar e calçar a rota do Vesúvio mar a fora. Pois não dá, demora muito fazer esse pequeno percurso em 7h e 21 min.

Por fim, a última foto:

Uma múmia pergunta a outra: "Heiiin?! De quem ele estava falando mal? Sabe como é a idade, ficamos meio surdos...".
No mais, use o campo "comentar" para dar a sua opinião de como eles morreram.
:p

NB.: O objetivo aqui é a pura descontração, e não o desrespeito. Caso alguém se sinta ofendido, peço desculpas. 

Desterro, 22 de Julho de 2010.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Pensamentos Cristalinos de Oscar Wilde

Não há outro pecado além da estupidez.
Quando um homem ama verdadeiramente, é porque é a primeira vez que ama.
Não deixe de perdoar os seus inimigos - nada os aborrece tanto.
Há sempre algo de ridículo nas emoções da pessoa que se deixou de amar.
As nossas tragédias são sempre de uma profunda banalidade para os outros.
Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.
Nunca viajo sem o meu diário. É preciso ter sempre algo extraordinário para ler no comboio.
O amor é quando começamos por nos enganar a nós próprios e acabamos por enganar a outra pessoa.
Os pequenos atos de cada dia fazem ou desfazem o caráter.
É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas.
O mundo pode ser um palco. Mas o elenco é um horror.
Não peca quem peca por amor.
Os loucos as vezes se curam,
Os imbecis nunca.
Tenho gostos extremamente simples: somente o melhor me satisfaz.
Devem-se escolher os inimigos pela inteligência.
O diabo é muito otimista se pensa que pode piorar os homens.
Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.

Desterro, 21 de Julho de 2010.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Livros Emprestados


Lendo o livro "Coração de Tinta" me deparei com uma curiosa inscrição em uma biblioteca:
“Que aquele que rouba livros ou não devolve livros emprestados tenha o livro em sua mão transformado numa serpente voraz. Que ele sofra um ataque apopléctico que paralise todos os seus membros. Que, aos gritos e gemidos, implore por piedade, e seu tormento não seja mitigado até que entre em estado de putrefação. Que as traças corroam suas entranhas como o verme que nunca morre. E que no dia do juízo final seja condenado a arder para sempre no fogo do inferno.” Inscrição na biblioteca do Mosteiro de São Pedro, em Barcelona, citada por Alberto Manguel.

Livros são importantes, e devemos ter respeito por eles, e pelos donos também.

N.S.D., 06 de Julho de 2010.

domingo, 4 de julho de 2010

Um diálogo inusitado

Ontem em uma festa junina do Coral S. Cecília fiquei conversando com dois amigos.
Papo vai e vem e chegamos ao seguinte tema: bebidas. E um deles (sei lá por que cargas d’água) disse:
- Eu já tomei um litro de Absolut e fiquei em pezinho
E meu outro amigo ouvindo tal declaração não pestanejou em dizer:
- Estaquiado, né nego! Se desse em peteleco tu tombava!
Rsrsrs... Realmente, nada como uma resposta espirituosa, e no mais, depois de um litro de vodka não há como ficar “em pezinho”.
Com essa ganhei o dia, vou guardar essa para as minhas pérolas.

N.S.D., 04 de Julho de 2010.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Hecatombe de Viver sem Internet

Hoje parei em frente a minha máquina de escrever de luxo (meu PC capenga) com um bule de chá ao lado e pensei em escrever sobre algo muito empolgante: nada! Nada me vem à mente. Acho que estou diante de uma crise produtiva, só pode. E para ajudar estou completamente incomunicável, por isso meu PC capenga hoje é apenas uma máquina de escrever de luxo... Bem, acho que vou começar pelo o que fiz hoje.

Continuei a ler um livro Fé, Verdade, Tolerância, do então Cardeal J. Ratzinger, fumei uns bons narguiles, toquei piano, passei no livreiro, mas mesmo assim, sem internet, telefone e crédito para o meu telemóvel vitaminado não dá. Parece que a vida não “funca” sem as bênçãos do mundo moderno.

A coisa está tão feia que pensei em ler mais uma vez os Broquéis e Faróis de Cruz e Souza... Bem, ao menos Antífona eu já devo saber de cor...

Errrr... Esse apagão internetesco está me consumindo! Aliás, é isso que parece mesmo, um apagão, como o que vive uns anos atrás aqui em Notre-Dame d’Exil. Recordo-me que foi um verdadeiro abapurú, sem energia elétrica, sem telefone (dádivas da NET), um calor ad infernos, a minha sorte foi um piano e um gramofone com uns discos de baquelite.

Graças ao bom Deus que aqui não tem o tal de “Gospel Moderno” (sei lá o que raios é isso, acho que a Raquel pode nos esclarecer) rsrs. Como também não sei como a vil escumalha populacional consegue ouvir esse tipo de som, tão típico dos aborígines. Como diria Caio Barbosa: “meu lado brega escuta Salieri”.

Munido desses aparatos de tecnologia dos séculos XVIII e XIX (coisa de ultima geração) fiz quase uma rave, mas como não tinha eletricidade para a luz estroboscópica, tive então que me valer de alguns girandóles com velas. Tudo bem que nos habituamos com essas modernidades, mas fico pensando como as pessoas no passado faziam para se divertir. Literatura, saraus, música, jogos de todo tipo.

Desses jogos os meus favoritos são: o xadrez e aquele do papel colado na testa e tem que se adivinhar quem sou eu. Realmente não sei o nome desse jogo, mas sei que é bem antigo. Acho que qualquer hora dessas eu vou jogar brigde ou gamão, frente à impossibilidade ir até a Barra da Lagoa para jogar criket. Bem sei que seria uma tragi-tragédia britânica, mas ao menos posso passar o meu tempo com alguma dignidade e de uma forma um tanto quanto hedonista.

Acho que o tédio está grande mesmo, pois, pensei em por taxinhas na marteleira do piano, e na falta destas, pins de lapela me foram muito úteis. E de forma incauta, porém impávida acabei colocando... Nada como um cravo fake em casa, tendo em vista que trazer um neupert da Alemanha se custaria os tubos, aliás, as cordas, e para por no pescoço mesmo.

Assim a vida segue com seu ar vitoriano com um toque barroco, acompanhada pelo borbulhar dos narguiles e pelo conforto de uma xícara e outra de twinings.

Sem mais,

NDE, 1° de julho de 2010.