NB. Ainda vou revisar muitas coisas nesse texto, mas vai uma prévia para vocês!
N.S.D., 06 de setembro de 2017
Recebi hoje
num daqueles grupos de “bom dia” do whatsapp
um áudio do Mário Sérgio Cortella sobre o ódio. Ele relata (no áudio de 1
minuto e 57 segundos) a manifestação do ódio, tendo como o exemplo do
fratricídio e o ódio que circula nas redes sociais. Cortella discorre que “o
ódio corrói quem o têm, e não o alvo dele, o ódio corrói quem odeia, e não a
pessoa que é odiada”. Mas, Cortella no seu “efêmero ensaio” sobre o ódio, não o
definiu, então, vou me dedicar inicialmente a isso, então, de acordo com
Aurélio (1971):
Ódio, s. m. Aversão a uma coisa ou
pessoa; inimizade; raiva; rancor; antipatia.
Imperioso é
trazer lume ao que for correlato ao assunto, como:
Odioso, adj. Digno de ódio. Detestável;
repelente; s.m. aquilo que provoca ódio.
E penso que o
verbo não poderia ficar de fora de minha pequena lista:
Odiar, v.t. Ter ódio a; detestar;
aborrecer; sentir repugnância por; abominar.
Desta forma,
já fica claro que o ódio nada mais é que um sentimento forte que nutrimos por
algo ou alguém que nos aborrece, nos traz dissabores, transtornos, e até
repugnamos.
Recorri ao
“Dicionário de Filosofia” de Nicola Abbagnano, mas, ao que parece ele não se
preocupa muito com o ódio, rancor e afins, pois não existem esses verbetes em
sua obra. Como Abbagnano me deixou as escuras, recorro às Sagradas Escrituras,
que abordam o tema de forma variada, como em um primeiro exemplo, na Bíblia de
Jerusalém (2012), onde encontramos o Salmo 97:10:
Iahweh ama quem
detesta o mal, Ele guarda a vida dos seus fiéis e da mão dos ímpios os liberta.
O Catecismo da Igreja Católica
possui um bom conteúdo sobre o assunto, onde há desde as origens até a
condenação ao ódio, como vemos nos seguintes parágrafos:
2262. No sermão da montanha, o Senhor
lembra o preceito: “Não matarás” (Mt 5, 21) e acrescenta-lhe a proibição da
ira, do ódio e da vingança. Mais ainda: Cristo exige do seu discípulo que
ofereça a outra face, que ame os seus inimigos. Ele próprio não Se defendeu e
disse a Pedro que deixasse a espada na bainha (Catecismo, 2011).
Quanto suas origens encontramos uma explanação de Santo
Agostinho onde a base do ódio é a inveja, como podemos observa no seguinte
parágrafo do mesmo catecismo:
2539. A inveja é um vício capital.
Designa a tristeza que se sente perante o bem alheio e o desejo imoderado de se
apropriar dele, mesmo indevidamente. Se desejar ao próximo um mal grave, é
pecado mortal: Santo Agostinho via na inveja “o pecado diabólico por excelência”.
“Da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria causada pelo mal
do próximo e o desgosto causado pela sua prosperidade” (Catecismo, 2011).
Já vimos que o
ódio pode ser bom, como descrito no Salmo 97. Contudo existem outras passagens
das Escrituras, uma que se destaca é uma passagem na tradução do Novo
Testamente da Bíblia ARA – Almeida Revisada e Atualizada – (2012) como esta de São Mateus 5:22:
Eu, porém, vos digo que todo
aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento(...).
Por outro lado, São João em 1 S. João
2:9-11 nos traz que “aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até
agora está em trevas” (Almeida, 2012), contudo a questão aqui não é o ódio
“gratuito”, pois penso que ele nunca é, mas sim o que encontra-se em Mateus
20:4, “e aquilo que for justo, eu vo-lo darei”.
Penso que o ódio esteja ligado à
justiça, ou ao seu “alter ego” que não goza de tantas honras, esse alter ego
que chamamos de vingança, que pode ser também uma “forma” de justiça, contudo
vetada pelo pacto social e por lei. Você
nute algum sentimento ruim por algo, pois entende que aquilo está errado.
Há um costume terrível entre os
brasileiros, pois, os que exigem seus direitos, que exigem o mero cumprimento
da lei são taxados como chatos, barraquentos, bringuentos, fomentadores de
rolos e discórdias. Você é mal visto só por querer o certo e o legal! (sem
contar que há quem diga que você interpreta a lei da forma que lhe convém...
bem lamento informar, para isso há jurisprudência).
Um sujeito não pode dizer que o
meu “ódio” por algo, alguém ou situação é ruim, desnecessário como também ele
não pode vir com o discursinho que “isso vai ter fazer mal”, quando ele mesmo nutre
um ódio profundo e diz que o ex-presidente Luiz Inácio é um traidor que
“deveria ser enforcado em praça pública”.
Todo o livro tem uma carga de
ódio, o ser humano é assim, como podemos notar no Alcorão, Sura da Vaca – 02,
versículo 191 onde os infiéis devem ser mortos. Na Bíblia, temos a passagem de 2
Reis 2:23-24 onde Eliseu praguejou para que duas ursas matassem 42 crianças. A
Torá também não escapa em diversas passagens, até do Gênesis, onde Deus nos
expulsou do Jardim (Gn. 3:1-24), destruir a terra no dilúvio (Gn. 5), a
destruição de Sodoma (Gn.19:5-16), e não, Sodoma não foi destruída por Sodomia,
pesquise!
Alguém pode querer dizer que eu
estou pinçando versículos e os retirando do seu contexto, bem, muitos condenam
a homossexualidade com Levítico 18:22, 1 Coríntios 6:18, 1 Coríntios 6:9-11 e
outras, sempre pinçadas, sempre fora do contexto, sobretudo histórico. Em tais momentos
me recordo de como essas passagens são discutíveis e lembro ainda mais, como o
relato de cura do “servo” do centurião de Cafarnaum (Mateus 8:5-13 e Lucas.
7:1-10), ou o Novo Mandamento (João 13:34) que fez muita coisa cair por terra.
Recordo que Paulo tinha “um certo espinho na carne” dado por um servo de
Lúcifer para que ele não se encha de soberba (2 Coríntios 12:7), ou ainda
quando Cristo disse que não trouxe a paz e sim a espada (Mateus 10:34).
Enfim, cada um escolhe o que amar
e odiar! O problema é quando o seu ódio contra qualquer um é válido, o meu não.
Por vezes olhar para si e
perceber a "caganifância" que se é, é até bom.
Bibliografia
Bíblia de Jerusalém, Ed. Paulus, São Paulo, 2012;
Catecismo da Igreja Católica, Ed. Loyola, São Paulo, 2011;
Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, 10ª
edição, Rio, 1971;
Nobre Alcorão, impresso no complexo do Rei Fahd para
impressão do Nobre Alcorão, Arábia
Saudita, (1426 Hégira) 2005;
Novo Testamento, Almeida Revista e Atualizada, Sociedade
Bíblica do Brasil, Barueri, 2012;
Torá – A Lei de Moisés – Ed. Sêfer, São Paulo, 2011.

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