N. S. D., 29 de outubro de 2017.
Missa na Irmandade do Rosário, cantei com
o coro, tudo tranquilo e habitual.
O que chamou a atenção hoje foram as
leituras, e é claro, a homilia.
Quanto às leituras, a primeira foi do
Livro do Êxodo, capítulo 22, versículos 20 a 26, onde há uma exortação para não
oprimir o estrangeiro, não fazer mal à viúva, não cobrar juros caso se empreste
dinheiro. Algo como não faça ao próximo o que não queres te façam a ti[1]”. Mas confesso que nunca
compreendi muito bem os versículos 21-23 e 26, onde os maltratados gritarão por
Deus e Ele matará a espada o malfazejo, mas o vers. 26 fala que Ele é
misericordioso.
Mais uma vez caio do dilema da
Misericórdia versus Justiça, onde
para alguns são opostos, e para outros são sinônimos. Sob o motto
Misericordia et Justitia o Santo Ofício perseguia os “hereges”... Fico
imaginando se o lema fosse “queimar e matar”. Um dia acabarei com essa dúvida
de justiça e misericórdia, e que seja durante o tête-à-tête[2] que teremos para
contemplar o Criador.
Mas,
voltando às leituras, a seguinte foi o Salmo 17 em resposta à primeira leitura.
Este salmo relata o amor que temos a Deus por Ele ser nosso refúgio, salvador e
senhor. Já a Segunda Leitura foi retirada da Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses
(1,5c-10) que relata o valor da Palavra e da Fé, divulgada por toda a parte, e
a grande cereja do bolo dessas leituras é o Evangelho do dia: São Mateus 22:34-40,
onde perguntaram a Jesus qual é o maior mandamento, e ele sem rodeios responde:
Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o
teu entendimento!' Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é
semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os
profetas.
Pelo óbvio
ululante, não fica difícil de imaginar que os cantos dessa missa foram “O Novo
Mandamento[3]”, “Onde o Amor e a
Caridade[4]”, “Prova de Amor maior não
há[5]”, e a homilia foi orientada
por esta mesma palavra em comum em todas essas músicas e em duas leituras:
amor.
Ouvi
tanto falar em amor ao próximo, e fiquei pensando: o que mais vejo é o julgar
do próximo, ou, o mais provável: falta de amor próprio.
Diante
daquela quantidade absurda de amor, amor ao próximo e Deus no coração, lembrei-me
de uma passagem da obra “O Auto da Compadecida” do imortal, "imorrível"
e vivente eterno Alessandro Suassuna, onde encontramos João Grilo, Rosinha e
Chicó que são interpelados por um mendigo que pede pão. João Grilo nega o pedido, mas
Rosinha dá o pão ao pedinte, e quando este se vai, ela diz: “Jesus às vezes se
disfarça de mendigo para testar a bondade dos homens”.
Isso
me remete a uma frase que certa vez vi na internet: “E se os homossexuais
fossem um plano de Deus para testar seu amor ao próximo, você estaria salvo?”.
Um
amor ao próximo, um ágape, sem credo, cor, gênero, raça, poréns, ou seja, incondicional.
Mas,
como dizem, é mais fácil eu odiar nos outros aquilo que eu não gosto em mim.
Onde
está esse amor da Igreja? Acho que devo perguntar ao Padre Krzysztof Charamsa.
Por
fim, faltam espelhos por ai, mesmo que este fique em frente a quem não quer
ver. Mas, ele está lá, é o que importa.
Saindo da igreja, encontro uma parede pichada: “só através
do amor é possível alcançar a paz!”
[1]
A chamada Regra de Ouro ou Lei dos Profetas, em São Mateus, 7:12 e São Lucas
6:31.
[2]
São Tomás de Aquino (1225-74), frade católico conhecido por sua teologia e
filosofia. Aquino em seu “Adoro Te devote”
nos trás: “Iesu, quem velátum nunc
aspício, oro fiat illud quod tam sitio; ut te reveláta cernens fácie, visu sim
beátus tuae glóriae.” (Em pt.: Jesus, a quem agora vejo sob véus, peço-te
que se cumpra o que mais desejo: que vendo o Teu rosto descoberto, seja eu
feliz contemplando a Tua glória).
[3] “Eu
vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei”,
texto bíblico musicado pelo Pe. Ney Brasil.
[4] “Onde
(há) o amor e a caridade, Deus aí está”, musicado pelo Pe. Ney Brasil.
[5] “Prova
de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão”, de autoria do Pe. José
Webber.

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