quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Hasta la vista baby


Desterro, 1º de setembro de 2.016.

Não! Não volte! Eu lhe proíbo! Levei muito para sufocar esse sentimento que por muito tempo nutri por ti. Foi em legítima defesa, mas, ainda sim assassinato. Mas, saiba que não me arrependo.

Deixe-me agora. Hei de velar o que sobrou, permita-me a solidão e a sanidade que tanto necessito. Deixe-me fechar as janelas, cobrir os espelhos, sair de cena e vestir o luto. Por fim, parei o pêndulo do relógio, o tempo não importa mais. 

Foram anos efêmeros em uma distante companhia de teu feérico olhar que me seguia por onde eu fosse. Hoje, a lacônica lembrança daquele olhar traz nesta noite uma velha canção que certa vez aprendi: “Bist du bei mir, geh ich mit freuden zum sterben und zu meiner ruh. Ach, wie vergnügt wär so mein ende, es drückten deine schönen hände mir die getreuen Augen zu!” Contudo, a despeito da música, hoje só resta a mim chegar teus olhos, e te oferecer uma ou duas moedas.

É, sei que é um processo lento, mas sei também que com o auxílio copioso de algumas lágrimas e do implacável tempo, hei de purgar-te de minha vida.  

Profundo foi o que senti por ti, e marcante, excruciante... Foi a anátema que vivi por não ser correspondido. A vida sempre segue e que os mortos enterrem seus mortos[1].

Temo e fremo pelo lúgubre dia em que irás ressurgir da fria sepultura e me procurar como o um fantasma com assuntos pendentes... Num ledo engano acharás que tudo são flores! Neste dia verás com teus olhos que as únicas serão teus crisântemos.

Eis a derradeira hora! Eis o último adeus dito sem um primeiro beijo. Você não teve coragem de me amar, e eu saberei te esquecer.




[1] Lc. 9:59-60.

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