Sofrer também nas provas bimestrais
Junto a você
Serei sempre seu confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel.”
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer?”
Estou em de um modo que eu classifico como estado de graça. Afinal, descobri que as pessoas são descartáveis, sim, li isso em 2009 no blog não meu irmão Caju e só agora que a porcaria da ficha caiu. Talvez dentre os meus poucos leitores, alguém se interpele “por que são as pessoas descartáveis”, ou “qual o motivo pelo qual ele escreveu isso?” A reposta por deveras simplória, são as masmorras do vício, sempre revestidas de hediondez e leviandade e em que nada acrescentam a nada e tão pouco a alguém.
Sendo assim, quando pomos de lado o escudo, quando baixamos as máscaras, abrimos o véu, finalmente damos margem a quem realmente prova seu valor; o mundo gira, nada como um dia após o outro, estas são as verdadeiras vicissitudes da nossa vida.
Vicissitudes estas que nos mostram que sempre se pode caminhar para frente, e assim sendo, nada melhor que se libertar dos laços dos vermes vis e cair nos braços do redentor. Só para constar, um velho adágio: “os canalhas envelhecem e os vermes também procriam”, creio que isso está colaborando e em muito para o meu estado de graça. Pois, creio que não há nada de mais gratificante em ver os tolos caírem na mais profunda desgraça quando conduzidos pela cegueira da própria ignorância... Sobretudo quando foi devidamente admoestado não só por mim sobre seu tragicômico fim.
Mas voltando à graça que me alça aos Campos Elísios, como foi bom poder sentir novamente o doce néctar da liberdade mais uma vez, depois de tantos anos. Confesso que espero um bis e muito mais daqueles olhos azuis. Saberei mais alguma coisa hoje após o poente.
Nª.Sª.D., 10 de dezembro de 2011.
Avaliar a si mesmo sempre foi um grande problema para qualquer pessoa, afinal, elogio em boca própria nada mais é que um vitupério próprio dos tolos. Pensamos que não se trata bem disso, uma vez que, não há uma só pessoa que passe pelo Escritório Modelo de Advocacia de qualquer faculdade, sem aprender algo extraordinário com a prática jurídica tão protelada ao longo do curso, ou que não se sensibilize com os casos que nos são apresentados semanalmente. De certo modo, compartilhamos as dores de nossos clientes, tentamos viver as suas tristes vidas, e por vezes acumulamos juntamente com a função de advogado para o auxilio nos meios legais, o papel de sacerdote para a alma angustiada e psicólogo para acalmar e oferecer conforto.
Conforto este que é oferecido a pessoas humildes, cada uma com sua história, temos desde problemas trabalhistas, passando por inventários e a dor da perda, e chegando finalmente na mãe aflita por si e, sobretudo, seu filho e os pedidos de alimentos no delicado momento em que ela se vê sozinha no mundo.
Com o passar do semestre, aos poucos começamos a entender e nos habituar com a rotina do EMA, bem como a rotina de um advogado, ou seja, problemas dos clientes, petições a serem redigidas, pesquisar a serem feitas, audiências a serem marcadas e assistidas. Confessamos que essa é uma rotina puxada, e por muitas vezes entediante, porém, no fim das contas notamos que é gratificante. Gratificante, pois não interpretamos a lei de forma puramente seca, mas sim pensando e analisando através de um prisma social, uma vez que o direito é uma ciência social e por conseqüência deve ser humanista.
Acreditamos que o EMA tem desempenhado um papel de escola no sentido aristotélico do termo, pois ali tem sido um ambiente onde aprendemos de tudo um pouco, como tolerância, companheirismo e uma nova visão do mundo jurídico bem como o mundo humano como um todo. Com o passar do tempo, aprendemos também que devemos mudar o nosso tolo pensamento de que todo cliente é um problema, um chato que vem roubar-nos a paz e a tranqüilidade, aprendemos que devemos em nosso papel de futuros operadores jurídicos, contribuir cada um com sua parcela para um mundo mais justo e até menos beligerante.
Por fim, e não por isso menos importante, devemos agradecer a oportunidade que só se faz possível através de nossos pais, e nossos professores, em especial a nossa orientadora, Profª Emiko Liz Pessoa Ferreira que com sua paciência e carisma nos cativou para desempenharmos essa nobre profissão.
Deixemos então o esplim, descruzemos os nossos braços e lutemos por uma sociedade mais justa, isso é o direito, isso é ser advogado.
N.S.D., 25 de novembro de 2.011.
Hoje resolvi tentar compreender o destino, ou melhor, as coincidências que a vida nos traz. Nos dias 16 e 17 do corrente mês resolvi de modo muito prático e célere chutar literalmente o pau da barraca, afinal, até onde alguém vale à pena? Como uma amiga me convidou para ir até as fortalezas de barco, nada melhor que fazer algumas analogias com a nobre arte naval. Depois que eu embarquei em um escaler imundo, furado e com um rudimentar maquinário a vapor resolvi mudar um pouco os ares e deixar esse barquinho de “estivador” que consumia muitas “pedras” de carvão, e partir para algo mais moderno, no mínino um iate que há algum tempo tem me chamado a atenção.
No dia 18, sexta-feira, fui como sempre para o escritório modelo da faculdade para o atendimento ao público, sim, fazemos a caridade, mas com o chapéu da instituição que leva a fama de instituição cidadã... Chegando lá com uma lancinante enxaqueca e louco para dilacerar uma jugular como pescoço de galinha em dia de molho pardo, me vem a minha orientadora e pede para corrigir algumas provas da graduação. Acho divertido, porém, mesmo com dor de cabeça era melhor que ouvir as mesmas histórias de sempre no atendimento. Aceitei, afinal, não custa ajudar a minha orientadora, pela qual nutro muita estima e prece.
Com quarenta e sete avaliações a serem corrigidas, lá fui eu para minha mesa, munido com uma caneta vermelha, impávido para distribuir algumas notas, até umas vermelhas se fosse o caso, afinal, gabarito é gabarito. E a orientadora diz: “não seja cruel!”. E eu disse: “e essa prova aqui, ele rasurou, mas acertou e a nota dele não vai ser boa, considero a questão como certa (mesmo querendo considerar, as provas não eram minhas)”? Ela afirmou que sim, que eu poderia considerar, e assim fui, corrigindo prova a prova. Lá pelas tantas, resolvi ler o conteúdo da avaliação. Era uma prova de civil da sexta fase, coisa pela qual já passei faz um ano mais ou menos, depois de um tempo, reparei que a prova tivera sido aplicada naquela manhã, até então tudo normal. Até o momento em que me deparei com uma avaliação em específico, uma cujo nome fora escrito com letras de forma, de modo que não havia de se duvidar da identidade de quem a fez, ao contrário de outras que mais pareciam cartas de Chico Xavier. Para essas últimas, recorri ao meu copo de café que eu havia conseguido na copa, dava sempre uma espiada na borra do café pra ter uma luz quanto ao nome na prova.
A prova diante dos meus olhos e pronta para um canetaço de 7,5 era da lavra da segunda “embarcação”, a qual, no início desta crônica eu rotulei como um iate mais moderno. A grande questão é que como eu disse, nos dias 16 e 17 eu havia me interpelado até onde esse passeio marítimo pudesse ser interessante e válido; e eu havia constatado que seria muito interessante ampliar os horizontes e buscar novos mares. Porém, dia 18 lá estava ela, a bendita prova! Seria apenas uma infeliz (ou feliz) coincidência? Confesso que fiquei e ainda estou muito confuso com isso tudo. Será que ainda merece uma primeira chance? Sim, pois depois das pedras de carvão, quero deixar as navegações para quem realmente queria se arriscar demais nos mares.
Todo esse papo naval e marítimo me lembrou uma canção do Pe. Zezinho: “... junto a Ti, buscarei outro mar”. E essa prova, viria a provar alguma coisa? Viria a mudar meu pensamento?
N.D.E., 19 de Nov. de 2011.
Há sempre quem acrescenta, e sempre há e haverá quem apenas subtrai. Parece até uma máxima, não? Muito embora soe como um bordão, essa frase é de minha lavra, afinal eu ainda penso. Comodismo não pode ser a base de nada, a não ser do próprio comodismo. Em nome deste se tem feito verdadeiras atrocidades e burrices desmedidas. E o lamentável desta situação é que podemos usar um outro bordão, bem oportuno aqui: “quem ama, cuida”. Creio que é absolutamente incompatível o “cuidar” e “amar” se você sufoca e não deixa a pessoa “amada” trabalhar e estudar.
E diante do fracasso latu sensu – lalu talvez de latindo mesmo, gritando – o amor sempre acaba na geladeira vazia. Pessoas deslumbradas e sonhadoras têm esse problema: o amor basta... até a fatídica briga oriunda de uma situação inevitável que se originou lá no início de uma vida profissional medíocre. Quem ama como o “amor de moela – eu amo ela, eu amo ela, eu a‘moela’” não acrescenta nada, muito pelo contrário, suga tudo o que pode como um parasita imundo que destrói completamente o hospedeiro.
Então, não vejo como um relacionamento cômodo e parasitário pode ser benéfico. Muito pelo contrário, é um fardo para ambos que se deixar levar por essa tolice. E outra coisa que me intriga, como se pode viver com alguém que vive em função de outra pessoa? Sim, pois uma das partes não tem vida própria, vive em função da outra (como parasita); o que acontece quando o ser intruso põe termo ao hospedeiro? No caso dos “humanos”, o parasita descarta o hospedeiro como um lenço pustulento. E para as chagas decorrentes desta lancinante dor não há bálsamos nem ungüentos que reparem o mal que foi impiedosamente desfraldado outrora.
Meu pai, no auge de sua maturidade nos traz um pensamento cristalino: “só é usado quem se permite”. É isso que o uso demasiado de máscaras pode fazer com o indivíduo que não assume sua verdadeira condição de ser pensante, estudioso e trabalhador. A vida é deveras efêmera, a juventude é breve e a beleza se esvai como os grãos de areia em uma ampulheta.
N.S.D., 17 de agosto de 2011.
Veja só, como são engraçadas as pessoas, elas simplesmente somem de nossas vidas, e do nada ressurgem como a fênix... E o quanto isso me fez alegre. Ontem, o dia começou cinza, e só haviam palavras mordazes, mas com uma boa conversa com muitos risos, com Natasha e o Pau do Índio, este último traficado pelo frater Joannem Petrus, um pianinho, uns narguiles e um filme para fechar com chave de ouro uma noite coroada de alegrias para todos. Quase um final feliz, não para todos, claro, afinal há sempre quem fique em casa se mordendo em uma síncope lancinante. Ah! Recadinhos, patético.
Enfim, voltando... Ontem pude ver um pouco mais por debaixo dos véus e conhecer um pouco mais de uma criatura até então insondável. Já sei, vai ter quem pense merda, errr, mas não vou me estressar não. Eles não valem a pena, afinal, nem amigos eles possuem.
Bem sei como a sociedade, o mundo e tudo mais pode fustigar uma alma e torná-la muito diferente do que ela sempre foi; como eu sempre disse, somos muito diferentes, e ao mesmo tempo totalmente idênticos. Por vezes até no pensar... Nós mesmos mudamos com os acontecimentos dos últimos anos.
Viu como não dói, e não custa nada? E ainda é muito bom, tranqüilo e o melhor de tudo é saudável por que não existem todos aqueles excessos. Desnecessário dizer o que quanto mais fores moderado mais aproveitarás.
Por fim, agradecer ao amigo desaparecido por ter se lembrado de mim. E para terminar, uma coisa que parece tola, mas creio que para nós não é: eu tenho muito o que aprender com você, e você têm muito o que aprender comigo. Você ensinou-me o que é pedir desculpas, e eu ensinei-lhe um pouco de moderação alla in media virtus est!
Nós assim vamos longe, e com jäger! Kkk.
Ósculos e amplexos fraternais,
Tio Deco
N.S.D., 25 de Julho de 2011.
Já escrevi sobre muitas coisas, mas não me recordo de já ter escrito algo que por muitas vezes anda de mãos dadas com o relacionamento amoroso entre as pessoas: a infidelidade. Quem sou/somos eu/nós para julgar? Bem, esta é uma pergunta retórica, embora para muitos eu tenha que desenhar . Mas voltando, mesmo não podendo e nem devendo julgar, isso não me impede de discorrer sobre este tema tão divertido por vezes, trágico sempre, e um tanto quanto perigoso. Esse mesmo tema aborda um outro tema, muito mais abrangente, e do qual deleito-me em minhas lucubrações noturnas: a ética.
Este ato totalmente despido de sentimentos , impudicado baseado e revestido em hediondez humana é lamentavelmente tão antigo quanto ela própria. Seguir o nono mandamento do decálogo (e olha que o próximo não estava tão próximo assim) tem se mostrado uma tarefa hercúlea ao longo de séculos , e desde a antigüidade o tema têm sido levado ao esgotamento. Se no período medieval e renascentista o amor (que é uma das três virtudes teologais – Amor ou Charitas) foi tratado como uma patologia, o que dizer então das fervenças da carne?
Exorto-o para que cortes do seu convívio esta jaca podre, e sempre reflita sobre o fruto da árvore envenenada.
Este é um doa grandes ardis do “demônio”, seduzir muitos com o simples intento causar-lhes dor e sofrimento, e é claro, obter alguns benefícios mundanos. Assim sendo, não entendo como abres tuas portas para isso.
Em local por mim ignorado, 24 de junho de 2011.
Nesta fria noite me deparei com a seguinte frase: “O mais importante na vida - e acima de qualquer problema que tenhamos - é poder compartilhar uma alegria com aqueles que mais gostamos!” Então vou expor a você, meu caro leitor, a seguinte situação hipotética: seu afilhado é aprovado numa prova da mesma magnitude da prova de medicina da UFSC, e não fala nada para você, logo você é importante para ele?
Alegar falta de tempo em nossos dias, com tanta tecnologia é inaceitável, pois, com apenas um mísero minuto e a paupérrima quantia de cinqüenta centavos pode-se enviar um torpedo via celular e assim dividir um pouco as suas alegrias. Tão simples como um tolo cálculo de adição no primário. Durante o Popule Meus entoado na Paixão há um trecho que devo transcrever: “o que mais devia ter feito por ti e não o fiz, responde-me”.
A vida nos ensina a não esperar muito das pessoas que amamos. O grande dramaturgo inglês Shakespeare nos lembra “E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.”
Ele mesmo nos adverte: “Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias... Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam,
percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.”
O tempo é um personagem implacável, responsável por apagar tudo. Não sei o que por ventura ele possa ter apagado. Para mim, ele não apagou nada, mas só podemos falar por nós mesmos, jamais pelos outros.
N.S.D., 02 de Junho de 2011.