sábado, 23 de julho de 2022

O irmão que não ama o próximo

 Nossa Senhora do Desterro, 23 de julho se 2022.

Complicado começar a discorrer sobre um tema do qual domino muito bem, mesmo estando profundamente apoquentado com um fato que me ocorreu a pouco nesta noite. Para ser mais justo, o fato é que é algo que tem me ocorrido desde algum tempo, então não é nenhuma novidade. O sentimento que habita em mim hoje é uma mistura do asco da egolatria com o horror do acolhimento porco.

Há nesta "receita" uma generosa pitada de falta de empatia na irmandade que vivo, afinal, quando o amigo te chama de irmão, você crê que é algo mais sério e tangível. Nesta premissa de irmãos, como bom irmão ouvi as mazelas do meu próximo, ajudei, ouvi, acolhi, aconselhei, até briguei quando necessário. Fiz pelo próximo por minha própria vontade, aquilo que julguei e desejei até que fosse feito por mim, e seguindo os preceitos, não esperando nada em troca. Mas quando me deparo, estou na mesmíssima situação, e pergunto: fui acolhido? Houve alguma empatia? O que vejo são apenas pessoas que desejam ser servidas, que não veem que podemos nos ajudar. Em suma, nem por fofoca perguntou. 

Hoje uma coisa ficou muita clara: eu me vi sozinho e mais uma vez preterido pelo próprio algoz de meu irmão. Certa vez ouvi os lamúrios dos meus por cerca de cinco ou seis horas, e jamais ouvi daquela boca queixosa a pergunta: por que sofres meu irmão? Só posso dizer que nossas histórias são iguais, mas o apoio não.

Fala-se tanto em amor ao próximo, mas recordo que o amor não foi amado (S. Franciso?), e ainda recordo mais, será que "dedicando-vos mais amor, serei por isso menos amado?" (II Cor 12:15).

São coisas e pessoas assim que encontro ali. No quesito empatia, de quem eu menos esperava deu um banho.

Meu processo pessoal hoje é de ressignificação de tudo o que está a minha volta, e a lista parece não parar de aumentar. Recordo por fim o capitão da antiga força pública este Estado, Osmar, que em seu livro sugeriu implementarmos o patifismo. Gente pra isso, não faltará para um novo partido.

Um comentário:

  1. Meu querido Deco, sempre assertivo em suas palavras. Já tive esse sentimento muitas vezes, você sabe, mas posso dizer uma coisa: A gente chama como irmão e se comporta como um irmão, às vezes com desavenças, mas sempre, estando juntos momentos bons, ruins, ouvindo, aconselhando, rindo e fofocando. Cara, sei dizer, do fundo do meu coração, é muito bom poder te chamar de irmão. Nossas conversas, que sempre duram mais de horas, não nos deixam mentir. Abraços, meu querido, tu é genial.

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