Nª.Sª.D. 10 de janeiro de 2010
Hoje resolvi relatar uma experiência que eu não vivenciava há pelo menos uma década. Ir à Lagoa do Peri! Tudo bem que com o passar de dez anos as coisas com certeza iriam mudar, mas eu não imaginei como isso mudaria. O lugar físico mudou diversas árvores cortadas, faixa de areia ampliada, vendedores ambulantes, inclusive com uma máquina de moer cana-de-açúcar.
Mas essa não foi a principal mudança. Não mesmo, os freqüentadores não são mais os de outrora, a coisa caiu ao nível de “piscinão de ramos”. Quando parei por alguns instantes em um banco semelhante ao de uma praça, olhei ao meu redor, e o que vi foi mais que suficiente para me deixar completamente absorto em meus pensamentos. Perguntava-me “o que é isso?”, “o que houve com esse lugar?”, “Que gente é essa?”. Cansei das perguntas retóricas e olhei para mim e meus amigos, parecíamos mais um trio de lordes ingleses em um safári ou uma expedição. Arfei algumas vezes, e pensei comigo mesmo: “C'est la vie”. Hora do narguile! Era uma boa maneira de me distrair de uma forma em meio aquele cenário da Comédia de Dante.
Flanqueado por meus amigos no banco, começamos a recordar as mais hilárias piadas de acreanos (e tantas outras), incomuns, porém muito divertidas. Esse era o único modo de sobreviver na Savana do Peri. Tentei por algumas vezes fitar a bela paisagem, porém não deu muito certo, uma vez que vez por outra um torpor excruciante tomava conta de mim. Tamanha era a antítese da elegância que resolvi ir para o Caldeirão do Diabo, uma praia bem próxima de onde estávamos.
Chegando ao Caldeirão, tudo foi mais tranqüilo, uma vez que eu consegui me sentir uma pessoa comum novamente, muito embora esta praia não tenha grandes multidões. O velho Confúcio já dizia, não tenha amigos diferentes de você. Mesmo não tendo amizades naqueles lados, me sentir melhor por não ser tão diferente. Fazia algum tempo que eu não ia a uma praia de mar grosso, mas gostei de recordar o passado. Lembrei-me dos caldos e resolvi ficar em um locar seguro, só na quebrada das ondas. Não sei por que o mar puxa tanto lá, Yemanjá não ia querer nada disso...
Ao entardecer regressamos e fiquei em silencio com um sorriso torto nos lábios enquanto eu recordava a Lagoa do Peri(go). Cuidado nunca é o bastante!

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