quinta-feira, 10 de março de 2011

Paucis Cineres

Hoje recebi notícias de alguém que há muito não vejo, e prefiro que continue assim. Ao que me parece, são boas notícias, sei que isso é bom, mas pouco me importo se são boas ou más; só sei que é melhor receber uma notícia por terceiro do que por ore propriae. Curiosamente hoje na solene liturgia de cinzas, nosso administrador apostólico e Arcebispo Primaz do Brasil, Ðom Murilo em sua homilia falou do arrependimento – as cinzas na fronte são um sinal disto – e de algo intimamente ligado ao arrependimento: o perdão.

Sim, essas duas coisas devem ser algo uno. Ðom Murilo falou do perdão como ele é (para nós, como ele deve ser), ou seja, um ato consciente e deliberado; já a memória é um fato temporal que não esquecemos. Pois mesmo não querendo notícias de alguém, não querendo ver este alguém, lembramos sempre do mal que nos foi feito. Mas quando conseguimos rezar por quem nos fez este mal, estamos na verdade perdoando, mesmo que jamais voltemos a ver esta pessoa.

Confesso que isso é um tanto quanto estranho para mim. Seria assim tão simples (e “fácil”) o ato de perdoar? Realmente, não faço a menor idéia...

O mais curioso, e acredite quem quiser: primeiro eu fui à missa de cinzas, e depois, por volta das 22 horas que eu recebi uma visita que me trouxe a tal notícia. Que vá em paz! Afinal, pela exegese bíblica, setenta vezes sete é sempre...

Nossa Senhora do Desterro, Quarta-feira de Cinzas de 2011.

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