sábado, 12 de novembro de 2016

Mãos: de bobas às da injustiça.

 Desterro, 12 de novembro de 2016.

Penso que hoje eu posso começar com algo que certa vez eu ouvi, de que a humildade em excesso deixa de ser uma virtude e passa a ser o pecado da vaidade. 

A questão é que senti-me envaidecido como há muito eu não sentia. Motivo? Algo tão singelo, e extremamente trivial para a maioria esmagadora das pessoas. Ser desejado, simples assim. Confesso que não entendi bem até agora o motivo desta brincadeira (pois assim a considero), mas, digamos que ganhei o ano diante de um ousado gracejo, ainda mais com cerca dez anos de diferença entre nós.

Mas a grande pergunta aqui é, por que me sinto assim tão lisonjeado? A resposta é inicialmente simples, as pessoas de hoje vivem quase em sua totalidade o que Zygmunt Bauman (1925) chama de “relações líquidas”. E o que são estas relações? Relações disformes, descartáveis, mais efêmeras um lampejo, onde em não raras às vezes são relações digitais. Você faz amigos pela internet, por incontáveis redes sociais, e se algo te desagradar, é só bloquear. Por vezes alguns transeuntes, mesmo não me conhecendo (e eu a eles) me cumprimentam ao passar por mim na rua, eu respondo, naturalmente, assim como encontro o vigário paroquial quando divido a calçada com ele. A paróquia que frequento é grande e ele é um dos párocos, logo ele não se recorda de mim, mas ele sempre estranha o “bom-dia padre”. Hoje as relações pessoais são vistas como algo estranho e antinatural.

As pessoas, talvez por medo de rejeição, fremem de medo das relações à moda antiga. Hoje muitos repetem a encenação de uma velha peça para mostrar para pessoas que elas nem conhecem o que elas não são. Por vezes gastam o que não tem para isso. O invariável vazio é o preço de viverem apenas para os outros.

Nesta sina de viver assim, sem personalidade própria, alguns sofrem, pois vivem assim num padrão “x” apenas para agradar e serem aceitos em troca. Já me compareci das mazelas alheias, mas hoje não ocupo mais meu tempo com questiúnculas individuais, hoje o coletivo me toma mais tempo, afinal a cada dia a “estupidez” se torna mais o adjetivo da direita. Direita esta que senta-se a volta de uma mesa para jantar e vocifera entre dentes lixo em tons de patuscada, e recorrentemente o tema é ofensivo e essa falante choldra não se toca que à sua volta existem pessoas que se enquadram no que eles tanto fazem chacota. Acorde Osmar, ou saia da vida para a história, svp. 


É esse tipo de mentalidade da nobre corrente filosófica “bolsomítica-trumpaniana” que existe em tantas cabeças, e faz aquele mísero gracejo ser tão somente isso, um gracejo que virou lembrança. Lembrança esta muito boa, ao contrário dos discursos “osmarianos”.