segunda-feira, 10 de maio de 2010

Tenebrae Fact Sunt

Já que esses dias eu estava escrevendo analogias com a Seqüência do Dies Irae, hoje neste cinzento dia, penso em outra parte: O Confutatis, e uma determinada parte dele me chama a atenção:

Oro supplex et acclinis, cor contritum quasi cinis: gere curam mei finis.

Algumas coisas, mesmo sendo ruins e desagradáveis, podem ser benéficas. Há males que vem para o bem reza o adagiário popular. Vivi nesses meses uma alternância de trevas e luz, e hoje cedo encontrava-me nas trevas do abismo. Mas creio que essa estadia no abismo profundo fez-se necessária, pois quando estamos nas trevas buscamos a luz.

É nas trevas das dificuldades, provações e demonstrações de falta de caráter que paramos para uma reflexão: a de como chegar até à luz.

Estando nessa luz, ficamos estagnamos, e nada mais fazemos. Por isso por vezes prefiro as trevas das provações. Quando estamos com a dura cruz às costas nos concentramos no caminho à Gólgota, pois queremos que logo acabe, e o único modo de se ver esse fim do caminho, é chegar até lá.

Na nossa Via Crucis, ou melhor Vita Crucis, encontramos de tudo um pouco, desde os membros da guarda pretoriana, até um Simão Cirineu. Hoje cedo cruzei com dois pretores implacáveis, o do desgosto, e o do mau caratismo, porém já encontrei um Simão Cirineu, e este me disse: "não vale a pena".

William Shakespeare escreveu que há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia. E é a mais pura e nua verdade, sendo que os nossos corações detém muitos desses mistérios que só Deus conhece. Depois de chegar no “Oro supplex et acclinis” num misto com o Antíphona de N. Senhora, onde lá pelas tantas nos deparamos com “ad te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle,” chego na Lux Perpetua! e já sei que vou fazer tudo novamente...

Não há mal que sempre dure, nem bem que seja eterno. Mas por hora meditarei o Sl. 129 (130).

Por fim, duas coisas.

Primeira:

"Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração." William Shakespeare.

Segunda:

Compus-lhe uma bela música, num andamento alla marcia, chamada Phoda-se Symphonico em cima de Si e sem Dó.

N.S.D. 10 de Maio de 2010.

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