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domingo, 8 de abril de 2012

O Eu Lírico


“Diante das bruxuleantes chamas, o tempo se esvai entanto a dura pena corre com urgência o velho pergaminho... Em uma taça de prata, a água, e noutra de cristal, o vinho, tão diferentes e tão distantes... não se misturam... e ao lado, como um mero expectador na plateia, o velho diário, sempre implacável na sua rigidez férrea de não esquecer as mágoas de um coração turgido pela dor.”
Andy Schweitzer
Desterro, 08 de Março, Domingo da Ressurreição – 2012.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Insanæ Et Vanæ Curæ


Nas palavras de Ney Brasil: “É um pensamento sem dúvida salutar!”
Nas correspondências trocadas com o pe Ney, eu fui um pouco mais além: “uma verdade inquestionável e salutar.”

Insanæ et vanæ curæ invadunt mentes nostras.
Sæpe furore replent corda, privata spe.
Quid prodest, O mortalis, conari pro mundanis, si cœlos negligas?
Sunt fausta tibi cuncta, si Deus est pro te.

Insanas e vãs preocupações invadem nossas mentes, muitas vezes a loucura toma conta dos nossos corações, que são destituídos de esperança. Que aproveitará a você, ó mortal, a luta pelas coisas terrenas, se você negligenciar as do céu? Todas as coisas lhe são favoráveis, se Deus está com você.
O texto latino acima foi musicado por Joseph Haydn em uma data entre 1805 e sua morte em 1809. Deleitem-se: http://www.youtube.com/watch?v=PSYK5JHgRnA.

Desterro, 26 de Janeiro de 2012.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Livros Emprestados


Lendo o livro "Coração de Tinta" me deparei com uma curiosa inscrição em uma biblioteca:
“Que aquele que rouba livros ou não devolve livros emprestados tenha o livro em sua mão transformado numa serpente voraz. Que ele sofra um ataque apopléctico que paralise todos os seus membros. Que, aos gritos e gemidos, implore por piedade, e seu tormento não seja mitigado até que entre em estado de putrefação. Que as traças corroam suas entranhas como o verme que nunca morre. E que no dia do juízo final seja condenado a arder para sempre no fogo do inferno.” Inscrição na biblioteca do Mosteiro de São Pedro, em Barcelona, citada por Alberto Manguel.

Livros são importantes, e devemos ter respeito por eles, e pelos donos também.

N.S.D., 06 de Julho de 2010.

sábado, 22 de maio de 2010

Alguns Espíritos dos Natais

Já deveria ter escrito algo faz algum tempo, mas, por vezes é bom deixar as coisas acalmarem um pouco. Nada como um pouco de paciência para vencermos algumas paixões e submetermos algumas vontades. Não sei bem como começar, mas acho que curiosamente devo começar pelo espírito do natal presente, tendo em vista que sua última visita faz umas duas semanas.

Tudo iniciou nos fins de abril para o início de maio, confesso que eu tive uma série de preconceitos em relação a alguém, e igualmente por confissão digo contritamente que me arrependo. Mas diante de um preconceito, temos uma idéia errônea pré-concebida, mas a questão é quando essa idéia pré-concebida por conta de alguns temores é a mais pura verdade, sem um único laivo sequer. Então o que fazer? Não sei.

Apenas sei, que não sou uma pessoa fácil de se lidar, porém não briguei com os “irakitans”, nada como uma boa analogia musical para fazer uma identificação sem revelar as verdadeiras identidades.

Creio que uma das questões que me levam a divagar em algumas linhas escritas com mão rude é a pusilanimidade do caráter. Então o que adianta ter um pouco de cultura, quando há uma lacuna descomunal como um abismo? Há tão somente duas teorias quanto ao caráter de alguém, vamos a elas:

Prima – O caráter pode mudar com o passar do tempo, assim como alguns valores mudam no decorrer de nossas vidas;

Secunda – o caráter de alguém jamais muda ou se deteriora. É simples, há caráter ou não.

Reservo-me aqui ao direito de não revelar o que penso, porém aos que me conhecem fica indubitavelmente claro qual é a corrente moral-filosófica que sigo.

Quando ouvimos em dado momento “amo-te muito”, isso obriga a outra parte a algo?

Não! Isso e tantas outras coisas não obrigam ninguém a nada, lembro das minhas primeiras aulas de Introdução ao Estudo do Direito, magistralmente ministradas pela Professora Dilsa Mondardo. Ela dizia: “ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão por força de lei”. E como não há e nunca haverá um codex para isso, jamais haverá essa obrigatoriedade.

Então já sabemos que nutrir e exteriorizar sentimentos em a outrem não obriga a uma recíproca, mas, como fica isso em um “flerte” continuado? Algumas coisas indicavam que a coisa ia de vento em popa, já outras tantas não... Porém, dias depois esta criatura de Deus está namorando. Então o que pensar disso? Que no mínimo andava com dois ao mesmo tempo, tendo em vista que não se inicia um namoro da noite para o dia.

Isso demonstra claramente a falta do caráter, vejam bem, é a falta que eu me refiro, e não um simples desvio. Para ter-se o desvio deve-se, antes de mais nada, ter caráter.

Já disse aqui que sinto um enorme pejo do meu preconceito quando a conheci, porém, as conjeturas que fiz eram na verdade fatos que a vida se encarregou de ensinar-me com extrema perfeição. Naquele tempo, resolvi deixar isso de lado, pois comecei a individualizar os indivíduos invés de generalizá-los em uma fossa comum.

Não quero aqui fazer uma apologia aos preconceitos, mas, devemos sempre levar em conta as experiências que já tivemos, e através de uma analogia estudar cada caso.

Se houver entre nossas experiências algo que nos recorde a música “Eu falei que isso ia dar merda” de Cris Nicolotti, é bom abstrair e cantar outra música da mesma cantora...

“♫Vai tomar no cú...♪”.

Não tenho nada contras os “irakitans”, e não vejo nada que empeça o cultivo de uma verdadeira amizade com todos. Mas, fico impressionado com o fato de que quando era conveniente conversavam até madrugada adentro comigo. Realmente curioso.

Recordo-me de um filósofo incompreendido, Arthur Schopenhauer, que na obra “O Mundo como vontade e representação” há no capítulo XLIV, que é a “Metafísica do Amor”, lá consta o seguinte: “Assim que o gozo é obtido, o amante experimenta uma estranha decepção; espanta-se que aquilo que desejou com tanto ardor apenas lhe proporcione um prazer fugaz, seguido de um rápido desencanto, e nada mais”.

Esse gozo é simplesmente um objetivo que por vezes não é uma conjunção carnal. Esse gozo pode ser a obtenção de uma massagem no ego de indivíduo com pouca auto-estima. Sugiro apenas terapia e um pouco de decência.

Já sobre o espírito do natal passado, ele sempre volta de alguma forma para nos assombrar e nos impor mais uns bons passos de nossa via crucis.

Nunca entendi muito bem esses retornos repentinos, e muito menos quando escuto a palavra “saudade”. Só posso dizer que nada impede de se matar as saudades entre duas pessoas em moram na mesma ilha, por isso que essa palavra foi como um punhal enterrado em meus ouvidos. Lamento, mas não sou uma bengala para que alguém se apóie nos momentos de carência. Fico imaginando como isso deve fazer bem ao espírito do natal passado, pois é muito bom desprezar alguém e partir para outra. E esta outra empreitada não dando certo, volta-se como um filho pródigo em busca de apoio, pois saber que alguém lhe estima muito a ponto de tudo perdoar é muito cômodo.

Então quebra a cara e pensa: “ele ainda está lá”. Então um pouco de vergonha na cara e maturidade é o que falta ao espírito no natal passado.

Não podemos jamais dizer que desta água não beberei, mas alguns são como espermatozóides, têm a chance de um em um milhão de um dia tornarem-se seres humanos. Se este momento um dia chegar, poderemos enfim conversar, e apenas isso.

Sem mais.

N.S.D. aos 22 de Maio de 2010.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

2012 e a Definição de Hecatombe

Ontem resolvi assistir o tão comentado filme 2012. Não o assisti antes, pois tenho alguns problemas com cinemas. Em especial que, para mim ficar muito tempo sentado sem movimento me causa muitas dores nas pernas, e sempre termino o filme me arrastando para fora como o Quasímodo de Notre Dame de Paris, de Victor Hugo.

No mais uma pequena definição proferida por mim ontem no meio do filme:

“Hecatombe: Uma tragi-tragédia de proporções desproporcionais no planeta.”

Essa foi sem noção mesmo, mas sem noção foi o suspiro no meio do Cannon de Pachelbel. Quem assistiu o filme Amadeus, sabe da cena onde Mozart toca Salieri e suspira pela facilidade da música. Coisas do Tio Deco mesmo... rsrssr

N.S.D., 05 de Maio de 2010.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Livros e mais livros


Tenho tanto espaço para escrever e estou sem idéias (publicáveis), e é claro, também confesso que há um pouco de preguiça. Ultimamente tenho passado meu tempo livre em casa, quando não estou na internet estou com um livro, o último que li, ou melhor, devorei é “Papisa Joana”, de autoria da americana Donna Woolfolk Cross. Este é um livro que prende o leito a cada pagina, com suas infindas intrigas, maquinações, brigas, amores, desamores, conspirações e batalhas sangrentas (lógico que tem que ter sangue, caso contrário não há muita graça srsr). Embora seja uma ficção, esta é uma história que mostra de forma muitíssimo clara de como era a vida no longínquo século IX.
A idade das trevas não é nada agradável, mas sempre é bom sabermos como foi o passado para sabermos como nossas vidas são boas, e o quanto reclamamos. No livro há uma série de costumes tais como a ignorância imposta às mulheres, coisa que não é tão estranha para nós hoje. Outra coisa que me chamou a atenção foi uma lei que não proibia a agressão física por parte do marido, mas sim regulamentava o tamanho do porrete que o marido usava pra espancar sua esposa. São apenas alguns horrores medievais.
Atualmente estou lendo “Memórias” de Lorenzo da Ponte, o libretista do compositor Wolfgang Amadeus Mozart. Suas aventuras estão sendo interessantes, pois é uma figura que só se metia em confusões, como em uma ocasião que ele queria despojar duas irmãs ao mesmo tempo. Assim que terminar de ler eu contarei mais alguma coisa.
N.S.D., aos 21 de Agosto de 2009.