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sábado, 10 de dezembro de 2011

Estado de Graça

Estou em de um modo que eu classifico como estado de graça. Afinal, descobri que as pessoas são descartáveis, sim, li isso em 2009 no blog não meu irmão Caju e só agora que a porcaria da ficha caiu. Talvez dentre os meus poucos leitores, alguém se interpele “por que são as pessoas descartáveis”, ou “qual o motivo pelo qual ele escreveu isso?” A reposta por deveras simplória, são as masmorras do vício, sempre revestidas de hediondez e leviandade e em que nada acrescentam a nada e tão pouco a alguém.

Sendo assim, quando pomos de lado o escudo, quando baixamos as máscaras, abrimos o véu, finalmente damos margem a quem realmente prova seu valor; o mundo gira, nada como um dia após o outro, estas são as verdadeiras vicissitudes da nossa vida.

Vicissitudes estas que nos mostram que sempre se pode caminhar para frente, e assim sendo, nada melhor que se libertar dos laços dos vermes vis e cair nos braços do redentor. Só para constar, um velho adágio: “os canalhas envelhecem e os vermes também procriam”, creio que isso está colaborando e em muito para o meu estado de graça. Pois, creio que não há nada de mais gratificante em ver os tolos caírem na mais profunda desgraça quando conduzidos pela cegueira da própria ignorância... Sobretudo quando foi devidamente admoestado não só por mim sobre seu tragicômico fim.

Mas voltando à graça que me alça aos Campos Elísios, como foi bom poder sentir novamente o doce néctar da liberdade mais uma vez, depois de tantos anos. Confesso que espero um bis e muito mais daqueles olhos azuis. Saberei mais alguma coisa hoje após o poente.

Nª.Sª.D., 10 de dezembro de 2011.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mais Skavurska

Não consegui escrever sobre o Luau do dia 30/04 na Barra da Lagoa e o Trio Skavurska já se juntou e saiu novamente. Pois bem, seguindo a cronologia dos fatos, inicio com os do Luau. Sempre após a meia-noite, o Trio sai do centro para algum lugar, desta vez um luau na Barra, confesso que me perguntei ao chegar à praia: “Onde está a fogueira? E o violão?” Eu não encontrei uma coisa, tão pouco a outra. Encontrei algumas caixas que guardavam com toda a segurança possível o Precioso Líquido, este deve ser bem cuidado mesmo. Já pensou se vira ele na areia? Le fin du temps! Aí, só nos resta taxidermizar o infeliz que fez isso ainda vivo...

Lá pelas tantas o Nemo colocou seu carro na areia e o som foi rolando, e as caixas sendo esvaziadas... Entre um narguile e outro, o papo ia rolando hora com um, hora com outro, com o Nemo, com o Doug, com o Fê e mais uma penca que eu na lembro (afinal éramos em 15 pessoas). Por problemas pessoais, eu passei boa parte do tempo coma cabeça em outro local, imersa em meus problemas, assim sendo cheguei cedo em casa. Porém, mesmo saindo cedo do luau, certas conversas, cenas e piadas merecem seu lugar nestas poucas linhas.

Uma conversa que deve ser registrada aqui foi quando o Doug veio fumar um narguile... Ele me contou o comentário de uma amiga dele em relação a mim. Como o comentário foi deselegante, e ele não pestanejou e vociferou a sua interlocutora: “Ele é meu amigo, e se você não o respeita, você também não me respeita”. Confesso que não me recordo da lata da guria, tão pouco falei com ela, e muito menos perderei meu tempo. Quanto ao interlocutor, acho que ele ganhou um amigo para sempre. Outros dois fatos dignos de nota foram com o Fê. O primeiro deles foram as brincadeiras dele com uma cadela na praia (quadrúpede hein), ele arranjou um galho (só não tinha para a fogueira kkk) e o arremessava a distância, e ela mais educada que muitos, o buscava sempre. O segundo fato-hilário da noite foi “um tango no inferno” do Fê com o Nemo na praia. Indubitavelmente a coisa mais engraçada da noite. Fê valeu amigo, você me fez esquecer muitos problemas nesse dia.

Isso resume o Luau, porém ainda falta a noite de quinta-feira. Ontem passei no Doug e no Fê após um compromisso, depois de um narguile e um pouco de conversa jogada fora resolvemos ir até a beira mar, afinal, ao menos o prefeito conseguiu revitalizar um pouco a Av. Beira Mar. Depois do caso do famigerado Pinheirinho de Natal era o mínino a ser feito. Sob um gazebo desfrutamos dos ares da Arábia Saudita e é claro, poucas latinhas (afinal, era quinta-feira). Assim nesse clima agradável, a conversa estendeu-se por horas a fio, sem que ninguém sentisse o peso das horas da madrugada. Lá pelas tantas nem sei quem tirou do porta-malas uma bola; como eu não sei jogar esse tipo de coisa, fiquei sentado num dos bancos do gazebo assistindo. Eu deveria ter previsto no que isso poderia dar e cantado “Eu falei que isso ia dar merda”. E deu. A bola do Fê foi ofertada à Iemanjá dali mesmo. Ele correu até um pequeno píer, ia até mergulhar, mas devido ao frio acabou não fazendo. Tentamos então um escaler que havia ali, porém este estava preso... Pois é, tchau Bolinha...

Para a nossa sorte, o Japa chegou, e nem sei como ele nos encontrou, só sei que ele estava num outro plano, em muito diferente do nosso. Do mesmo do, não sei o porquê levei uma dentada do Fê... Acho que ele pesou ser o Ferdinand Cullen pra sair mordendo assim sem mais nem menos. E eu vou fazer corpo de delito, está roxo!

Quando puxei o relógio da algibeira constatei que já eram três da madrugada... Hora de ir.

Depois dessas experiências tão divertidas, desgastantes e antropofágicas, só me resta perguntar: “alguém tem aí um quartinho de lexotan pô?”

N.S.D., 06 de maio de 2011.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Abapurú Paulistano

Segundo Narcisa Tamborindeguy viajar é uma aventura, uma loucura. E só me resta concordar, pois o abapurú começa no aeroporto quando eu fui despachar duas espadas, todos os meus amigos tinham uma espada exatamente igual, alguns conseguiram despachá-la na mala e outros embalaram no balcão e despacharam também. Mas como Deus é bom, Nossa Senhora uma baita, e me deram um pouco de paciência (acho que para não usar as espadas) e eu tive que fazer o procedimento de objetos retidos aqui no aeroporto Hercílio Luz. Essa parte foi tranqüila, mas chegando a São Paulo, a caixa com as minha espadas foi para na caixa-prego, fui até o departamento de “achados e perdidos” e esperei mais ou menos uma hora. No fim das contas eles ainda pedem desculpas, sendo que a última coisa que eu gostaria de ouvir era a voz de alguém da empresa aérea “Gol-Contra”. É sim, Gol-Contra, com uma vitória acachapante da ignorância e do descaso no trabalho.

Bem, ao menos cheguei ao hotel com minhas crianças de aço. Depois de deixar as malas no hotel, os meus colegas de viagem resolveram passear na Rua 25 de Março. Valha-me Deus! Mas como eu mesmo disse, em São Paulo tem que se viver como um paulistano, sentir a cidade (e ficar no meio da plebe ignota). Mas tamanho sacrifício para cruzar a Rua 25 de Março é recompensando no Mercadão (ou como chamamos aqui, Mercado Público), tem de tudo um pouco lá, e é claro, não tem como passar por lá e não comer bacalhau e presunto! Fora de sério. Outra coisa fora de sério foi a recepção calorosa que recebemos dos membros do Priorado, pela qual somos muito gratos.

Nesta ida ao Priorado, houve alguns fatos deveras interessantes como a união que pude notar entre todos, indubitavelmente algo incrível. Mas, como em todos os lugares existe a “ovelha” negra, desgarrada, tosca, burra, e sem noção. Não vou chamar de inútil, pois aprendi durante a minha instalação como KM... Aprendi que "todos ali são irmãos, porém nem todos são amigos". É lamentável, mas é a mais pura verdade! Acho que foi nesse mesmo diapasão, o da amizade verdadeira que tive a grata surpresa de ter um padrinho que eu não esperava: o Caju. Você é um irmão e amigo, coisa que muitos jamais serão. Muito obrigado Dindão! kkk.

Ah, antes que eu me esqueça, para a ovelha negra: vá cuidar da cloaca da galinha de sua mãe que o cagou neste mundo! Kkk. Os ingleses dizem: se você não tem nada de bom para falar de um irmão, então não fale nada. Como eu não sou inglês... toco o Phoda-se, symphônico obviamente.

Agora chega de KM. No outro dia, a turma debandou e ficaram os Irmãos (e amigos) Caio e Clóvis, quero registrar aqui o meu muito obrigado por me esperarem no hotel. Algum tempo depois, já no avião, algo sensacional e maravilhoso num avião: uma criança! Bem, em outra crônica eu disse que lugar de criança não é numa noite lírica num teatro, e sim num reformatório. No caso de um avião, o lugar dela não deveria ser no banco na frente do meu, e sim no porão com as malas. Enfant terrible! Passou a viajem tagarelando e falando em alto e bom som: o avião vai cair! Errr! Que vontade de dizer que se cair ela morre e ainda vai ficar sem TV, vídeo game e todas as porcarias que ela gosta! Quisera eu ter uma câmera fotográfica para registrar o momento em que essa peste ficava de pé no banco olhando para mim, ou quando ele colocou sua mão pela fenda dos bancos. Mais hilária foi a cara do Caio esquivando-se dessa peste.

Quando o teco-teco da Gol-Contra aterrissou no Hercílio Luz, havia alguns tratores na pista, e eu ouvi algo assim num tom de voz muito preocupado: “quantos tratores na pista, eles podem atropelar uma criança!” kkkkkkkkkkkkkk. Brincadeira e palhaças a parte, a Gol-Contra Linhas Aéreas fez mais uma das suas: reteram a minha caixa com minhas espadas. Buta que Bariu! Espadas sem ponta e sem fio, usadas somente para ritualística. A “bandejeira” me chamou pediu meus documentos, e ficou com a minha caixa. E eu já ralhando, pois essa bagaça não tem um procedimento padrão para esse tipo de coisa. E o que a bandejeira fez? Pegou o “raidinho” e perguntou para sei-lá-quem qual era o procedimento a ser adotado. E eu disse: te mostro o documento e você me dá a caixa. Pasmem, ela saiu correndo pelo HL e foi falar com outra badejeira que pediu meu RG e me entregou a caixa. Por isso que eu tenho que concordar com a Narcisa, viajar é uma aventura.

NªSªD. 10 de Dezembro de 2010.

sábado, 22 de maio de 2010

Alguns Espíritos dos Natais

Já deveria ter escrito algo faz algum tempo, mas, por vezes é bom deixar as coisas acalmarem um pouco. Nada como um pouco de paciência para vencermos algumas paixões e submetermos algumas vontades. Não sei bem como começar, mas acho que curiosamente devo começar pelo espírito do natal presente, tendo em vista que sua última visita faz umas duas semanas.

Tudo iniciou nos fins de abril para o início de maio, confesso que eu tive uma série de preconceitos em relação a alguém, e igualmente por confissão digo contritamente que me arrependo. Mas diante de um preconceito, temos uma idéia errônea pré-concebida, mas a questão é quando essa idéia pré-concebida por conta de alguns temores é a mais pura verdade, sem um único laivo sequer. Então o que fazer? Não sei.

Apenas sei, que não sou uma pessoa fácil de se lidar, porém não briguei com os “irakitans”, nada como uma boa analogia musical para fazer uma identificação sem revelar as verdadeiras identidades.

Creio que uma das questões que me levam a divagar em algumas linhas escritas com mão rude é a pusilanimidade do caráter. Então o que adianta ter um pouco de cultura, quando há uma lacuna descomunal como um abismo? Há tão somente duas teorias quanto ao caráter de alguém, vamos a elas:

Prima – O caráter pode mudar com o passar do tempo, assim como alguns valores mudam no decorrer de nossas vidas;

Secunda – o caráter de alguém jamais muda ou se deteriora. É simples, há caráter ou não.

Reservo-me aqui ao direito de não revelar o que penso, porém aos que me conhecem fica indubitavelmente claro qual é a corrente moral-filosófica que sigo.

Quando ouvimos em dado momento “amo-te muito”, isso obriga a outra parte a algo?

Não! Isso e tantas outras coisas não obrigam ninguém a nada, lembro das minhas primeiras aulas de Introdução ao Estudo do Direito, magistralmente ministradas pela Professora Dilsa Mondardo. Ela dizia: “ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão por força de lei”. E como não há e nunca haverá um codex para isso, jamais haverá essa obrigatoriedade.

Então já sabemos que nutrir e exteriorizar sentimentos em a outrem não obriga a uma recíproca, mas, como fica isso em um “flerte” continuado? Algumas coisas indicavam que a coisa ia de vento em popa, já outras tantas não... Porém, dias depois esta criatura de Deus está namorando. Então o que pensar disso? Que no mínimo andava com dois ao mesmo tempo, tendo em vista que não se inicia um namoro da noite para o dia.

Isso demonstra claramente a falta do caráter, vejam bem, é a falta que eu me refiro, e não um simples desvio. Para ter-se o desvio deve-se, antes de mais nada, ter caráter.

Já disse aqui que sinto um enorme pejo do meu preconceito quando a conheci, porém, as conjeturas que fiz eram na verdade fatos que a vida se encarregou de ensinar-me com extrema perfeição. Naquele tempo, resolvi deixar isso de lado, pois comecei a individualizar os indivíduos invés de generalizá-los em uma fossa comum.

Não quero aqui fazer uma apologia aos preconceitos, mas, devemos sempre levar em conta as experiências que já tivemos, e através de uma analogia estudar cada caso.

Se houver entre nossas experiências algo que nos recorde a música “Eu falei que isso ia dar merda” de Cris Nicolotti, é bom abstrair e cantar outra música da mesma cantora...

“♫Vai tomar no cú...♪”.

Não tenho nada contras os “irakitans”, e não vejo nada que empeça o cultivo de uma verdadeira amizade com todos. Mas, fico impressionado com o fato de que quando era conveniente conversavam até madrugada adentro comigo. Realmente curioso.

Recordo-me de um filósofo incompreendido, Arthur Schopenhauer, que na obra “O Mundo como vontade e representação” há no capítulo XLIV, que é a “Metafísica do Amor”, lá consta o seguinte: “Assim que o gozo é obtido, o amante experimenta uma estranha decepção; espanta-se que aquilo que desejou com tanto ardor apenas lhe proporcione um prazer fugaz, seguido de um rápido desencanto, e nada mais”.

Esse gozo é simplesmente um objetivo que por vezes não é uma conjunção carnal. Esse gozo pode ser a obtenção de uma massagem no ego de indivíduo com pouca auto-estima. Sugiro apenas terapia e um pouco de decência.

Já sobre o espírito do natal passado, ele sempre volta de alguma forma para nos assombrar e nos impor mais uns bons passos de nossa via crucis.

Nunca entendi muito bem esses retornos repentinos, e muito menos quando escuto a palavra “saudade”. Só posso dizer que nada impede de se matar as saudades entre duas pessoas em moram na mesma ilha, por isso que essa palavra foi como um punhal enterrado em meus ouvidos. Lamento, mas não sou uma bengala para que alguém se apóie nos momentos de carência. Fico imaginando como isso deve fazer bem ao espírito do natal passado, pois é muito bom desprezar alguém e partir para outra. E esta outra empreitada não dando certo, volta-se como um filho pródigo em busca de apoio, pois saber que alguém lhe estima muito a ponto de tudo perdoar é muito cômodo.

Então quebra a cara e pensa: “ele ainda está lá”. Então um pouco de vergonha na cara e maturidade é o que falta ao espírito no natal passado.

Não podemos jamais dizer que desta água não beberei, mas alguns são como espermatozóides, têm a chance de um em um milhão de um dia tornarem-se seres humanos. Se este momento um dia chegar, poderemos enfim conversar, e apenas isso.

Sem mais.

N.S.D. aos 22 de Maio de 2010.