Desterro, 13 de Outubro de 2019.
Ao longo do tempo conheci alguns "iluminados
das trevas". Gente que eu devo ao menos chamar de "curiosa". São
o tipo de pessoas que acham que a sexualidade de uma pessoa pode
"involuir" porque há um ano uma pessoa se entendia com a orientação
"x". Com o tempo e um pouco maturidade essa pessoa se descobriu com a
orientação "y", e essa foi a "involução". O que fazer,
pensar ou sentir de uma pessoa assim tão "evoluída"? Devemos mesmo
ter pessoas assim em nosso círculo de amizades? Como alguém julga assim tão
fácil um amigo seu? E o pior, se diz amiga da pessoa objeto dos ataques.
Essas pessoas que tanto apreciam a erucção
pública da "santidade", que recitam litanias aos quatro ventos, que
ditam suas regras de "valores morais" são as pessoas mais obscuras
que conheci. São verdadeiros nosferatus,
que apenas querem que seus fúteis caprichos sejam saciados.
Neste desejo
irrefreável de uma pura satisfação hedonista os "iluminados"
atropelam tudo e todos de uma forma muito sutil quanto um Caterpillar
desgovernado rumo ladeira a baixo, afinal, é só a autossatisfação que importa,
isso aliado ao fato de que somente os “grandes iluminados” estão certos neste
mundo.
Particularmente
eu já tive algumas oportunidades de soltar o verbo nessas “almas caridosas”,
mas creio que isso faça parte do meu processo de tolerância com o diverso, ou
adverso, ou mesmo o simples exercício de paciência... Paciência, virtude que
tanto me falta, por isso muitas vezes respiro fundo e toco o baile. Mas, quando
o copo transborda, pouco me importo em rodar a baiana e se necessário for,
lavar toda a escadaria do Bonfim com água de cheiro. Não me importo nesse
sentido com pessoas ou lugares, não faço distinção nisso. Mas, respirar fundo, abstrair e fingir demência tem sido cada vez mais necessário nesse mundo de
pessoas sem o mínimo de amor ao próximo, sobretudo numa questão tão íntima,
delicada e involuntária como a questão da própria sexualidade de alguém.
Pessoas “iluminadas” são elas que até hoje justificam o velho ditado: “a cruz nos
peitos e o diabo nos feitos”.
Bem, como dizem,
é muito difícil libertar os tolos das correntes que eles tanto veneram, então
as duas pessoas objetos dessas poucas linhas tão mal escritas vão ter que
conviver ainda por um bom tempo, até que um o a outra percebam que há algo de
abusivo nessa amizade deles. Enquanto isso observo impassível os movimentos de
cada um deles. Afinal, uma coisa é certa, cada um ali deve perceber por conta
própria quem é o outro nessa relação de amizade. Eu, autor, particularmente não
consigo muito ficar perto de quem não torce por mim, por minha felicidade, quem
não se encanta com minhas alegrias e vitórias... Pessoas assim devem passar
longe de nossas vidas. Quanto mais distante, melhor.
Contudo, é comum
as pessoas buscarem aprovação dos outros em suas vidas, e na atual conjuntura
desta história o meu colorido amigo não tem muitas opções de amizades
verdadeiras e não tem apoio do seio de sua família. Então, esse ser “iluminado”
para ele acaba sendo uma opção, onde ali ele pouco se apercebe que não há lugar para ele. Afobação não é o melhor meio para se ir em frente na
vida.

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