Numa rápida pesquisa no google
constatei que o tinder possui mais de 10 milhões de usuários só no Brasil. Em
uma outra pesquisa descobri que existe toda a sorte de aplicativos para celular
onde o objetivo é conhecer pessoas. Alguns é o famoso conhecer bíblico do
primeiro livro, outros apps são um pouco mais “sociais”.
Entre fotos que vão para a
esquerda e direita na minha conta, recentemente fiz dois curiosos contatos. O
curioso que nós três compartilhamos a mesma formação, porém não o mesmo
esclarecimento e tolerância. Para minha desventura, ou não, graduei-me em
direito, e aquelas antas também. Vergonha alheia em saber que num ramo que lida
tanto com pluralidades existam pessoas de pensamento tão pusilânime.
O que ocorre é que no meio de
ambas as conversas me pediram o meu endereço de conta do instagram, e lá há uma
minúscula biografia minha, com sete itens, a saber:
1.Notre-Dame d'Exil
2.Monarquista
3.Amo o inverno
4.Só uso tinteiro
5.Sabrage nas horas vagas
6.Projeto de pianista
7.Nutella lover.
Nasci como gosto de dizer em
Nossa Senhora do Desterro, pois nunca concordei com o arbitrário decreto do
então governador Hercílio Pedro da Luz (1860-24) alterando em 1894 o nome da
cidade para Florianópolis, em homenagem ao facínora Floriano Peixoto (1839-95).
Sim, nossa cidade ganhou o nome de um assassino, e ele ainda estava vivo.
Adoro mesmo o inverno. Passo
muito desconforto com o verão, e o inverno tem lá o seu charme. Questão de
gosto mesmo.
Ainda por gosto e passatempo
adoro canetas tinteiros ou o velho bico de pena, me divirto com o velho hábito
da sabrage imortalizada pelos
hussardos de Napoleão (1769-21), onde com técnica e graça é possível abrir uma
garrafa de champagne com um sabre.
Sempre que possível dedilho alguma melodia no meu velho piano Essenferder e
aprecio tudo que tenha nutella.
Porém o que norteou minha
conversa com esses dois contatos foi a monarquia.
É incrível como mesmo as pessoas,
ditas esclarecidas conseguem confundir a monarquia com o absolutismo. É brutalmente
fácil atacar o desconhecido, assim como é assombrosamente difícil libertar os
idiotas as correntes que eles tanto veneram[1].
Sempre defendi uma monarquia
parlamentarista que deveria existir sob uma Carta Magna, e não o ancien régime. Teríamos um modelo mais
eficaz, uma vez que abriríamos mão do presidencialismo de coalisão com o
congresso, onde o executivo necessita de conchavos políticos com o legislativo
para manter-se no poder e ter condições de governabilidade. No parlamentarismo
o Primeiro Ministro nasceria do Parlamento, mesmo que eleito diretamente, e
seria o Chefe de Governo, cabendo ao Monarca Reinante do papel constitucional
de Chefe de Estado. Mas, é mais fácil fazer as pedras compreenderem isso,
mesmo, que eu tanto em política como em religião nunca tentei convencer ninguém
do que eu sigo, creio ou professe seja melhor o que o que outra pessoa possa vir
a pensar.
A questão sobre a qual eu em
insurjo aqui não é um debate sadio, mas sim a crítica pura. Permito-me aqui uma
brincadeira, eles sabem puramente criticar, mas será que sabem o que é a
crítica da razão pura[2]?
Creio que não.
É esse o tipo de seres que
rastejam por aí. Praticamente uns
sepulcros caiados[3].
Por isso o que me é humano não me é alheio[4],
não é de se estranhar o motivo pelo qual estou sozinho, pois para a maioria, e
era o caso desses contatos, beleza basta. Purcell[5]
estava certo quando musicou “o solitude
my sweetest choice”.
[1] François Marie Arouet, o Voltaire (1694-78),
filósofo francês.
[2]
Immanuel Kant (1724-04) filósofo alemão.
[3]
São Mateus 23, 27-32.
[4] Publius
Terentius Afer, mais conhecido como Terêncio (ca. 195 a.C.-185 a.C. — ca. 159
a.C.), dramaturgo e poeta romano.
[5]
Henry Purcell, 1659-95, compositor inglês.

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