quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Mais uma por ai...
Hoje em uma esplêndida aula da décima fase da direito, acabei por divagar mentalmente sobre os suicídios de Émile Durkheim. Suicídio é realmente algo fascinante uma vez que a prima vista, temos um corpo que pode ser detalhadamente estudado, (por vezes um pouco de tanatopraxia se fazer necessária) e em um segundo momento o que levou a morte em si.
Enquanto divagava comigo mesmo, acabei passando por algumas páginas da internet e acabei caindo em uma página onde li o seguinte: "Quando Deus pensou em criar a humanidade, disse: vou ali cagar e já volto". Então, resolvi mudar o foco desta postagem.
Após esta publicação, houve uma intensa chuva torrencial nos comentários condenando das mais variadas formas. Bem, tudo bem, é um tanto pesado, mas, cada um tem suas preferências e ao que parece aquela frase quem dizem que é de autoria de Luiz Fernando Veríssimo é uma grande verdade. Eis a frase: "As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas".
Tenho inúmeras opiniões sobre os mais diversos temas, e procuro sempre ponderar e não argumentar dizendo isso ou aquilo, muito menos dizendo que é pecado. Se Deus nos criou a sua imagem e semelhança, como estava escrito em um comentário, então, semelhante é é apenas parecidos. E isso na visão religiosa, só isso. Claro que se alguém não gostou, tem sim o direito de se manisfestar, mas não ficar empurrando goela abaixo que é pecado, que sente pena de quem postou a tal frase.
Nosso Estado é laico, ou ao menos se auto-denomina assim, mesmo quando a Suprema Carta é promulgada sob a proteção de Deus, ou quando o STF ou outros órgãos governamentais ostentam em suas paredes um magnífico crucifixo.
Sempre fui contra, não por que a cruz é cristã, mas pelo fato de que entre os cristãos ela é tira como sagrada, e assim sendo, creio que não é lugar para ela. O Santo Ofício muito matou em nome Dele, então, acho que é hipocrisia pregar o não-matar, por exemplo.
Porém, a hipocrisia não é minha, mesmo sendo católico, não sou assim. Ninguém deve ter pensado que quem pode ter escrito isso era um ateu, ou alguém que estava desgostoso com alguma coisa. Também não passa pelas cabeças pequenas que isso é humor, negro, mas humor. Quem não gostou da piada pode gostar de uma piada contra os ateus, ou contra os argentinos... e então, como fica isso? Não fica, pois, ma deturpada mente de alguns, eles são sempre, mas sempre certos. Será que alguns são detentores da verdade absoluta?
Outra postagem que me chamou a atenção em uma rede social era mais ou menos assim: "o que você acharia se ao invés de uma bancada evangélica, fosse uma bancada umbandista tentando aprovar as leis do ponto de vista deles?" Cada um que tire suas conclusões. Mas, vejo que uns são mais tolerantes com as diferenças do que outros que vivem pregando uma coisa, e fazendo e dizendo outras.
Tolerância é a chave.
N.S.D., 10 de Outubro de 2012.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Amizades
Pensei em deixar essa crônica de lado, e deixar a vida seguir. Contudo, novos fatos ocorreram neste final de semana do feriado da Independência.
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Estava pensando em divagar sobre a amizade ou coisa do tipo.
Sábado anoite (01/09), e um narguile com o meu famigerado extrato da maldade. Ou seria verdade? Mein lieb schwarz cola já regou alguns dos meus laivos de sanidade, enquando isso a agulha de metal extrai do baquelite as notas de Lili Marleen. Sim, música da primeira Grande Guerra. Guerra... Sempre tive a convicção de que isso é a maior estupidez humana. Mas a amizade também pode ser. Segundo o adagiário popular: "Deus me defenda dos amigos, pois dos inimigos me defendo eu". Detalhe: como a coca é zero, nada de álcool. Logo estou estupidamente sóbrio. Assim sendo, já vou diantando que sou adepto da filosofia de Deus: ou você me ama (no sentido ágape), ou vai por inferno!
Está a cada dia mais excruciante aturar esse tormento chamado amigos. Já que o tema pode ser amplo, resolvi consultar um dicionário lusitano, afinal, portuguezes sabem bem ser literais. Amizade: n. f. 1 - afeição, afeto, bem-querer, benquerança, dileção, estima, dedidação, desvelo, ternura, carinho, amor, favor, graça, apego, simpatia, predileção, atração, inclinação, benevolência. 2 - acordo, aliança, ligação, união. 3 - camaradagem, companheirismo, cumplicidade, comadrio. 4 - cordialidade, familiaridade.
Será que muitos, que figuram resplancecentes no meu rol de amizades do facebook são mesmo amigos verdadeiros? Ousaria fazer uma lista com dez, só não os numerarei para não correr o risco de ser eventualmente injusto. Agora, se você não está bem, e um amigo se importa, você deve prontamente atende-lo, caso contrário não passa de drama, charme, pirraça mesmo. Fazer o que, as pessoas gostam mesmo de teatro e incenso.
Outras, simplismente, somem, sem dar satisfação, afinal, você não é útil para elas naquele momento. Mas tenha meu leitor, certeza de uma coisa, quando elas necessitarem de algo bem específico, elas vão lembrar que você existe e vão reaparecer como um passe de mágica no seu talk, no seu celular, email, mural do facebook... ou mesmo na sua porta. Tudo isso para ir logo pedindo um favor.
É nessas horas que me falta presença de espírito para tocar um "phoda-se symphônico sem dó em cima de si" e vociferar entre os dentes "que diabos você quer de mim agora?" Ou aquele velho bolero que cantava uma personagem de Caio Fernando Abreu: "que queres tu de mim?"
Tenho esse defeito incorrigível de ser coração mole mesmo sendo um mal-humorado nato, e acabo acolhendo a "infeliz" criatura, quando na verdade deveria enxotá-la feito um cão leproso de minha porta. Uma pessoa assim é um nojo. Hoje, falando sozinho sobre isso, soltei em alto e bom som algo que fiquei rindo comigo mesmo: "Pai, matai-as, pois elas sabem o que fazem." Sim, as pessoas para mim tem a mais plena e divina consciência de que só aparecem novamente quando querem algo. Como cantaria Cris Nicolotti "vai tomar no c*!"
Outra muito interessante vem do adagiário popular (livro que não me farto de ler), é o seguinte: "amigo de mesa, não é firmeza." E quantos são assim? Desses ao longo dos anos fui conhecendo o âmago de cada um. Uma horda de imprestáveis mesmo. Aláis, fiat justitia, esses, dotados de um farisianismo ímpar servem mesmo é de mau exemplo e são muito caras de pau. Se ralar a cara de uns, vai sair um excelente lote de óleo de peroba!
Parece até uma lei do universo, quando você está bem, há muitos amigos a sua volta! Já quando você não esté bem, parece que eles o evitam de propósito. Propósito... Alguns definitivamente não compreendem que na vida tudo em sua razão, seu propósito.
Mas tudo isso meremete à Parábola do Filho Pródigo. Enquanto ele tinha dinheiro oriundo da antecipação de sua legítima, ele vivia rodeado de infindos amigos; contudo, quando ele viu-se completamente desprovido do vil metal, todos sumiram. Com o passar dos séculos, alguma coisa nessa história mudou, ou melhor, foi acrescentada. Hoje, os amigos somem por não te acharem mais interessante, ou por terem coisas melhores para fazer. Bem, coisas da vida e do nosso globalizado e capitalista planeta. Mas quando necessitarem...
Porém, amigo que se preza não vai lembrar de você somente naquele momento que necessita de algo. Foi o que me ocorreu semana passada. Eu estava um dia anoite conversando com uma amiga e comentando o então rascunho do que vos escrevo, e fiquei pensando nessas amizades. Curiosamente no dia seguinte, meu telefone toca pela manhã, olho para o identificador, penso dez vezes, mas, resolvi atender. E advinhem o que era? Afinal, como já tive que ouvir "as pessoas desmerecem sua amizade", mas são elas que desmerecem, e não eu. O que vale lembrar aqui é que há muito essa pessoa não falava mais comigo.
Vou continuar tratando como sempre tratei (ou não tão bem para não ficar abusando da minha quase inexistente paciência), mas vou ser como todos os membros dessa vil sociedade. Porém, com um diferêncial, não vou ser falso tão pouco hipócrita, mas vou me afastando e se perguntar o que não deve, vai ouvir o que não quer.
No fundo, quem fica chateado sou eu, afinal, ninguém mais se importa com ninguém hoje. Tão pouco com uma amizade que parecia prosperar.
Ah, mais uma coisa que me deixa profundamente irritado é: marque um compromisso comigo e não apareça e tão pouco dê explicações. Mas, em breve farei isso. Deve ser tão bom quanto brincar com as pessoas, com os sentimentos, dos outros. Bem, veja meu caro leitor! Deve mesmo ser algo muito saboroso, um néctar que não encontramos nem no Nivana, Céu, Campos Elíseos, Valhalla ou Olimpo. Caso não fosse, então alguém me responda o motivo pelo qual uma pessoa brinca com a outra? Só pode ser bom mesmo! Assim como não compreendo o motivo pelo qual um juiz sempre ganhou absurdamente bem! Afinal, tem tanta gente julgando de graça por aí.
Ao que consta, Ernesto Rafael Guevara de la Serna também discorreu, mesmo que brevemente sobre tais amizades. Quem quiser, que procure.
N.D.E. 12 de setembro de 2.012.
Post Scriptum: Como li em uma rede social, não adianta o mundo se ofender com uma indireta. Se ofendeu? Sim? Então o barrete lhe serviu muito bem. E não é um barrete qualquer, é aquele infame, vermelho e frígio barrete. Ná próxima, serei direto com a qualificação completa: Nome, naturalidade, estado civil, residente e domiciliado(a) a rua, inscrito(a) no Cadastro de Pessoas Físicas sob o número, portador(a) do RG número... Para alguns só desenhando mesmo! Kkk.
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Um Sonho
Muito complicado. Ainda não sei bem o que estou sentindo. Muita coisa está escapando com muita facilidade à minha percepção... A ficha não caiu ainda.
Nesta noite, sonhei com minha primeira sogra. Sempre me dei muito bem com ela, e com todas diga-se de passagem. Por vezes falei que eu deveria ter casado com a sogra, isso sim.
Nunca a vi como uma hábil serpente, repleta de ardis e outras tantas insídias que tanto ouvimos por ai de acordo com a vox populi. Mas ao que parece, ela também erra.
Hoje, na primeira oportunidade que o dia me deu, consegui falar com a minha ex, e comentei do tal sonho estranho e perguntei por sua mãe. Soube que estava muito bem diga-se de passagem, porém, nesta noite, enquanto eu sonhava, fazia sete dias que meu sogro tinha se passado.
Quem me conhece, sabe que não sou de inventar algo assim, tão pouco para escrever isso, sou um péssimo escritor. Como mesmo digo: "sou músico, não escritor".
Ainda estou perplexo, sem entender nada, assim como minha mãe, que é muito espiritualizada e imagino que ela saiba o que eu estou passando. Mesmo depois de anos, só posso pensar numa coisa: que estranho vínculo é esse que persiste ao tempo?
Por fim, requiescant in pace homo. Pois sem você, eu não saberia, mesmo que efemeramente o que é a felicidade plena.
Sem mais.
Nossa Senhora do Desterro, 05 de Setembro de 2012.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
12 de Junho
Pensei em escrever sobre o ontem, mas não tenho nada para relatar, contudo revirando muita coisa por ai, encontrei algo do Caio Fernando Abreu que achei muito interessante; eis a transcrição:
“Do que adianta namorar, se for pra trair? Do que adianta aparência, se não houver caráter? Do que adianta um sorriso se for falso?”
Simplesmente sensacional! Essas duas míseras linhas sintetizam bem como é o ser humano hoje: leal como uma serpente, carinhoso como um rinoceronte, bondoso como um demônio e mais caráter e retidão, dos políticos, claro.
Esperado por muitos, e odiado por uma horda de solteiros. Uma coisa eu tenho que admitir no que diz respeito ao 12 de junho: “é muito casal fingindo que se ama, e muito solteiro apaixonado”. Essa pérola eu devo ter lido em alguma rede social, porém, é a mais pura verdade. Hoje as pessoas não querem nada mais sério, hoje se quer ser feliz a todo pano, porém, ninguém, há muito mesmo, que não pensa mais em fazer alguém feliz e assim ser feliz. Será que dentre os escassos leitores desse blog alguém consegue mensurar o que é isso? Pois eu já me sinto como o último humano da terra.
Pessoas são complicadas demais, e ao que parece gostam mesmo de complicar. Fita-me descaradamente quando conversa com outra pessoa... Fico me perguntando o real motivo disso. Outra, fica com um sorriso lindo quando estou por perto, mas, ao que parece prefere viver nas trevas.
Ao longo dos anos tive algumas ideias quanto a isso tudo: sempre vi o amor como minha religião, o corpo o altar, e a fidelidade um dogma; contudo hoje só tenho nostalgia ao recordar o velho passado. Em nome desta nostalgia acabei por cunhar a seguinte frase: “Sabe quando você é feliz quando ninguém notou que você existe?”
Hoje, diante de tamanho farisaísmo das pessoas temos que aprender a nos esquivar dos inescrupulosos e saber discernir entre um sentimento impoluto e as morbígeras concupiscências que pelejam contra a humanidade.
E assim a vida segue... em mais um 12/06, onde pergunto: "é você satanás?".
Desterro, 13 de Junho de 2012.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
A Educação nas Terras de Vera Cruz
Für meinen Bruder und Lehrer.
Muito refleti, e não posso me
furtar de discorrer sobre o que eu disse para um seleto grupo em um almoço. As
palavras que proferi foram que não deveria ter matemática, física e química
como temos hoje em nossas escolas. Meu irmão que é professor de química só não
se valeu da autotutela por ser meu irmão. Ele questionou-me “tu nunca fizeste
um pão?” Respondo, sim, e estava muito bom, e lamentavelmente você não estava
aqui para prová-lo... uma pena. No mais, se eu não estou enganado, usa-se
fermento biológico (vivo) para o pão e químico para o bolo Porém não acho que seja necessário sabermos
que a reação química do fermento em contato com a massa causa uma reação
química e por consequência faz a massa crescer. Eu sei que a massa cresce e o
pão fica bom, para mim basta. Para muitos basta. Não digo que não seja
importante saber isso, cultura não ocupa espaço, e nunca ocupará.
Questionaram-me sobre quem, por
exemplo, quiser ser engenheiro, penso que além de boas noções sobre as cadeiras
supracitadas, penso que se devem ensinar boas noções de matemática, física e
química. Dos três anos do ensino médio, um deveria ser cientifico, já os outros
anos, deveriam ser línguas, ética, moral, bons costumes, filosofia, sociologia
etc.. Onde está a “educação moral e cívica”? Penso que o ensino religioso
também seria válido, uma vez que não fazendo apologias a um credo ou outro,
muitos se esquecem do “não matarás”, “não roubarás”, “honrarás pai e pai”, “não
cobiçarás a mulher do próximo”, e tantos outros que podemos elencar em uma
infinda lista. Na conclusão do triênio estudantil deve-se aplicar um exame
vocacional para que o educando possa melhor definir a sua trajetória acadêmica.
À exceção de poucas áreas
específicas, quem aplica a fórmula de Báskara? Ou quantos elétrons o
importantíssimo gás oxigênio tem na sua camada de valência? Ou como é que
calculamos que um veículo em movimento retilíneo uniforme de 29 metros por
segundo leva para colidir com uma barreira que fica há 10 km do ponto inicial
da corrida? Os educando hoje não passam de uma horda de verdadeiros apedeutas
que não dominam sequer o vernáculo. O circo está pleno na hora de fazer cumprir
a Lei n. 12.031/2009 que altera a Lei 5.700/71 e obriga as escolas de ensino
fundamental a cantarem o Hino Nacional uma vez por semana.
Antes, os alunos iam para as
escolas com educação, respeitavam o corpo docente e lá adquiriam cultura; hoje,
temos alunos sem educação alguma, um desrespeito total e pleno a tudo. Hoje o
professor deve ensinar só cultura como história, química, geografia,
matemática, física, biologia para selvagens. O professor hoje além de tudo tem
que ser psicólogo para lidar com as instabilidades inclusive emocionais de seus
alunos. Por vezes reflito nas palavras de João da Ega (Os Maias de Eça de
Queiroz) “a ignorância triunfou neste pais”. Eu apenas discordo, pois muitos
nessa grande gleba que é o Brasil ainda se esforçam para mudar este deprimente
cenário.
Não sei mais o que dizer.
N.D.E., 24 de maio de 2012.
domingo, 8 de abril de 2012
O Eu Lírico
“Diante das bruxuleantes chamas, o tempo se esvai entanto a dura pena corre com urgência o velho pergaminho... Em uma taça de prata, a água, e noutra de cristal, o vinho, tão diferentes e tão distantes... não se misturam... e ao lado, como um mero expectador na plateia, o velho diário, sempre implacável na sua rigidez férrea de não esquecer as mágoas de um coração turgido pela dor.”
Andy Schweitzer
Desterro, 08 de Março, Domingo da Ressurreição – 2012.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Tédio e Chuva
Um dia de chuva numa sala de aula, o tédio me consome as entranhas e minha alma. Tudo bem que o “pobre” professor se esforça. Não vamos ser hipócritas, eu pago as mensalidades e não é pouco, então pobre não cabe aqui. Mas bem, mesmo assim isso não vai me perturbar tão pouco me deter de escrever algumas poucas linhas.
Meu tédio. Grande tédio, certa vez eu li (acho que foi num livro do Jim Dratfild) a seguinte expressão: “tédio: o desejo de ter desejos”. E acho que é mais ou menos isso, porém tenho lá meus desejos nessa nefasta noite de tediosa e estupidificante aula com um monte de cálculos inúteis... Mas em meio o tédio e a loucura, ainda tenho desejos. Desejaria então tantas coisas, algumas deveras necessárias, como uma cama e uma boa soneca; um jantar decente. Um pouco de frio iria muito bem, com chocolate quente, claro. E como diria Caio Fernando Abreu: talvez eu precise de féria, um porre e um novo amor. Ou tudo, exceto números!
Quanto vou sonhando, e ele vai falando do IPVA... Bem, não tenho carro, logo não tenho que me preocupar com isso...srsrsr. A vida por vezes se torna tão excruciante e maçante que simplesmente vegetamos em uma desconfortável cadeira.
Fico então assim, vagando pela minha própria mente, pensando por vezes em um pouco de fumaça narguilística, um café... uma boa companhia...
Tenho um neozine estrategicamente guardado na minha valise “em caso de aula entediante: tome o vidro”. Kkkkk. Desculpem, mas esse é o único meio de não surtar aqui hoje, sou seja, rindo da minha própria desgraça. Queria mesmo cozinhar com os Genoveses, dizer porcarias com a Sommariva (cadê o Rakin?), viajar comparar educadores, como Piaget e Tio Deco com a Proleta Araucária... todos me são muitos caros.
Epa! E no meio da aula ele vai falando dos tributos que os templos religiosos não pagam. Depois de inúmeras comparações, e com a turma rindo ele pergunta: do que vocês estão rindo? Já sei, vocês já descobriram que é mais lucrativo ter uma igreja do que fazer direito! Kkkkkk Isso sim prestou.
NªSªD., 14 de Março de 2012.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
A Disparidade no Carnaval - O Cultural e o Povão
Há alguns dias recebi um convite do qual eu não poderia sob hipótese alguma declinar, integrar juntamente com virtuosíssimos músicos a “Orchestra Philarmônica Destherrense”. Creio que a Philarmônica é única, devido a uma filigrana muito própria: a arte de tal orquestra é desafinar, sempre! E quanto mais, melhor! Há algumas questões históricas que devo relatar aqui, nos idos anos de 1950, o governo proibiu a população de vestir-se de mulher, em especial de mulher grávida, pois era algo muito indecoroso para os padrões da época. Devo também salientar que o carnaval de rua sempre satirizou e trouxe a baila questões e problemas de seu tempo, como podemos constatar nas ruas com o grande número de pessoas fantasiadas como a cantora britânica Amy Winehouse, falecida em julho p. p.. Também podemos ver nas ruas de carnaval personagens de destaque no Brasil, tinha até Dilma Rousseff com a faixa presidencial desfilando pelas ruas. Como o governo baixou a proibição do uso de trajes femininos, um grupo de amigos resolveu munir-se de alguns acessórios não muito usuais no carnaval, tais como, casaca, gravata borboleta e por vezes uma lustrosa cartola.
Os amigos reunidos e dignamente trajados valeram-se de alguns instrumentos comuns das grandes orquestras e saíram pelas ruas da capital tocando fervorosamente. Um pequeno detalhe, que na verdade é fundamental aqui: o músico para ser aceito deve saber desafinar como ninguém! Assim, por tradição e fraternidade esse protesto histórico se perpetua na capital catarinense há mais de meio século. Outro hábito muito difundido à época era o tradicional bigode, era algo austero... coisas dos anos dos acordos do "fio de bigode”.
Mas, por hora basta das histórias transcorridas há mais de cinqüenta anos, vou relatar o presente. Compareci ao clube – sim, carnaval de clube, muitos não devem saber o que é isso, mas já fui a alguns – com o instrumento escolhido, terno preto e gravata borboleta. Lá houve uma confraternização entre os músicos. Nada de música estranha. Na frente de onde estávamos, transcorria o baile infantil com as tradicionais marchinhas. No churrasquinho só um bom papo de alto nível com pessoas realmente excepcionais. Isso tudo me incute na mente uma reflexão que poucos devem fazer no período do carnaval: a qualidade dos festejos.
Um carnaval de clube e com um bloco como a Philarmônica, é algo muito diferente do que estamos habituados a ver nas ruas nos tempos de folia. Hoje vemos somente uma verdadeira falta de educação, pessoas quem usam as vias como urinóis fossem; as pessoas andam seminuas, completamente embriagadas, entorpecidas, foras da casinha mesmo. E chamam isso de festa. Não houve uma inversão de valores, mas sim uma subtração destes. Hoje só há tempo para orgias alcoólicas – e não só estas – e é claro, sangue. Se um infeliz destes fosse sozinho para os braços do velho deus Tanatos, seria um favor para a humanidade.
Hoje a população passa por um processo de estupidificação, e isso vem de longa data. Estúpidos latu sensu mesmo, só é bom o rapaz que “passa o rodo”, bebe todas e pega o carro, como o infeliz de 18 anos que atropelou 17 pessoas no carnaval em Bal. Quintão, RS. Já quanto às garotas de “família”, bem, um neologismo: “piriguete”, valores morais que é o bom, nada, algumas já são ''mães; e ambos na balada escutam Michel Teló. Não posso concordar com o artista plástico Veronese que diz que o povo consome o que lhe é oferecido. As bibliotecas estão abarrotadas com as obras de Victor Hugo, Alexandre Dumas, Julio Verne, Machado de Assis, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Manuel Bandeira. No campo musical, bem, quem não tem um computador para acessar hoje uma rede social como o facebook... (para não dizer do fuckbook, sim, descobri isso essa semana e ao que parece, essa porcaria é obra de um brasileiro). O povo consome o que quer, eis a verdade, nua e crua.
N.S.D., 22 de fevereiro de 2012.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Cor Privata Spe
Tempos estranhos, complicados. Tempos em que temos verdadeiros regimes ditatoriais, afinal “ditadura é quando você manda em mim, e democracia é quando eu mando em você”. Quem tem uma generalíssima em casa que se vire.
Mas não é sobre tal causo que quero discorrer hoje, mas sim sobre algumas noites tomadas por densas trevas que insistem em não se dissipar... há quem espere a vinda do astro rei para trazer algumas coisas de volta, a luz o astro o vivificará. Mas, as noites podem ser eternas, a saudade fere como a lança de Longinus o cor privata spe. Cada um é o artífice do seu destino, sorte e por extensão a felicidade.
Hoje negligenciam-se as coisas do céu em nome das coisas terrenas. Tolos, sic transit gloria mundi, S. Terezinha afinou uma vez: “a vida é um breve instante entre duas eternidades”. Mas, creio que a eternidade posterior está atrelada ao efêmero momento terreno. Tão límpido, mas alguns ainda não compreenderam “tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu (Mt. 18:18).”
Há sempre um masoquista, afinal, aprecia muito dos grilhões da ignorância. A humanidade, de uma certa forma, está assim, ainda na caverna mítica, caminhando no reino de sombra e de caos, onde a noite faz as vezes de claridade (Jó 10:22).
E o ouro de tolo? Nem tudo que reluz é ouro.
Coma excrementos, se desejar, mas por obséquio, não tente eructar diamantes aos quatro ventos!
N.S.D., 20 de fevereiro de 2012.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Do Fundo do Baú do Tio
Essa é das antigas mesmo!
Valsa da Despedida.
Compositor: Robert Burns - Versão: Alberto Ribeiro e Braguinha (João de Barro)
Adeus, amor, eu vou partir
Ouço ao longe um clarim
Mas, onde eu for, irei sentir
Os teus passos junto a mim
Estando em luta, estando a sós
Ouvirei a tua voz
A luz que brilha em teu olhar
A certeza me deu
De que ninguém pode afastar
O meu coração do teu
No céu, na terra, aonde for
Viverá o nosso amor.
NSD, 29 de Janeiro de 2012.
NSD, 29 de Janeiro de 2012.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Insanæ Et Vanæ Curæ
Nas palavras de Ney Brasil: “É um pensamento sem dúvida salutar!”
Nas correspondências trocadas com o pe Ney, eu fui um pouco mais além: “uma verdade inquestionável e salutar.”
Insanæ et vanæ curæ invadunt mentes nostras.
Sæpe furore replent corda, privata spe.
Quid prodest, O mortalis, conari pro mundanis, si cœlos negligas?
Sunt fausta tibi cuncta, si Deus est pro te.
Insanas e vãs preocupações invadem nossas mentes, muitas vezes a loucura toma conta dos nossos corações, que são destituídos de esperança. Que aproveitará a você, ó mortal, a luta pelas coisas terrenas, se você negligenciar as do céu? Todas as coisas lhe são favoráveis, se Deus está com você.
O texto latino acima foi musicado por Joseph Haydn em uma data entre 1805 e sua morte em 1809. Deleitem-se: http://www.youtube.com/watch?v=PSYK5JHgRnA.
Desterro, 26 de Janeiro de 2012.
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