sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Os Idiotas vão tomar conta do mundo

Numa rápida pesquisa no google constatei que o tinder possui mais de 10 milhões de usuários só no Brasil. Em uma outra pesquisa descobri que existe toda a sorte de aplicativos para celular onde o objetivo é conhecer pessoas. Alguns é o famoso conhecer bíblico do primeiro livro, outros apps são um pouco mais “sociais”.
Entre fotos que vão para a esquerda e direita na minha conta, recentemente fiz dois curiosos contatos. O curioso que nós três compartilhamos a mesma formação, porém não o mesmo esclarecimento e tolerância. Para minha desventura, ou não, graduei-me em direito, e aquelas antas também. Vergonha alheia em saber que num ramo que lida tanto com pluralidades existam pessoas de pensamento tão pusilânime.
O que ocorre é que no meio de ambas as conversas me pediram o meu endereço de conta do instagram, e lá há uma minúscula biografia minha, com sete itens, a saber:
1.Notre-Dame d'Exil
2.Monarquista
3.Amo o inverno
4.Só uso tinteiro
5.Sabrage nas horas vagas
6.Projeto de pianista
7.Nutella lover.
Nasci como gosto de dizer em Nossa Senhora do Desterro, pois nunca concordei com o arbitrário decreto do então governador Hercílio Pedro da Luz (1860-24) alterando em 1894 o nome da cidade para Florianópolis, em homenagem ao facínora Floriano Peixoto (1839-95). Sim, nossa cidade ganhou o nome de um assassino, e ele ainda estava vivo.
Adoro mesmo o inverno. Passo muito desconforto com o verão, e o inverno tem lá o seu charme. Questão de gosto mesmo.
Ainda por gosto e passatempo adoro canetas tinteiros ou o velho bico de pena, me divirto com o velho hábito da sabrage imortalizada pelos hussardos de Napoleão (1769-21), onde com técnica e graça é possível abrir uma garrafa de champagne com um sabre. Sempre que possível dedilho alguma melodia no meu velho piano Essenferder e aprecio tudo que tenha nutella.
Porém o que norteou minha conversa com esses dois contatos foi a monarquia.
É incrível como mesmo as pessoas, ditas esclarecidas conseguem confundir a monarquia com o absolutismo. É brutalmente fácil atacar o desconhecido, assim como é assombrosamente difícil libertar os idiotas as correntes que eles tanto veneram[1].
Sempre defendi uma monarquia parlamentarista que deveria existir sob uma Carta Magna, e não o ancien régime. Teríamos um modelo mais eficaz, uma vez que abriríamos mão do presidencialismo de coalisão com o congresso, onde o executivo necessita de conchavos políticos com o legislativo para manter-se no poder e ter condições de governabilidade. No parlamentarismo o Primeiro Ministro nasceria do Parlamento, mesmo que eleito diretamente, e seria o Chefe de Governo, cabendo ao Monarca Reinante do papel constitucional de Chefe de Estado. Mas, é mais fácil fazer as pedras compreenderem isso, mesmo, que eu tanto em política como em religião nunca tentei convencer ninguém do que eu sigo, creio ou professe seja melhor o que o que outra pessoa possa vir a pensar.
A questão sobre a qual eu em insurjo aqui não é um debate sadio, mas sim a crítica pura. Permito-me aqui uma brincadeira, eles sabem puramente criticar, mas será que sabem o que é a crítica da razão pura[2]? Creio que não.
É esse o tipo de seres que rastejam por aí.  Praticamente uns sepulcros caiados[3]. Por isso o que me é humano não me é alheio[4], não é de se estranhar o motivo pelo qual estou sozinho, pois para a maioria, e era o caso desses contatos, beleza basta. Purcell[5] estava certo quando musicou “o solitude my sweetest choice”.

Desterro, 12 de Agosto de 2014.



[1] François Marie Arouet, o Voltaire (1694-78), filósofo francês.
[2] Immanuel Kant (1724-04) filósofo alemão.
[3] São Mateus 23, 27-32.
[4] Publius Terentius Afer, mais conhecido como Terêncio (ca. 195 a.C.-185 a.C. — ca. 159 a.C.), dramaturgo e poeta romano.
[5] Henry Purcell, 1659-95, compositor inglês.

Nenhum comentário:

Postar um comentário