Mostrando postagens com marcador Sociologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sociologia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de abril de 2010

Livre-Arbítrio



Existe para nós, membros de uma sociedade o livre-arbítrio? Há muitos que vão dizer que sim, que temos escolha, essa liberdade. Creio eu que todos os religiosos pregam a existência do livre-arbítrio exemplificada na escolha entre as trevas e a luz.
Livre-arbítrio é escolher livremente. Para mim quando algo ou alguém influencia na escolha de algo, não há livre-arbítrio, a exemplo de Eva com a vil serpente no Gênesis.
Nós teríamos um arbítrio totalmente livre? Acredito e digo com veemência que um ser que viva sobre um codex qualquer não possui nada. Pois o indivíduo sabe que se o ato a ser praticado é tipificado (em leis ou costumes sociais) haverá uma sanção legal por parte do Estado ou da sociedade.
A justiça, sentada em seu trono, sem a balança e com a espada comodamente apoiada em suas pernas, “julgará” qualquer ato delituoso (Esta representação da deusa Themis é encontrada no Distrito Federal).
Quem pode então desfrutar do livre-arbítrio? Os selvagens? Aborígenes? Bem, até essas sociedades antropologicamente mais rudimentares possuem suas tradições, suas leis, suas normas de conduta. Então realmente podemos escolher? Será que para isso devemos voltar ao estado original ou de natureza, anterior ao Pacto Social retratado por Hobbes, Locke e Rousseau?
Recordo de Pedro I do Brasil e IV em Portugal que detinha o poder moderador. Mesmo detendo o poder moderador que controlava os outros poderes, ele vivia sobre um codex. Se não o legal, o moral, ou o religioso, e exemplo do decálogo católico, incutido em nossas mentes desde os mais tenros anos. E como estes valores são muito intrínsecos em nós refletimos muito antes de praticar um ato.
Por fim, havendo uma reflexão antes do ato a ser praticado, não há livre-arbítrio, pois tememos as penalidades oriundas das transgressões de nossos atos.

Desterro, 06 de Abril de 2010.