terça-feira, 3 de novembro de 2015

Das cinzas as cinzas do pó ao pó

Ontem, dia de finados, conversei muito com uma amiga acerca de algumas questões teológicas e espirituais sobre a cremação. A questão que surgiu foi se a alma/espírito sentiria algo nesse processo tão radical. A primeira questão que levanto, e sempre a abordei de forma objetiva é o tempo que essa alma leva para separar-se por completo do corpo já sem vida. Pois, admitir que a separação seja imediata, é, no mínimo pressupor que essa alma vá imediatamente para algum lugar, independentemente de ser o céu, inferno, purgatório ou mesmo o limbo.

Mas, sempre pensei que esses quatro lugares são como repartições, órgãos e entidades públicas, tais como prefeituras, escolas, hospitais, e outros sem número de possibilidades que só fazem a burocracia aumentar. Ir para qualquer desses lugares, é sem a menor sombra de dúvida, uma odisseia além-túmulo.

Partindo desse princípio, o julgamento, segundo Paulo (V. Hebreus 9:27 e 28) é após a única morte o homem será julgado. Penso que a pauta de julgamento está bem conturbada, e está saindo processos pelas nuvens a fora.  Então há uma “sala de espera”, tipo dessas bem “descuncumbelhadas” que tem em toda a rodoviária, e por ali fica a alma mesmo. Ou ela fica junto ao corpo que logo apresentará os livores e o rigor mortis, ficará ali tentando compreender que ela já não pertence mais ao mundo dos vivos.

Penso que a ascensão direta e imediata aos céus, nirvana, valhalla, campos elísios, fábrica de toblerone , seja qual for o nome, ocorrem com pessoas como a Irmã Dulce da Bahia. E por lógica, o inferno a Mao Tsé-Tung responsável pela morte de 70.000.000 (setenta milhões) de pessoas (embora as pessoas só lembrem-se do imbecil austríaco).

E quanto a nós? Simples e meros mortais sem grandes feitos em nossas vidas (bons ou não)? Penso que, quem ao forno for, mesmo que por tendências ecológicas, vai por assim dizer, passar calor. Teologicamente você será o touro de Lucas, oferecido em holocausto, porém o sentido é outro, e fico pensando se o odor seria agradável a Deus (V. Núm. 29 e Lc. 1).

Para mim é muito achismo e muita aparência. Assim, como as pessoas que eu rotulo como “sepulcros caiados”. Sim, eu rotulo as pessoas, após uma curiosa análise, eu as rotulo, uma a uma, faço isso com qualquer um, afinal, é do ser humano rotular. Se o leitor pensar em me criticar, eu o chamarei de hipócrita, pois sei bem que todos fazem isso, as pessoas sentem uma constante necessidade de se enturmar, de serem aceitas em um grupo, família, sociedade. As pessoas se auto rotulam. Definitivamente, eu não posso ser criticado por admitir e constatar isso tudo. A rotulação é minha, é pessoal e secreta.

Sim, é lógico que pela pecha da carne eu, como qualquer um cometo erros. Já achei que algumas pessoas eram, digamos, no mínimo desagradáveis, mas, com o tempo isso mudou; e também já rotulei outras como “irmã Dulce”, mas na realidade era apenas Bezaliel, um demônio (ou anjo caído com o Lulu, se preferirem). Por isso que tenho guardado meus rótulos para mim. Se a pessoa passou por um mau julgamento de mim parte, é uma grata surpresa quando percebo o erro e vejo que há algo de bom ali. Mas, em sentido oposto, a decepção (por assim dizer) é bem maior quando vejo uma pessoa que eu julgava ser mais evoluída e espiritualizada pôr as garras de fora. Mas, como sentencia um velho adágio: “a cruz nos peitos e o diabo nos feitos”, ou como disse um Francisco (não, não é o argentino) é como “dar a carne ao diabo e os ossos para Deus”, ou para a deusa que estapeia, conforme o panteão.

Eu realmente acreditava que não comer carne (ou melhor, conseguir abster-se dela) por questão religiosas era um sinal de espiritualidade elevada. Aí me toquei que Hitler era vegetariano, além é claro, de não beber, fumar, ou prevaricar (sim, é uma piadinha sobre um ministro também, fica aqui a referência).

Enfim, você se dá conta, que essa pessoa “evoluída” é a mesma que te prejudica, deliberadamente por seu gosto mais apurado, uma preferência política distinta e incomum, uma cultura superior, uma posição social melhor, ou simplesmente, por que seu senso estético é mais apurado, seu conceito de arte e de belo é distinto.

Você não pode jamais dizer que o belo é o que você ama, pois a criatura não amada se sente feia. Quando você diz do que gosta, você é rechaçado por isso (vou deixar outra ref. aqui: “A História da Beleza”, de H. Eco).

Alguns vão realmente se doer por que você aprecia, por exemplo, as formas clássicas das esculturas renascentistas, barrocas, ou as telas do romantismo alemão. Falar em Pietà e Davi (de Michelangelo), Cristo Velato (de Giuseppe Sanmartino), Le Génie du Mal (de Guillaume Geefs), Ratto di Proserpina (Bernini) é uma afronta. Não tem como não se encantar com a alva carrara, não há como não se apaixonar por seus corpos delgados, e como não apreciar uma escultura de primeira.

Alguns gostam das Vênus Esteatopígicas (V. Vênus de Willendorf). É direito de cada um gostar, ou não, assim como se tem o direito de expressar isso.

O problema dos rótulos hoje, é que eles evoluíram, ou melhor, involuíram... Hoje eles não servem apenas para identificar a principal característica de alguém, hoje esses rótulos servem para que os preconceitos sejam aflorados, exteriorizados. Há também nesses dias a questão do politicamente correto, que chegou a tal ponto, que o Professor Karnal não faz mais metáforas com o autismo por exemplo. Agora somente se fala em “isolamento odontológico e heurístico”. Tudo bem, mas voltando, hoje gostar de Murillo, Velásquez, Bouguereau, Friedrich, Doré, Caravaggio, Coubert e não gostar de Miró, Escher e Dali é um verdadeiro problema, pois você é preconceituoso. Ai você ganha esse rótulo abertamente.

Pelo politicamente correto não se pode mais exaltar as qualidades do que você gosta, como por exemplo, a escultura do Cristo Velato de Sanmartino. A beleza (que está nos olhos de quem vê) do corpo maltratado e sem vida de Nosso Salvador, envolto em um fino sudário certamente ofende quem admira uma escultura tipo Romero Britto.

Dizer que você não gosta do MC sei-lá-o-quê, do Britto, do Paulo Coelho, de funk, ou não gostar do trabalho de um ator que ganhou a Framboesa de Ouro é uma monstruosidade de uma hediondez sem par, algo comparável às atrocidades dos fanáticos islâmicos (e alguns cristãos, e outras religiões também, que entram por legenda). Enfim, qualquer coisa que você não goste pode ser rotulada de preconceito.

Seria preconceito meu em dizer que essa alegoria toda foi apenas para pessoas intelectuais? É preconceito meu dizer que hoje as pessoas são niveladas por baixo? E com razão!
Eis que por tanta apuração minha, alguém teria se ofendido e teria se empenhado em uma verdadeira cruzada por vingança, só por que eu não aprecio as esculturas “zen-niponísticas”. Isso é demais para mim.

Para tentar elucidar essa questão curiosa questão, vou tentar alguns caminhos... Digamos que um compositor como Mahler pergunte a mim: “que tipo de música você gosta?” E eu respondo que gosto da pegada repleta de irascibilidade de Beethoven, da racionalidade matemática de Bach e do appassionato de Brahms. Nisso, nosso amigo Mahler se ofende e desfralda sua ira, mostrando, mesmo que de forma sutil, quem realmente ele é. Acredite quem quiser. E quem não acreditar ou conhecer, que compre!

Mahler vai continuar escrevendo suas sinfonias com solo de marretas por ai. As ouça quem quiser. O mais divertido é que nos tempos que nosso amigo me aprontava umas, tudo deu errado na sua vida, e até com a polícia ele se incomodou. Não é mais fácil cuidar da própria vida?

Eis a hora de rever o rótulo empregado nesse caso: onde outrora havia um “zen”, vou pôr outro rótulo, com a gravura de um crânio com um par de tíbias acrescido com o termo “veneno”. É nessas horas que eu brinco com Rousseau e digo que pode até nascer bom, mas antropofagicamente ele se corrompe. É... Mais uma vez me decepcionei com um amigo, ou melhor, alguém que eu pensei que fosse um. Alguns dizem que o nome disso não é “amizade” mas sim “filhadaputagem”. Seria isso, ou coisa pior?

Em uma longa análise e em um longo debate com a amiga do inicio da crônica, chegamos à conclusão que faltou um rótulo a mais para Mahler: o da inveja. Afinal, os nomes dos invejados formam uma boa lista.

Imperioso é nos afastarmos o quanto antes desse tipo pessoas, amigos, ou seja lá quem for que tenha qualquer tipo de inveja de você. Afinal, quem ter a sua volta pessoas negativas que se escondem atrás de um jardinzinho zen, pessoas que não conseguem ficar feliz por nossos sucessos, por nossas conquistas, enfim, por nossa felicidade. J.K. Rowling foi muito feliz ao criar a figura do dementador, que é um espectro que se alimenta da felicidade das pessoas.

Devemos ter muita atenção nas pessoas ao nosso redor. Muitas usam máscaras, e se olharmos bem, iremos notar que por detrás dessas máscaras, sempre cai um pouco das cinzas, como aquelas que sobram nos fornos. Aquele pó cinzento que nos indica que um dia aquilo já fui um ser humano.



NªSªD., madrugada de 2 e 3 de novembro de 2.015. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Um filme, e uma felicidade

Nossa Senhora do Desterro, 04 de agosto de 2014.

Hoje vi um filme, e depois de muito tempo sem escrever nada, senti uma súbita vontade de fazer a velha pena percorrer mais uma vez o alvo papel.

É desta maneira que deixo os sentimentos mais felizes fluírem plenamente, e desta mesma maneira que os mais nefastos também vêm à tona.

O filme? Importa? Título? Ao leitor importa que assisti um filme que me tirou da casinha (ou me pôs lá, é o mais certo) por alguns momentos deixei o tártaro passando pelo érebo, e depois cheguei ao mundo dos vivos bem en passant para chegar no paraíso (penso eu que era lá). Enfim, pouco importa, mas me era bem melhor que o tal Salão de Odim (Valhalla?), Nivana, Campos Elíseos, e o que mais tiver... Todos juntos!!

Sentir-me novamente vivo e com esperanças novamente, mesmo ante minhas desventuras. Por alguns momentos esqueci-me da sacolinha com um quilo de trufas que comprei para manter a serotonina em níveis decentes.

Afinal, sabemos bem que o chocolate é o que tem umas “ínas” da vida, mas uma tola “incapacidade” não que ajuda a encontrar outros meios que ter minhas serotoninas...

Phoda-se! Se tenho ou não, phoda-se! Consegui sair um pouco do mundo onde todos querem e sempre exigem algo de mim! Saí por alguns momentos do mundo de falsos que de auto intitulam de amigos, de inimigos “justos” (ai é querer demais também né?) e de onde parece que o diabo tem mais a perder do que Deus tem a ganhar. Eis meu mundinho, de dois ou três cantos.

Por quase quinze anos busquei das mais variadas formas essa tal felicidade, mas quando ela estava na minha frente, a poucos passos, ela simplesmente desaparecia, sempre me pregando uma peça. O tempo foi passando, e eu fui experimentando outros golpes do destino, até que eu resolvi por em pratica também as minhas artimanhas, e me parece, até hoje, algo bem simples: deixar a vida encarregada de tudo, que aconteça... É deixar a felicidade chegar quando ela quiser, e não procura-la incansavelmente como uma fera busca sua presa.

Acho que vou ficar mais um pouco aqui, divagando comigo mesmo sobre a minha felicidade, mesmo que nada mude, mesmo que eu continue a me decepcionar com os amigos (que terão muitos limites e restrições de hoje em diante), mesmo que a vida pare... Sonhar, mesmo que acordado é bom.

Não importa, vou ser feliz, mesmo que muitos não queiram.

Cansei dos esquemas ardilosos da vil politicagem, dos falsos, creio que em especial me fartei dos que desmerecem minha amizade, meu amor e a pouca paciência que eu tenho.

Deixei um amigo que pensei que jamais pensei em deixar, e que jamais me deixou só: meu narguilé. Sempre estaremos juntos, mesmo que eu não fume mais. Mesmo sendo apenas um objeto qualquer para alguns, e é claro, um vício, mesmo assim, ele foi melhor que muitos amigos.

Então, hoje eu sou feliz. Escrevo, dedilho meu velho piano onde escrevo algumas notas, bebo meu chá (afinal, hoje me chamaram de “Duque de York”), afinal, o chá e o champagne têm que sem bom.
Serei feliz, sem oportunistas, sem aqueles que só pensam em seus próprios problemas, sem os imbecis que acham que sabem tudo, e os frouxos que só acham que eles são os “valentões”.

Serei feliz, em meu mundinho, feito de livros, chás, piano, música, e por vezes uma sabrage para “agregar” valor. Afinal, o Duque tem que ter um pouquinho de lazer.

Sejam, vocês, felizes, como num filme desconhecido, e phoda-se o mundo! Chegaremos ao padrão plenitude!
  


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sou eu que vou ser seu colega...

“Seus problemas ajudar a resolver
Sofrer também nas provas bimestrais
Junto a você
Serei sempre seu confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel.”

        Este é o caderno. Só isso. Carolina Maria de Jesus tinha lá os seus. Retirados das latas de lixo que ela, pobre, miserável, catava pelas imediações do Canindé. Foi com este caderno que ela deixou suas memórias, num relato único de como podemos ser cruéis. Seus cadernos foram rejeitados por uma afamada editora. Mas um dia foram descobertos, e foram traduzidos para mais de treze línguas.

        Eu não tenho tal pretensão. Mas, mesmo não sendo contemporâneo de Carolina, e mesmo já tendo terminado o meu caderno antes de conhecer sua obra, posso dizer que temos algo em comum: o registro das memórias. E por estes registros, conhecemos as pessoas no âmago do seu ser.

        Naquele velho caderno vermelho, não estão as minhas opiniões, mas sim fotos que ao longo de um ano me chamaram de algum modo minha atenção. O mesmo aconteceu com Carolina.

        A memória humana não é plena e perfeita. Ela está sujeita a lapsos que faz que as informações se percam com o tempo. Especialmente com o que não tomamos por verdade.  Quando “A” critica “B” pelas costas, mas tem muitos afagos pela frente, percebemos que “B” não presta, não o “A”. O tempo passa e aprendemos quem é quem, e aprendemos que sempre há aquele que merece ser defendido. Por fim, silenciosamente somos expectadores de um circo de horrores, que nada mais é que um apanágio tão comum dos humanos.

        O caderno sempre estará envolto no denso véu do mistério, pois assim ele cumpre muito bem a sua função. E o que fascina muitos no caderno, é que ele não está encerrado no escrínio da mente, mas sim, é físico e palpável! Porém mesmo sendo físico ele não pode ser lido, pois está umbilicalmente ligado à mente, ligado às nossas ideias e opiniões. Certas intervenções e intenções alheias se foram claras, serão sempre desastrosas e somente vão contribuir para disseminar mágoas e outras porcarias. Mas é pelo que foi escrito naquelas pequenas folhas que podemos ir ao socorro do próximo quando a injustiça é feita. Sempre de uma forma sutil.

“O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer?”

Apenas observar, e interferir quando é necessário, por justiça.


N.S.D., 11/04/14.

terça-feira, 25 de março de 2014

Uma Música para a Justiça Divina

Hoje, ouvindo um pouco de música, e sabendo da situação de um amigo recordei uma velha canção;
Sempre tem aquele que cria uma situação desagradável... E fico pensando que aquele que teve que muito aturar poderia cantar algo assim (tradução bem livre):

Lá fora na escuridão, um há um fugitivo correndo longe de Deus. Longe de Suas graças. Que Deus seja minha testemunha! Eu nunca desistirei, até estarmos face a face. Ele conheceu o caminho no escuro, e meu caminho é o do Senhor, os que seguem na direção do direito terão sua recompensa. E se caírem como lúcifer caiu... As chamas, a espada!

Estrelas em profusão, impossíveis de serem contadas, preenchendo a escuridão. Com a ordem e com a luz, serão sentinelas silenciosas e confiantes que tomam conta da noite. Conhecem os seus lugares no céu, mantêm os seus rumos e propósitos. E cada uma em sua estação, retorna e retorna! E é sempre a mesma. 

E se caírem como lúcifer caiu, cairão nas chamas! E que assim seja, tudo está escrito... A entrada do Paraíso, que os que hesitam e os que caírem, pagarão o preço. Senhor, permita-me acha-lo, que eu possa vê-lo seguro atrás das grades! Não descansarei até então! Isso eu juro, eu juro por estas estrelas!

N.S.D., 22/03/2014. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Ensaio da Pedra

N.S.D., 10 de dezembro de 2013.

       Sinceridade. Não sei ao certo a origem desta palavra, uma vez que etimologicamente falando há algumas versões para ela. Há a corrente que afirma que a palavra tem origem na palavra latina Sincerus, que seria algo como “limpo”, “puro”, “sem nódoa”. Já a etimologia popular é um pouco mais interessante com sua historieta, que é a seguinte:

       Na Roma antiga, os talhadores inescrupulosos (veja bem, simples talhadores e não construtores) utilizavam peças de mármore de má qualidade, tais pedras possuíam as mais diversas imperfeições, rachaduras e laivos. Que eram descaradamente cobertos com cera. Aí surge o busto de carrara (e não a cara escarrada) com máscaras. Então uma boa pedra, devidamente polida era sine cera, ou seja, sincera, honesta.

       Penso numa justa analogia com os muito polidos e os que ficam em caráter ad æternum. Esses polimentos “dito perfeitos” que são na realidade nada mais que uma maquiagem barata, pois, à luz do astro vivificador esse polimento e pompa se vão como as asas de Ícaro.

       Logo, tais pedras não servem como pedras de tropeço, e não como pedras construtivas, uma vez que essa última mesmo que seja de difícil burilamento são as que mais apresentam força e vigor para o ofício da construção.

       É assim que podemos distinguir as pedras bem como pessoas.  E nesta análise ao expormos um causo podemos ver o tipo de cera empregado. Nas mais diversas expressões que ouvimos encontramos três que são mais recorrentes:

I – O que escuta e aconselha, conforme suas vivências;
II – O que faz pequenas ponderações se o causo fosse seu;
III – O que simplesmente te julga.

       Cuidado com a cera, Ícaro, pois com a luz verdade e a figura implacável do tempo só vem a derreter e nos mostrar as nódoas de tua face, de teu caráter.
Devemos então, na medida do possível, escolher bem a pedra. Uma má pedra, é perda de tempo!


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Voltando ao Blog e Divagando

Pois! Passei muito tempo sem escrever no meu terapêutico bloguinho... mas desejo ir retomando o hábito da escrita para o blog. Nunca deixei de escrever, e sempre à mão, mas nada digno de nota. Vamos ao que importa: divagar!

Esses dias eu estava divagando sobre vários assuntos, como sempre faço, e me veio uma triste realidade a mente: mesmo detestando o direito e a faculdade, tenho um lado de advogado bem marcante na minha personalidade, pois gosto de convencer as pessoas daquilo que eu não acredito. Não faço isso com credos, pois já acho o meu muito complicado, e a bíblia por si só já é uma caixinha de surpresas “pandorísticas”.

Outra divagação se deu depois de uma olhada em um livro de 1873, do Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Arcebispo da Bahia e Conde de S. Salvador, juntamente com o Reverendíssimo Senhor Bispo do Pará (quanta pompa!) discorrendo sobre a questão religiosa no Segundo Reinado. Quem estudou história sabe do que falo, sabe de toda a confusão que houve na época. Mas a questão religiosa aqui só serve de pano de fundo...

Eu disse: “quem estudou história...”, e eu pergunto agora: quem estudou isso na escola? Não é de hoje que o governo se preocupa mais com brigas do que com a educação... a saúde... e o bem-estar do povo.

E a escola tem uma estrutura confusa no que diz respeito ao ensino. Na história é um desastre, estuda-se tudo por alto! Sei que não se tem tempo para tudo, mas por exemplo: eu não tive nada sobre a Guerra do Contestado na escola, e esse tema tem tudo a ver com a terra onde nasci e onde eu estudei. Na geografia Brasil é por alto também, fico pensando quantos sabem dizer os nomes de todas as Unidades Federativas. Mas se fala da savana e ai tem quem se lembre do Pumba!

Na física, não digo que é inútil, mas pensa na praticidade de se saber tudo sobre movimento retilíneo ou força centrípeta. Na educação física é só dar a bola para os alunos. Na química, recordo uma ocasião em que eu conversava com um professor, e eu disse que deveríamos reduzir um pouco as exatas e focar em humanas. Pra quê eu fui dizer isso? Para ele esbravejar e me perguntar: “tu nunca fez um pão e usou fermento?” Mas, nem sabe esse douto catedrático que o pão usa fermento biológico, e não químico.

Na matemática são os cálculos estranhos, como progressões aritméticas e geometria espacial! Nada como saber quanto de água cabe num cilindro, cone, icosaedro, dodecaedro, cubo, incubo e súcubo... só pra phoder com você.

O que eu quero dizer é que tem que se dar mais atenção ao aluno. Não estou por outro lado dizendo que não teremos mais matemática, química e física, mas deveríamos ter noções gerais sobre essas três matérias, e o aluno que demonstrar mais interesse pode complementar seus estudos nessa área.  Não conhecemos a própria terra, não sabemos cantar seu hino, somos desleixados com a própria língua.

No fim das contas, das nossas escolas, saem doutores em matemática, física e química, todos fluentes em inglês... A culpa não é do professor, mas o governo e do povo.


Mas, na República de Bananas é tudo uma zona. 


N.D.E., 12 de Agosto de 2013.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Exorcismo e Limpeza

      Rito do Exorcismo Maior completo! Como é bom, sentir-se leve! Nem os fortes entenderão o que eu estou escrevendo nessas tão mal escritas linhas! Deixa quieto como dizem. É um divisor de águas, que dividiu e o destino foi feliz em sua escolha. Assim como fui igualmente feliz ficar um tempo em casa, digerindo um pouco alguns cravos de ferro e depois de quase um ano e meio, voltei às plagas do norte. Claro, é verdade, muitas lembranças me vieram à mente, inicialmente como fantasmas, ou melhor, demônios, que miraculosamente se dissiparam como fumaça ao sabor de uma brisa de verão.



     Depois, de tudo passado resolvi andar mais uma vez pela vieux ville, muito mudou em pouco tempo... afinal, esta cidade difere das outras por parecer sempre viva. Lembrei de alguns alten kameraden, mas, alguns há uma década que não os vejo... Mas a essa conjuntura é complicado revê-los. É desgostoso, desditoso que o tempo arquitete isso, porém, há sempre algo místico, mágico nessa estranha peculiaridade que ele possui: ser implacável em apagar tudo. Ele sabe o que faz. Assim, deixei o sol entrar nos cômodos e purificar o que carecia de limpeza.



      Ao entrar pela casa, lembrei de muita coisa, porém, essas lembranças foram subitamente extirpadas da minha memória. Fica o que é bom, e se foi o que não deveria ser recordado. Enfim, em casa novamente.

Desterro, 04 de Janeiro de 2014.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Mais uma por ai...


Hoje em uma esplêndida aula da décima fase da direito, acabei por divagar mentalmente sobre os suicídios de Émile Durkheim. Suicídio é realmente algo fascinante  uma vez que a prima vista, temos um corpo que pode ser detalhadamente estudado, (por vezes um pouco de tanatopraxia se fazer necessária) e em um segundo momento o que levou a morte em si.

Enquanto divagava comigo mesmo, acabei passando por algumas páginas da internet e acabei caindo em uma página onde li o seguinte: "Quando Deus pensou em criar a humanidade, disse: vou ali cagar e já volto". Então, resolvi mudar o foco desta postagem.

Após esta publicação, houve uma intensa chuva torrencial nos comentários condenando das mais variadas formas. Bem, tudo bem, é um tanto pesado, mas, cada um tem suas preferências e ao que parece aquela frase quem dizem que é de autoria de Luiz Fernando Veríssimo é uma grande verdade. Eis a frase: "As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas".

Tenho inúmeras opiniões sobre os mais diversos temas, e procuro sempre ponderar e não argumentar dizendo isso ou aquilo, muito menos dizendo que é pecado. Se Deus nos criou a sua imagem e semelhança, como estava escrito em um comentário, então, semelhante é é apenas parecidos. E isso na visão religiosa, só isso. Claro que se alguém não gostou, tem sim o direito de se manisfestar, mas não ficar empurrando goela abaixo que é pecado, que sente pena de quem postou a tal frase.

Nosso Estado é laico, ou ao menos se auto-denomina assim, mesmo quando a Suprema Carta é promulgada sob a proteção de Deus, ou quando o STF ou outros órgãos governamentais ostentam em suas paredes um magnífico crucifixo.

Sempre fui contra, não por que a cruz é cristã, mas pelo fato de que entre os cristãos ela é tira como sagrada, e assim sendo, creio que não é lugar para ela.  O Santo Ofício muito matou em nome Dele, então, acho que é hipocrisia pregar o não-matar, por exemplo.

Porém, a hipocrisia não é minha, mesmo sendo católico, não sou assim. Ninguém deve ter pensado que quem pode ter escrito isso era um ateu, ou alguém que estava desgostoso com alguma coisa. Também não passa pelas cabeças pequenas que isso é humor, negro, mas humor.  Quem não gostou da piada pode gostar de uma piada contra os ateus, ou contra os argentinos... e então, como fica isso? Não fica, pois, ma deturpada mente de alguns, eles são sempre, mas sempre certos. Será que alguns são detentores da verdade absoluta?

Outra postagem que me chamou a atenção em uma rede social era mais ou menos assim: "o que você acharia se ao invés de uma bancada evangélica, fosse uma bancada umbandista tentando aprovar as leis do ponto de vista deles?"  Cada um que tire suas conclusões. Mas, vejo que uns são mais tolerantes com as diferenças do que outros que vivem pregando uma coisa, e fazendo e dizendo outras.

Tolerância é a chave.

N.S.D., 10 de Outubro de 2012.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Amizades


Pensei em deixar essa crônica de lado, e deixar a vida seguir. Contudo, novos fatos ocorreram neste final de semana do feriado da Independência.
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Estava pensando em divagar sobre a amizade ou coisa do tipo.
Sábado anoite (01/09), e um narguile com o meu famigerado extrato da maldade. Ou seria verdade? Mein lieb schwarz cola já regou alguns dos meus laivos de sanidade, enquando isso a agulha de metal extrai do baquelite as notas de Lili Marleen. Sim, música da primeira Grande Guerra.  Guerra... Sempre tive a convicção de que isso é a maior estupidez humana. Mas a amizade também pode ser. Segundo o adagiário popular: "Deus me defenda dos amigos, pois dos inimigos me defendo eu". Detalhe: como a coca é zero, nada de álcool. Logo estou estupidamente sóbrio. Assim sendo, já vou diantando que sou adepto da filosofia de Deus: ou você me ama (no sentido ágape), ou vai por inferno!

Está a cada dia mais excruciante aturar esse tormento chamado amigos. Já que o tema pode ser amplo, resolvi consultar um dicionário lusitano, afinal, portuguezes sabem bem ser literais. Amizade: n. f. 1 - afeição, afeto, bem-querer, benquerança, dileção, estima, dedidação, desvelo, ternura, carinho, amor, favor, graça, apego, simpatia, predileção, atração, inclinação, benevolência. 2 - acordo, aliança, ligação, união. 3 - camaradagem, companheirismo, cumplicidade, comadrio. 4 - cordialidade, familiaridade.

Será que muitos, que figuram resplancecentes no meu rol de amizades do facebook são mesmo amigos verdadeiros? Ousaria fazer uma lista com dez, só não os numerarei para não correr o risco de ser eventualmente injusto. Agora, se você não está bem, e um amigo se importa, você deve prontamente atende-lo, caso contrário não passa de drama, charme, pirraça mesmo. Fazer o que, as pessoas gostam mesmo de teatro e incenso.

Outras, simplismente, somem, sem dar satisfação, afinal, você não é útil para elas naquele momento. Mas tenha meu leitor, certeza de uma coisa, quando elas necessitarem de algo bem específico, elas vão lembrar que você existe e vão reaparecer como um passe de mágica no seu talk, no seu celular, email, mural do facebook... ou mesmo na sua porta. Tudo isso para ir logo pedindo um favor.

É nessas horas que me falta presença de espírito para tocar um "phoda-se symphônico sem dó em cima de si" e vociferar entre os dentes "que diabos você quer de mim agora?" Ou aquele velho bolero que cantava uma personagem de Caio Fernando Abreu: "que queres tu de mim?"

Tenho esse defeito incorrigível de ser coração mole mesmo sendo um mal-humorado nato, e acabo acolhendo a "infeliz" criatura, quando na verdade deveria enxotá-la feito um cão leproso de minha porta. Uma pessoa assim é um nojo. Hoje, falando sozinho sobre isso, soltei em alto e bom som algo que fiquei rindo comigo mesmo: "Pai, matai-as, pois elas sabem o que fazem." Sim, as pessoas para mim tem a mais plena e divina consciência de que só aparecem novamente quando querem algo. Como cantaria Cris Nicolotti "vai tomar no c*!"

Outra muito interessante vem do adagiário popular (livro que não me farto de ler), é o seguinte: "amigo de mesa, não é firmeza." E quantos são assim? Desses ao longo dos anos fui conhecendo o âmago de cada um. Uma horda de imprestáveis mesmo. Aláis, fiat justitia, esses, dotados de um farisianismo ímpar servem mesmo é de mau exemplo e são muito caras de pau. Se ralar a cara de uns, vai sair um excelente lote de óleo de peroba!

Parece até uma lei do universo, quando você está bem, há muitos amigos a sua volta! Já quando você não esté bem,  parece que eles o evitam de propósito. Propósito... Alguns definitivamente não compreendem que na vida tudo em sua razão, seu propósito.

Mas tudo isso meremete à Parábola do Filho Pródigo. Enquanto ele tinha dinheiro oriundo da antecipação de sua legítima, ele vivia rodeado de infindos amigos; contudo, quando ele viu-se completamente desprovido do vil metal, todos sumiram. Com o passar dos séculos, alguma coisa nessa história mudou, ou melhor, foi acrescentada. Hoje, os amigos somem por não te acharem mais interessante, ou por terem coisas melhores para fazer. Bem, coisas da vida e do nosso globalizado e capitalista planeta. Mas quando necessitarem...

Porém, amigo que se preza não vai lembrar de você somente naquele momento que necessita de algo. Foi o que me ocorreu semana passada. Eu estava um dia  anoite conversando com uma amiga e comentando o então rascunho do que vos escrevo, e fiquei pensando nessas amizades. Curiosamente no dia seguinte, meu telefone toca pela manhã, olho para o identificador, penso dez vezes, mas, resolvi atender. E advinhem o que era? Afinal, como já tive que ouvir "as pessoas desmerecem sua amizade", mas são elas que desmerecem, e não eu. O que vale lembrar aqui é que há muito essa pessoa não falava mais comigo.

Vou continuar tratando como sempre tratei (ou não tão bem para não ficar abusando da minha quase inexistente paciência), mas vou ser como todos os membros dessa vil sociedade. Porém, com um diferêncial, não vou ser falso tão pouco hipócrita, mas vou me afastando e se perguntar o que não deve, vai ouvir o que não quer.

No fundo, quem fica chateado sou eu, afinal, ninguém mais se importa com ninguém hoje. Tão pouco com uma amizade que parecia prosperar.

Ah, mais uma coisa que me deixa profundamente irritado é: marque um compromisso comigo e não apareça e tão pouco dê explicações.  Mas, em breve farei isso. Deve ser tão bom quanto brincar com as pessoas, com os sentimentos, dos outros. Bem, veja meu caro leitor! Deve mesmo ser algo muito saboroso, um néctar que não encontramos nem no Nivana, Céu, Campos Elíseos, Valhalla ou Olimpo. Caso não fosse, então alguém me responda o motivo pelo qual uma pessoa brinca com a outra? Só pode ser bom mesmo! Assim como não compreendo o motivo pelo qual um juiz sempre ganhou absurdamente bem! Afinal, tem tanta gente julgando de graça por aí.

Ao que consta, Ernesto Rafael Guevara de la Serna também discorreu, mesmo que brevemente sobre tais amizades. Quem quiser, que procure.

N.D.E. 12 de setembro de 2.012.


Post Scriptum: Como li em uma rede social, não adianta o mundo se ofender com uma indireta. Se ofendeu? Sim? Então o barrete lhe serviu muito bem. E não é um barrete qualquer, é aquele infame, vermelho e frígio barrete. Ná próxima, serei direto com a qualificação completa: Nome, naturalidade, estado civil, residente e domiciliado(a) a rua, inscrito(a) no Cadastro de Pessoas Físicas sob o número, portador(a) do RG número... Para alguns só desenhando mesmo! Kkk.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Um Sonho


        Muito complicado. Ainda não sei bem o que estou sentindo. Muita coisa está escapando com muita facilidade à minha percepção... A ficha não caiu ainda.

        Nesta noite, sonhei com minha primeira sogra. Sempre me dei muito bem com ela, e com todas diga-se de passagem. Por vezes falei que eu deveria ter casado com a sogra, isso sim.

        Nunca a vi como uma hábil serpente, repleta de ardis e outras tantas insídias que tanto ouvimos por ai de acordo com a vox populi. Mas ao que parece, ela também erra.

        Hoje, na primeira oportunidade que o dia me deu, consegui falar com a minha ex, e comentei do tal sonho estranho e perguntei por sua mãe. Soube que estava muito bem diga-se de passagem, porém, nesta noite, enquanto eu sonhava, fazia sete dias que meu sogro tinha se passado.

        Quem me conhece, sabe que não sou de inventar algo assim, tão pouco para escrever isso, sou um péssimo escritor. Como mesmo digo: "sou músico, não escritor".
     
        Ainda estou perplexo, sem entender nada, assim como minha mãe, que é muito espiritualizada e imagino que ela saiba o que eu estou passando. Mesmo depois de anos, só posso pensar numa coisa: que estranho vínculo é esse que persiste ao tempo?

        Por fim, requiescant in pace homo. Pois sem você, eu não saberia, mesmo que efemeramente o que é a felicidade plena.

Sem mais.

Nossa Senhora do Desterro, 05 de Setembro de 2012.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

12 de Junho



  Pensei em escrever sobre o ontem, mas não tenho nada para relatar, contudo revirando muita coisa por ai, encontrei algo do Caio Fernando Abreu que achei muito interessante; eis a transcrição:

“Do que adianta namorar, se for pra trair? Do que adianta aparência, se não houver caráter? Do que adianta um sorriso se for falso?”

Simplesmente sensacional! Essas duas míseras linhas sintetizam bem como é o ser humano hoje: leal como uma serpente, carinhoso como um rinoceronte, bondoso como um demônio e mais caráter e retidão, dos políticos, claro.
Esperado por muitos, e odiado por uma horda de solteiros. Uma coisa eu tenho que admitir no que diz respeito ao 12 de junho: “é muito casal fingindo que se ama, e muito solteiro apaixonado”. Essa pérola eu devo ter lido em alguma rede social, porém, é a mais pura verdade. Hoje as pessoas não querem nada mais sério, hoje se quer ser feliz a todo pano, porém, ninguém, há muito mesmo, que não pensa mais em fazer alguém feliz e assim ser feliz. Será que dentre os escassos leitores desse blog alguém consegue mensurar o que é isso? Pois eu já me sinto como o último humano da terra.

Pessoas são complicadas demais, e ao que parece gostam mesmo de complicar. Fita-me descaradamente quando conversa com outra pessoa... Fico me perguntando o real motivo disso. Outra, fica com um sorriso lindo quando estou por perto, mas, ao que parece prefere viver nas trevas.

Ao longo dos anos tive algumas ideias quanto a isso tudo: sempre vi o amor como minha religião, o corpo o altar, e a fidelidade um dogma; contudo hoje só tenho nostalgia ao recordar o velho passado. Em nome desta nostalgia acabei por cunhar a seguinte frase: “Sabe quando você é feliz quando ninguém notou que você existe?”

Hoje, diante de tamanho farisaísmo das pessoas temos que aprender a nos esquivar dos inescrupulosos e saber discernir entre um sentimento impoluto e as morbígeras concupiscências que pelejam contra a humanidade.

E assim a vida segue... em mais um 12/06, onde pergunto: "é você satanás?".

Desterro, 13 de Junho de 2012.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A Educação nas Terras de Vera Cruz


Für meinen Bruder und Lehrer.

Muito refleti, e não posso me furtar de discorrer sobre o que eu disse para um seleto grupo em um almoço. As palavras que proferi foram que não deveria ter matemática, física e química como temos hoje em nossas escolas. Meu irmão que é professor de química só não se valeu da autotutela por ser meu irmão. Ele questionou-me “tu nunca fizeste um pão?” Respondo, sim, e estava muito bom, e lamentavelmente você não estava aqui para prová-lo... uma pena. No mais, se eu não estou enganado, usa-se fermento biológico (vivo) para o pão e químico para o bolo  Porém não acho que seja necessário sabermos que a reação química do fermento em contato com a massa causa uma reação química e por consequência faz a massa crescer. Eu sei que a massa cresce e o pão fica bom, para mim basta. Para muitos basta. Não digo que não seja importante saber isso, cultura não ocupa espaço, e nunca ocupará.

Questionaram-me sobre quem, por exemplo, quiser ser engenheiro, penso que além de boas noções sobre as cadeiras supracitadas, penso que se devem ensinar boas noções de matemática, física e química. Dos três anos do ensino médio, um deveria ser cientifico, já os outros anos, deveriam ser línguas, ética, moral, bons costumes, filosofia, sociologia etc.. Onde está a “educação moral e cívica”? Penso que o ensino religioso também seria válido, uma vez que não fazendo apologias a um credo ou outro, muitos se esquecem do “não matarás”, “não roubarás”, “honrarás pai e pai”, “não cobiçarás a mulher do próximo”, e tantos outros que podemos elencar em uma infinda lista. Na conclusão do triênio estudantil deve-se aplicar um exame vocacional para que o educando possa melhor definir a sua trajetória acadêmica.

À exceção de poucas áreas específicas, quem aplica a fórmula de Báskara? Ou quantos elétrons o importantíssimo gás oxigênio tem na sua camada de valência? Ou como é que calculamos que um veículo em movimento retilíneo uniforme de 29 metros por segundo leva para colidir com uma barreira que fica há 10 km do ponto inicial da corrida? Os educando hoje não passam de uma horda de verdadeiros apedeutas que não dominam sequer o vernáculo. O circo está pleno na hora de fazer cumprir a Lei n. 12.031/2009 que altera a Lei 5.700/71 e obriga as escolas de ensino fundamental a cantarem o Hino Nacional uma vez por semana.

Antes, os alunos iam para as escolas com educação, respeitavam o corpo docente e lá adquiriam cultura; hoje, temos alunos sem educação alguma, um desrespeito total e pleno a tudo. Hoje o professor deve ensinar só cultura como história, química, geografia, matemática, física, biologia para selvagens. O professor hoje além de tudo tem que ser psicólogo para lidar com as instabilidades inclusive emocionais de seus alunos. Por vezes reflito nas palavras de João da Ega (Os Maias de Eça de Queiroz) “a ignorância triunfou neste pais”. Eu apenas discordo, pois muitos nessa grande gleba que é o Brasil ainda se esforçam para mudar este deprimente cenário.

Não sei mais o que dizer.

N.D.E., 24 de maio de 2012.

domingo, 8 de abril de 2012

O Eu Lírico


“Diante das bruxuleantes chamas, o tempo se esvai entanto a dura pena corre com urgência o velho pergaminho... Em uma taça de prata, a água, e noutra de cristal, o vinho, tão diferentes e tão distantes... não se misturam... e ao lado, como um mero expectador na plateia, o velho diário, sempre implacável na sua rigidez férrea de não esquecer as mágoas de um coração turgido pela dor.”
Andy Schweitzer
Desterro, 08 de Março, Domingo da Ressurreição – 2012.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Tédio e Chuva

Um dia de chuva numa sala de aula, o tédio me consome as entranhas e minha alma. Tudo bem que o “pobre” professor se esforça. Não vamos ser hipócritas, eu pago as mensalidades e não é pouco, então pobre não cabe aqui. Mas bem, mesmo assim isso não vai me perturbar tão pouco me deter de escrever algumas poucas linhas.
Meu tédio. Grande tédio, certa vez eu li (acho que foi num livro do Jim Dratfild) a seguinte expressão: “tédio: o desejo de ter desejos”. E acho que é mais ou menos isso, porém tenho lá meus desejos nessa nefasta noite de tediosa e estupidificante aula com um monte de cálculos inúteis... Mas em meio o tédio e a loucura, ainda tenho desejos. Desejaria então tantas coisas, algumas deveras necessárias, como uma cama e uma boa soneca; um jantar decente. Um pouco de frio iria muito bem, com chocolate quente, claro. E como diria Caio Fernando Abreu: talvez eu precise de féria, um porre e um novo amor. Ou tudo, exceto números!
Quanto vou sonhando, e ele vai falando do IPVA... Bem, não tenho carro, logo não tenho que me preocupar com isso...srsrsr. A vida por vezes se torna tão excruciante e maçante que simplesmente vegetamos em uma desconfortável cadeira.
Fico então assim, vagando pela minha própria mente, pensando por vezes em um pouco de fumaça narguilística, um café... uma boa companhia...
Tenho um neozine estrategicamente guardado na minha valise “em caso de aula entediante: tome o vidro”. Kkkkk. Desculpem, mas esse é o único meio de não surtar aqui hoje, sou seja, rindo da minha própria desgraça. Queria mesmo cozinhar com os Genoveses, dizer porcarias com a Sommariva (cadê o Rakin?), viajar comparar educadores, como Piaget e Tio Deco com a Proleta Araucária... todos me são muitos caros.
Epa! E no meio da aula ele vai falando dos tributos que os templos religiosos não pagam. Depois de inúmeras comparações, e com a turma rindo ele pergunta: do que vocês estão rindo? Já sei, vocês já descobriram que é mais lucrativo ter uma igreja do que fazer direito! Kkkkkk Isso sim prestou.

NªSªD., 14 de Março de 2012.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A Disparidade no Carnaval - O Cultural e o Povão

Há alguns dias recebi um convite do qual eu não poderia sob hipótese alguma declinar, integrar juntamente com virtuosíssimos músicos a “Orchestra Philarmônica Destherrense”. Creio que a Philarmônica é única, devido a uma filigrana muito própria: a arte de tal orquestra é desafinar, sempre! E quanto mais, melhor! Há algumas questões históricas que devo relatar aqui, nos idos anos de 1950, o governo proibiu a população de vestir-se de mulher, em especial de mulher grávida, pois era algo muito indecoroso para os padrões da época. Devo também salientar que o carnaval de rua sempre satirizou e trouxe a baila questões e problemas de seu tempo, como podemos constatar nas ruas com o grande número de pessoas fantasiadas como a cantora britânica Amy Winehouse, falecida em julho p. p.. Também podemos ver nas ruas de carnaval personagens de destaque no Brasil, tinha até Dilma Rousseff com a faixa presidencial desfilando pelas ruas. Como o governo baixou a proibição do uso de trajes femininos, um grupo de amigos resolveu munir-se de alguns acessórios não muito usuais no carnaval, tais como, casaca, gravata borboleta e por vezes uma lustrosa cartola.

Os amigos reunidos e dignamente trajados valeram-se de alguns instrumentos comuns das grandes orquestras e saíram pelas ruas da capital tocando fervorosamente. Um pequeno detalhe, que na verdade é fundamental aqui: o músico para ser aceito deve saber desafinar como ninguém! Assim, por tradição e fraternidade esse protesto histórico se perpetua na capital catarinense há mais de meio século. Outro hábito muito difundido à época era o tradicional bigode, era algo austero... coisas dos anos dos acordos do "fio de bigode”.

Mas, por hora basta das histórias transcorridas há mais de cinqüenta anos, vou relatar o presente. Compareci ao clube – sim, carnaval de clube, muitos não devem saber o que é isso, mas já fui a alguns – com o instrumento escolhido, terno preto e gravata borboleta. Lá houve uma confraternização entre os músicos. Nada de música estranha. Na frente de onde estávamos, transcorria o baile infantil com as tradicionais marchinhas. No churrasquinho só um bom papo de alto nível com pessoas realmente excepcionais. Isso tudo me incute na mente uma reflexão que poucos devem fazer no período do carnaval: a qualidade dos festejos.

Um carnaval de clube e com um bloco como a Philarmônica, é algo muito diferente do que estamos habituados a ver nas ruas nos tempos de folia. Hoje vemos somente uma verdadeira falta de educação, pessoas quem usam as vias como urinóis fossem; as pessoas andam seminuas, completamente embriagadas, entorpecidas, foras da casinha mesmo. E chamam isso de festa. Não houve uma inversão de valores, mas sim uma subtração destes. Hoje só há tempo para orgias alcoólicas – e não só estas – e é claro, sangue. Se um infeliz destes fosse sozinho para os braços do velho deus Tanatos, seria um favor para a humanidade.

Hoje a população passa por um processo de estupidificação, e isso vem de longa data. Estúpidos latu sensu mesmo, só é bom o rapaz que “passa o rodo”, bebe todas e pega o carro, como o infeliz de 18 anos que atropelou 17 pessoas no carnaval em Bal. Quintão, RS. Já quanto às garotas de “família”, bem, um neologismo: “piriguete”, valores morais que é o bom, nada, algumas já são ''mães; e ambos na balada escutam Michel Teló. Não posso concordar com o artista plástico Veronese que diz que o povo consome o que lhe é oferecido. As bibliotecas estão abarrotadas com as obras de Victor Hugo, Alexandre Dumas, Julio Verne, Machado de Assis, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Manuel Bandeira. No campo musical, bem, quem não tem um computador para acessar hoje uma rede social como o facebook... (para não dizer do fuckbook, sim, descobri isso essa semana e ao que parece, essa porcaria é obra de um brasileiro). O povo consome o que quer, eis a verdade, nua e crua.

N.S.D., 22 de fevereiro de 2012.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cor Privata Spe

Tempos estranhos, complicados. Tempos em que temos verdadeiros regimes ditatoriais, afinal “ditadura é quando você manda em mim, e democracia é quando eu mando em você”. Quem tem uma generalíssima em casa que se vire.

Mas não é sobre tal causo que quero discorrer hoje, mas sim sobre algumas noites tomadas por densas trevas que insistem em não se dissipar... há quem espere a vinda do astro rei para trazer algumas coisas de volta, a luz o astro o vivificará. Mas, as noites podem ser eternas, a saudade fere como a lança de Longinus o cor privata spe. Cada um é o artífice do seu destino, sorte e por extensão a felicidade.

Hoje negligenciam-se as coisas do céu em nome das coisas terrenas. Tolos, sic transit gloria mundi, S. Terezinha afinou uma vez: “a vida é um breve instante entre duas eternidades”. Mas, creio que a eternidade posterior está atrelada ao efêmero momento terreno. Tão límpido, mas alguns ainda não compreenderam “tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu (Mt. 18:18).”

Há sempre um masoquista, afinal, aprecia muito dos grilhões da ignorância. A humanidade, de uma certa forma, está assim, ainda na caverna mítica, caminhando no reino de sombra e de caos, onde a noite faz as vezes de claridade (Jó 10:22).

E o ouro de tolo? Nem tudo que reluz é ouro.

Coma excrementos, se desejar, mas por obséquio, não tente eructar diamantes aos quatro ventos!

N.S.D., 20 de fevereiro de 2012.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Do Fundo do Baú do Tio

Essa é das antigas mesmo!




Valsa da Despedida.

Compositor: Robert Burns - Versão: Alberto Ribeiro e Braguinha (João de Barro)



Adeus, amor, eu vou partir

Ouço ao longe um clarim

Mas, onde eu for, irei sentir

Os teus passos junto a mim

Estando em luta, estando a sós

Ouvirei a tua voz



A luz que brilha em teu olhar

A certeza me deu

De que ninguém pode afastar

O meu coração do teu

No céu, na terra, aonde for

Viverá o nosso amor.

NSD, 29 de Janeiro de 2012.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Insanæ Et Vanæ Curæ


Nas palavras de Ney Brasil: “É um pensamento sem dúvida salutar!”
Nas correspondências trocadas com o pe Ney, eu fui um pouco mais além: “uma verdade inquestionável e salutar.”

Insanæ et vanæ curæ invadunt mentes nostras.
Sæpe furore replent corda, privata spe.
Quid prodest, O mortalis, conari pro mundanis, si cœlos negligas?
Sunt fausta tibi cuncta, si Deus est pro te.

Insanas e vãs preocupações invadem nossas mentes, muitas vezes a loucura toma conta dos nossos corações, que são destituídos de esperança. Que aproveitará a você, ó mortal, a luta pelas coisas terrenas, se você negligenciar as do céu? Todas as coisas lhe são favoráveis, se Deus está com você.
O texto latino acima foi musicado por Joseph Haydn em uma data entre 1805 e sua morte em 1809. Deleitem-se: http://www.youtube.com/watch?v=PSYK5JHgRnA.

Desterro, 26 de Janeiro de 2012.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Estado de Graça

Estou em de um modo que eu classifico como estado de graça. Afinal, descobri que as pessoas são descartáveis, sim, li isso em 2009 no blog não meu irmão Caju e só agora que a porcaria da ficha caiu. Talvez dentre os meus poucos leitores, alguém se interpele “por que são as pessoas descartáveis”, ou “qual o motivo pelo qual ele escreveu isso?” A reposta por deveras simplória, são as masmorras do vício, sempre revestidas de hediondez e leviandade e em que nada acrescentam a nada e tão pouco a alguém.

Sendo assim, quando pomos de lado o escudo, quando baixamos as máscaras, abrimos o véu, finalmente damos margem a quem realmente prova seu valor; o mundo gira, nada como um dia após o outro, estas são as verdadeiras vicissitudes da nossa vida.

Vicissitudes estas que nos mostram que sempre se pode caminhar para frente, e assim sendo, nada melhor que se libertar dos laços dos vermes vis e cair nos braços do redentor. Só para constar, um velho adágio: “os canalhas envelhecem e os vermes também procriam”, creio que isso está colaborando e em muito para o meu estado de graça. Pois, creio que não há nada de mais gratificante em ver os tolos caírem na mais profunda desgraça quando conduzidos pela cegueira da própria ignorância... Sobretudo quando foi devidamente admoestado não só por mim sobre seu tragicômico fim.

Mas voltando à graça que me alça aos Campos Elísios, como foi bom poder sentir novamente o doce néctar da liberdade mais uma vez, depois de tantos anos. Confesso que espero um bis e muito mais daqueles olhos azuis. Saberei mais alguma coisa hoje após o poente.

Nª.Sª.D., 10 de dezembro de 2011.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Avaliação Crítica – EMA

Avaliar a si mesmo sempre foi um grande problema para qualquer pessoa, afinal, elogio em boca própria nada mais é que um vitupério próprio dos tolos. Pensamos que não se trata bem disso, uma vez que, não há uma só pessoa que passe pelo Escritório Modelo de Advocacia de qualquer faculdade, sem aprender algo extraordinário com a prática jurídica tão protelada ao longo do curso, ou que não se sensibilize com os casos que nos são apresentados semanalmente. De certo modo, compartilhamos as dores de nossos clientes, tentamos viver as suas tristes vidas, e por vezes acumulamos juntamente com a função de advogado para o auxilio nos meios legais, o papel de sacerdote para a alma angustiada e psicólogo para acalmar e oferecer conforto.

Conforto este que é oferecido a pessoas humildes, cada uma com sua história, temos desde problemas trabalhistas, passando por inventários e a dor da perda, e chegando finalmente na mãe aflita por si e, sobretudo, seu filho e os pedidos de alimentos no delicado momento em que ela se vê sozinha no mundo.

Com o passar do semestre, aos poucos começamos a entender e nos habituar com a rotina do EMA, bem como a rotina de um advogado, ou seja, problemas dos clientes, petições a serem redigidas, pesquisar a serem feitas, audiências a serem marcadas e assistidas. Confessamos que essa é uma rotina puxada, e por muitas vezes entediante, porém, no fim das contas notamos que é gratificante. Gratificante, pois não interpretamos a lei de forma puramente seca, mas sim pensando e analisando através de um prisma social, uma vez que o direito é uma ciência social e por conseqüência deve ser humanista.

Acreditamos que o EMA tem desempenhado um papel de escola no sentido aristotélico do termo, pois ali tem sido um ambiente onde aprendemos de tudo um pouco, como tolerância, companheirismo e uma nova visão do mundo jurídico bem como o mundo humano como um todo. Com o passar do tempo, aprendemos também que devemos mudar o nosso tolo pensamento de que todo cliente é um problema, um chato que vem roubar-nos a paz e a tranqüilidade, aprendemos que devemos em nosso papel de futuros operadores jurídicos, contribuir cada um com sua parcela para um mundo mais justo e até menos beligerante.

Por fim, e não por isso menos importante, devemos agradecer a oportunidade que só se faz possível através de nossos pais, e nossos professores, em especial a nossa orientadora, Profª Emiko Liz Pessoa Ferreira que com sua paciência e carisma nos cativou para desempenharmos essa nobre profissão.

Deixemos então o esplim, descruzemos os nossos braços e lutemos por uma sociedade mais justa, isso é o direito, isso é ser advogado.

N.S.D., 25 de novembro de 2.011.

sábado, 19 de novembro de 2011

Provas de todas as naturezas

Hoje resolvi tentar compreender o destino, ou melhor, as coincidências que a vida nos traz. Nos dias 16 e 17 do corrente mês resolvi de modo muito prático e célere chutar literalmente o pau da barraca, afinal, até onde alguém vale à pena? Como uma amiga me convidou para ir até as fortalezas de barco, nada melhor que fazer algumas analogias com a nobre arte naval. Depois que eu embarquei em um escaler imundo, furado e com um rudimentar maquinário a vapor resolvi mudar um pouco os ares e deixar esse barquinho de “estivador” que consumia muitas “pedras” de carvão, e partir para algo mais moderno, no mínino um iate que há algum tempo tem me chamado a atenção.

No dia 18, sexta-feira, fui como sempre para o escritório modelo da faculdade para o atendimento ao público, sim, fazemos a caridade, mas com o chapéu da instituição que leva a fama de instituição cidadã... Chegando lá com uma lancinante enxaqueca e louco para dilacerar uma jugular como pescoço de galinha em dia de molho pardo, me vem a minha orientadora e pede para corrigir algumas provas da graduação. Acho divertido, porém, mesmo com dor de cabeça era melhor que ouvir as mesmas histórias de sempre no atendimento. Aceitei, afinal, não custa ajudar a minha orientadora, pela qual nutro muita estima e prece.

Com quarenta e sete avaliações a serem corrigidas, lá fui eu para minha mesa, munido com uma caneta vermelha, impávido para distribuir algumas notas, até umas vermelhas se fosse o caso, afinal, gabarito é gabarito. E a orientadora diz: “não seja cruel!”. E eu disse: “e essa prova aqui, ele rasurou, mas acertou e a nota dele não vai ser boa, considero a questão como certa (mesmo querendo considerar, as provas não eram minhas)”? Ela afirmou que sim, que eu poderia considerar, e assim fui, corrigindo prova a prova. Lá pelas tantas, resolvi ler o conteúdo da avaliação. Era uma prova de civil da sexta fase, coisa pela qual já passei faz um ano mais ou menos, depois de um tempo, reparei que a prova tivera sido aplicada naquela manhã, até então tudo normal. Até o momento em que me deparei com uma avaliação em específico, uma cujo nome fora escrito com letras de forma, de modo que não havia de se duvidar da identidade de quem a fez, ao contrário de outras que mais pareciam cartas de Chico Xavier. Para essas últimas, recorri ao meu copo de café que eu havia conseguido na copa, dava sempre uma espiada na borra do café pra ter uma luz quanto ao nome na prova.

A prova diante dos meus olhos e pronta para um canetaço de 7,5 era da lavra da segunda “embarcação”, a qual, no início desta crônica eu rotulei como um iate mais moderno. A grande questão é que como eu disse, nos dias 16 e 17 eu havia me interpelado até onde esse passeio marítimo pudesse ser interessante e válido; e eu havia constatado que seria muito interessante ampliar os horizontes e buscar novos mares. Porém, dia 18 lá estava ela, a bendita prova! Seria apenas uma infeliz (ou feliz) coincidência? Confesso que fiquei e ainda estou muito confuso com isso tudo. Será que ainda merece uma primeira chance? Sim, pois depois das pedras de carvão, quero deixar as navegações para quem realmente queria se arriscar demais nos mares.

Todo esse papo naval e marítimo me lembrou uma canção do Pe. Zezinho: “... junto a Ti, buscarei outro mar”. E essa prova, viria a provar alguma coisa? Viria a mudar meu pensamento?

N.D.E., 19 de Nov. de 2011.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Resenha Crítica sobre o texto "As Uniões Homoafetivas no STF" - EMA


            Estamos diante de um direito que vibra no mesmo diapasão do direito a vida, e creio que não se trata somente do reconhecimento de uniões, adoções, direito a herança, a pensão, plano de saúde... Temos aqui o direito a dignidade e algo que não é abordado em nosso ordenamento jurídico: o direito a felicidade. Algo tão simples, que deveria fazer parte da vida de todas as pessoas e é sempre ignorado, e por mais das vezes na íntegra. O que o texto “As uniões homoafetivas no STF” de Maria Berenice Dias nos traz é uma verdadeira pantomima, uma patuscada produzida por uma parcela de nossos políticos, que nada mais é que uma horda de proscritos, que por vezes desejam impor seus dogmas religiosos a toda uma nação; e em outros casos, é um interesse mesquinho revestido de hediondez, onde há somente o interesse nas urnas e no que os eleitores podem vir a pensar. E onde estão os que pensam nos direitos do cidadão?

O juiz Rafael Gonçalves de Paula, do TJTO em uma de suas sentenças escreveu: “Poderia dizer que George Bush joga bulhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela terra – e aí, cadê a Justiça nesse mundo?” [1]. Eu devo ir mais além, além da justiça e das frias salas dos tribunais, devo ir onde estão à liberdade, a igualdade, o respeito, e o amor para com o próximo? Sim, já que falo em considerações tão básicas, devo aqui comentar a muleta que muitos usam para embasar suas teorias homofóbicas. Mas o mesmo livro utilizado para sustentar tantos absurdos, é o mesmo que diz: “O que vos mando é que vos ameis uns aos outros” [2]. Então onde está o estrito cumprimento da Lei Divina? Desculpem-me, mas, se é para cumprir uma lei, que seja cumprida na íntegra.

Em nossos dias, muitos pensam que ainda vivemos em um Estado que pode ser qualquer coisa, exceto laico, e esta é uma das fontes de toda a discórdia no que tange os direitos dos homoafetivos.

Ainda sobre o prisma bíblico, e por conseqüência, teológico, o niceno-constantinopolitano é muito claro: “genitum, non factum, consubstantialem Patri”, e nessa clareza singular ele nos traz a questão da adoção Divina. E se Deus criou-nos a Sua imagem e semelhança, quem somos nós além de frágeis criaturas da Providência Divina? Ele adotou-nos como filhos, logo, somos todos iguais e não podemos julgar o próximo por sermos criaturas, o julgamento é algo privativo de Deus. Quem desejar pode ler o Terceiro Livro do Pentateuco, o Levítico. O Levítico na bíblia nada mais é que um código sanitário com mais de 2.000 anos; e para aventurar-se um pouco mais, sugiro a leitura de uma carta abeta a Laura Schlessinger[3] sobre suas interpretações das Sagradas Escrituras, em especial, Levítico 18:22.  Vou parar por aqui com a teologia dogmática e com a exegese, pois não sou a pessoa mais indicada para tanto.

Mas, voltando ao direito, em nossa Carta Magna, seu famigerado artigo 5º sentencia: “todos são iguais perante a lei...”, ou seria algo como “todos os iguais são iguais perante a lei”? Nego-me veementemente a responder a esta pergunta uma vez que a julgo puramente retórica. Outra tolice é tentar responder (outra pergunta retórica) de Cesare Beccaria (in “Dos Delitos e das Penas – Da Pena de Morte”) que é: “Quem poderia ter dado aos homens o direito de degolar seus semelhantes?”.

Se não podemos julgar e tão pouco “degolar” nossos iguais, então por que não reconhecer de fato um direito tão simples e fundamental? Há alguns anos, não havia direito algum para os homossexuais, muito pelo contrário, a legislação em alguns países tipificava o homossexualismo e as praticas sodomitas como crimes graves, a exemplo do § 175 do Reichsstrafgesetzbuch[4] na Alemanha de 1871. Não é atoa que Otto Von Bismarck ganhou a alcunha de “o chanceler de ferro”.

Outro caso notório no que diz respeito aos direitos homossexuais, foi a condenação do escritor irlandês Oscar Wilde em um tribunal inglês, acusado de sodomia no ano de 1895[5], e este foi condenado a prisão e trabalhos forçados por dois anos. Com o passar do tempo, a situação foi invertendo-se até chegar ao século XXI onde alguns direitos começaram a ser reconhecidos.

Hoje, dia 1º de novembro, é o marco em nossa história onde atingimos a marca de sete milhões de habitantes no mundo, e tudo está “lotado”, assim sendo não há (ou não deveria) haver em nossas vidas lugar para tolas crendices e, sobretudo, preconceitos vis. Conforme o texto de Maria Berenice Dias, alguns direitos foram reconhecidos, mas, por outro lado, a lista de direitos não reconhecidos ou simplesmente ignorados também cresce vertiginosa e aritmeticamente. Hoje nas redes sociais, bem como na rede mundial de computadores, é muito comum encontramos uma imagem com duas fotos, a primeira delas é um casal homoafetivo, a segunda fotografia é uma criança africana subnutrida. E na imagem lemos a seguinte legenda: “se a imagem da direita o choca mais que a da esquerda, você deve rever seus conceitos”.

E o que devemos fazer? Conscientizar, ter tolerância e um pouco de boa vontade.

Sem mais,

AFC

São Pedro de Alcântara, 1º de novembro de 2011.



[1] http://www.tj.to.gov.br/exibir_noticias.asp?id=143, acessado em 1º de novembro de 2.011.
[2] Vulgata de S. Jerônimo – João 15:17
[3] Laura Schlessinger, personalidade estado-unidense que possui um programa de rádio, onde distribui conselhos aos ouvintes.
[4] NE - Código Criminal Imperial – tradução livre

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pensamento do Dia


Aquele que de nós nasceu com o talento de General não é permitido que seja apenas em sargento.

Autor desconhecido. 

Desterro, 06 de Setembro de 2011. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ampulheta

Há sempre quem acrescenta, e sempre há e haverá quem apenas subtrai. Parece até uma máxima, não? Muito embora soe como um bordão, essa frase é de minha lavra, afinal eu ainda penso. Comodismo não pode ser a base de nada, a não ser do próprio comodismo. Em nome deste se tem feito verdadeiras atrocidades e burrices desmedidas. E o lamentável desta situação é que podemos usar um outro bordão, bem oportuno aqui: “quem ama, cuida”. Creio que é absolutamente incompatível o “cuidar” e “amar” se você sufoca e não deixa a pessoa “amada” trabalhar e estudar.

E diante do fracasso latu sensu – lalu talvez de latindo mesmo, gritando – o amor sempre acaba na geladeira vazia. Pessoas deslumbradas e sonhadoras têm esse problema: o amor basta... até a fatídica briga oriunda de uma situação inevitável que se originou lá no início de uma vida profissional medíocre. Quem ama como o “amor de moela – eu amo ela, eu amo ela, eu a‘moela’” não acrescenta nada, muito pelo contrário, suga tudo o que pode como um parasita imundo que destrói completamente o hospedeiro.

Então, não vejo como um relacionamento cômodo e parasitário pode ser benéfico. Muito pelo contrário, é um fardo para ambos que se deixar levar por essa tolice. E outra coisa que me intriga, como se pode viver com alguém que vive em função de outra pessoa? Sim, pois uma das partes não tem vida própria, vive em função da outra (como parasita); o que acontece quando o ser intruso põe termo ao hospedeiro? No caso dos “humanos”, o parasita descarta o hospedeiro como um lenço pustulento. E para as chagas decorrentes desta lancinante dor não há bálsamos nem ungüentos que reparem o mal que foi impiedosamente desfraldado outrora.

Meu pai, no auge de sua maturidade nos traz um pensamento cristalino: “só é usado quem se permite”. É isso que o uso demasiado de máscaras pode fazer com o indivíduo que não assume sua verdadeira condição de ser pensante, estudioso e trabalhador. A vida é deveras efêmera, a juventude é breve e a beleza se esvai como os grãos de areia em uma ampulheta.


N.S.D., 17 de agosto de 2011.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

As Voltas da Vida

Veja só, como são engraçadas as pessoas, elas simplesmente somem de nossas vidas, e do nada ressurgem como a fênix... E o quanto isso me fez alegre. Ontem, o dia começou cinza, e só haviam palavras mordazes, mas com uma boa conversa com muitos risos, com Natasha e o Pau do Índio, este último traficado pelo frater Joannem Petrus, um pianinho, uns narguiles e um filme para fechar com chave de ouro uma noite coroada de alegrias para todos. Quase um final feliz, não para todos, claro, afinal há sempre quem fique em casa se mordendo em uma síncope lancinante. Ah! Recadinhos, patético.

Enfim, voltando... Ontem pude ver um pouco mais por debaixo dos véus e conhecer um pouco mais de uma criatura até então insondável. Já sei, vai ter quem pense merda, errr, mas não vou me estressar não. Eles não valem a pena, afinal, nem amigos eles possuem.

Bem sei como a sociedade, o mundo e tudo mais pode fustigar uma alma e torná-la muito diferente do que ela sempre foi; como eu sempre disse, somos muito diferentes, e ao mesmo tempo totalmente idênticos. Por vezes até no pensar... Nós mesmos mudamos com os acontecimentos dos últimos anos.

Viu como não dói, e não custa nada? E ainda é muito bom, tranqüilo e o melhor de tudo é saudável por que não existem todos aqueles excessos. Desnecessário dizer o que quanto mais fores moderado mais aproveitarás.

Por fim, agradecer ao amigo desaparecido por ter se lembrado de mim. E para terminar, uma coisa que parece tola, mas creio que para nós não é: eu tenho muito o que aprender com você, e você têm muito o que aprender comigo. Você ensinou-me o que é pedir desculpas, e eu ensinei-lhe um pouco de moderação alla in media virtus est!

Nós assim vamos longe, e com jäger! Kkk.

Ósculos e amplexos fraternais,

Tio Deco

N.S.D., 25 de Julho de 2011.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Animarum in Pelvim

Tétricos dias, afinal, vejo naqueles que estimo tão somente hedonismo, concupiscência e o pior: falta de palavra. Não sou a forma mais virtuosa que caminha na terra, mas, ao menos tenho palavra e não sou nenhum biltre embusteiro. Por mais compaixão que podemos ter, fica muito complicado ter um pouco de tolerância diante das inópias que encontramos nas mentes com as quais convivemos. "Mentes" que convivemos por vontade própria, e por esperança de que um dia tome um rumo em sua miserável existência e assim sendo deixe de ser uma pedra de tropeço, e seja uma pedra lapidada, polida e construtiva.
Afrontas inultas me são desfraldadas quase que diariamente, e ao término de tudo, a quem rogarás paráclito? Fitar-me-ás como já fizeste com aquele olhar insondável e lacrimoso. Antes de estender-lhe a mão (segundo alguns, mão que se estende até ao inimigo, mas não é este o caso, que fique bem claro) vociferarei a seu ouvido apenas duas palavras: “bem feito!”. Depois, verei o que fazer para resgatá-lo da fogueira na qual se enfiaste por vontade própria.
Exorto-o para que reflitas, e assim percebas com a máxima urgência quem são os seus verdadeiros amigos. Já dizia Jó (Jó 10:2): “mostra-me por que razão me tratas assim”. E tenho mais uma exortação: ao confessar pecados àquela que supostamente amas, confesse-os por inteiro, e não tão somente aquilo que lhe convém para salvar sua pele.
N.S.D., 17, 20 e 22 de Julho de 2011.